Dos cruzamentos às rotatórias: a "Amoris laetitia" favorece estradas menos arriscadas. Artigo de Andrea Grillo

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07 Setembro 2016

Em relação à Amoris laetitia, "o ponto qualificador é que não se põe mais uma alternativa drástica entre doutrina e pastoral, entre ‘foro externo’ e ‘foro interno’, que não se cruzam mais diretamente. Em vez disso, introduz-se um ‘foro pastoral’ – a rotatória, justamente – que se interpõe precisamente no ponto onde as duas lógicas e os dois foros poderiam conflitar."

A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, leigo casado, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, em Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, em Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, em Pádua.

O artigo foi publicado no seu blog Come Se Non, 04-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como se sabe, desde sempre, trívios e quadrívios foram considerados como lugares arriscados, não só por Édipo ou por Don Abbondio. Os cruzamentos rodoviários também não foram exceção a essa antiga regra. Por isso, foram dotados, com o tempo, do direito de preferência, de sinais de pare, de semáforos. Tudo isso até que, do Reino Unido, veio a "rotatória".

Com a rotatória, o cruzamento se converte: as duas principais diretrizes não se cruzam mais diretamente, mas, com um suave acompanhamento, são dobradas a um discernimento comum, que as faz girar em torno de um ponto, que ninguém atravessa, mas em torno do qual todos passam. Desse modo, reduzindo a velocidade de todos e orientando todos a uma rotação na mesma direção, cada um, por fim, é restituído à direção desejada, mas com uma composição do conflito menos perigosa e complexa.

Essa evolução da circulação rodoviária pode sugerir uma imagem eficaz para compreender eficazmente a função que a Amoris laetitia pode desempenhar no complexo da "circulação" em matéria de pastoral familiar.

Como é evidente, uma linha de "doutrina objetiva" sobre o vínculo matrimonial e uma linha de "experiência subjetiva" dos laços familiares, quando se cruzam, podem determinar um quadro muito complexo de mediações, mas também um alto percentual de acidentes. Justamente pelo fato de que as duas estradas, com a sua tendência perpendicular, conflitam com mais força precisamente no ponto de encontro.

Uma longa tradição, nos últimos 200 anos, conheceu, contudo, apenas o cruzamento como modalidade de gestão do conflito. E, muitas vezes, isso determinou uma dilaceração entre razões objetivas e exigências subjetivas, com consequências muito graves para ambas.

Hoje, com a Amoris laetitia, muda a gestão do conflito. Do cruzamento, passa-se à rotatória. Não há mais perpendicularidade entre norma objetiva e condição subjetiva, mas se introduz aquele estilo do acompanhamento, do discernimento e da reintegração, que, metaforicamente, podemos chamar de "pastoral da rotatória".

O ponto qualificador é que não se põe mais uma alternativa drástica entre doutrina e pastoral, entre "foro externo" e "foro interno", que não se cruzam mais diretamente. Em vez disso, introduz-se um "foro pastoral" – a rotatória, justamente – que se interpõe precisamente no ponto onde as duas lógicas e os dois foros poderiam conflitar.

No "foro pastoral", de fato, os três verbos qualificadores – acompanhar, discernir e reintegrar – ajudam a "caminhar juntos", por um caminho menos curto, mas mais seguro. A rotatória nunca é o "caminho mais curto": alongando a estrada, torna-a para todos não só menos rápida, mas também mais segura.

A Amoris laetitia é uma maravilhosa complicação, assim como a rotatória. Ao contornar sabiamente o conflito e ao reorientá-lo em um "circuito comum", ela precisa de uma Igreja que transforme, gradualmente, os seus cruzamentos em rotatórias. Que saiba perder tempo e estrada ao acompanhar e ao discernir, para que a cada um seja permitido encontrar o seu próprio caminho, de modo mais seguro e mais humano. Os canteiros de obra estão abertos.

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