Dois Sínodos sobre o ministério ordenado? O terceiro sonho de Martini e o terceiro sínodo de Francisco. Artigo de Andrea Grillo

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06 Setembro 2016

"Nos projetos do Papa Francisco, podemos entrever uma espécie de providencial ‘implementação’ do sonho do cardeal Martini. Em vista do Sínodo ordinário de 2018, se poderia especular – ou sonhar – um caminho semelhante ao realizado sobre o tema da ‘família’: fazer preceder ao Sínodo ordinário de 2018 um Sínodo extraordinário em 2017, cuja preparação deveria iniciar no fim de 2016. Portanto, muito em breve."

A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, leigo casado, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, em Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, em Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, em Pádua.

O artigo foi publicado no seu blog Come Se Non, 01-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Em outubro de 1999, Carlo Maria Martini proferia no Sínodo dos bispos dedicado à Europa um famoso discurso, no qual apresentava alguns "sonhos" que o tinham visitado. Em particular, o terceiro sonho era de uma surpreendente profecia:

"Um terceiro sonho é que o retorno festivo dos discípulos de Emaús a Jerusalém para se encontrarem com os apóstolos se torne estímulo para repetir de vez em quando, no decurso do século que se inicia, uma experiência de debate universal entre os bispos, que sirva para desfazer alguns daqueles nós disciplinares e doutrinais que, talvez, foram pouco evocados nestes dias, mas que reaparecem periodicamente como pontos quentes no caminho das Igrejas europeias e não só europeias. Penso, em geral, nos aprofundamentos e nos desenvolvimentos da eclesiologia de comunhão do Vaticano II. Penso na carência em alguns lugares já dramática de ministros ordenados e na crescente dificuldade para um bispo de fornecer a cura das almas no seu território com um número suficiente de ministros do Evangelho e da Eucaristia. Penso em alguns temas relativos à posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a práxis penitencial, as relações com as Igrejas irmãs da Ortodoxia e, mais em geral, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Penso na relação entre democracias e valores, e entre leis civis e lei moral."

Nos projetos do Papa Francisco, podemos entrever uma espécie de providencial "implementação" desse sonho. Em vista do Sínodo ordinário de 2018, se poderia especular – ou sonhar – um caminho semelhante ao realizado sobre o tema da "família": fazer preceder ao Sínodo ordinário de 2018 um Sínodo extraordinário em 2017, cuja preparação deveria iniciar no fim de 2016. Portanto, muito em breve.

O tema – com base naquilo que emergiu nos últimos anos no debate eclesial – poderia ser o "ministério ordenado na Igreja".

Em particular, poderia se referir:

a) ao exercício colegial do Episcopado e à restituição ao Bispo da plena autoridade sobre a liturgia diocesana;

b) à formação dos presbíteros (com o repensamento da forma tridentina do seminário) e à possibilidade de ordenação de homens casados;

c) à teologia do diaconato e à possibilidade de um diaconato feminino.

Ao lado desses temas emergentes e com base na experiência do Sínodo sobre a família, também deveriam ser consideradas duas modalidades processuais:

- também para um Sínodo sobre o "ministério ordenado", seria bastante recomendável proceder "a partir de baixo"; consultando a base e formulando um questionário para cada Sínodo, com o qual se poderiam solicitar opiniões qualificadas das comunidades eclesiais. Na formulação das perguntas, seria muito útil que se evitassem "falsas perguntas";

- seria muito apropriado pensar na retomada de uma "feliz experiência conciliar", que colocou ao lado de cada bispo um "especialista". Um vistoso déficit teológico surgiu com grande evidência no percurso sinodal mais recente. Se cada bispo tivesse consigo um especialista – como acontecia no Vaticano II – isso poderia ajudar a mediação, a formulação, a idealização e o próprio exercício da autoridade.

Os sonhos de Martini e os projetos de Francisco: nessa correspondência, a menos de 20 anos de distância, tentemos recuperar o terreno perdido.

Leia mais:

''A Igreja retrocedeu 200 anos. Por que temos medo?'' A última entrevista de Martini

O próximo Sínodo provavelmente focará a ordenação de homens casados

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