Francisco conclui a primeira fase da reestruturação da cúria

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02 Setembro 2016

“Vai, Francisco, e reforma a minha Igreja, que ameaça ruir”. Este é o principal desafio interno do Governo do Papa Francisco. O homem que veio do fim do mundo para dirigir a todo-poderosa hierarquia eclesiástica vaticana propôs-se como primeiro objetivo a transformação da cúria romana. E o está alcançando. Com a criação do novo dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, Bergoglio conclui a primeira fase de uma profunda reestruturação do Governo na Santa Sé, três anos após sua chegada a Roma. Um recorde, se tivermos presente os tempos da Igreja.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 01-09-2016. A tradução é de André Langer.

Uma das primeiras decisões executivas de Francisco foi a criação do C-9, um grupo de cardeais procedentes de todas as partes do mundo e coordenado pelo hondurenho Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, com o objetivo de reformar uma cúria atrofiada e onde a sede de poder ultrapassava o desejo do serviço. O excessivo poder da cúria e sua falta de controle foi, sem dúvida nenhuma, uma das razões pelas quais Bento XVI acabou renunciando e um dos temas chaves das reuniões prévias ao Conclave que elegeu o então arcebispo de Buenos Aires.

Simplificar, harmonizar e tornar transparente o trabalho da cúria romana, açoitada pelos escândalos e causa do crescente desprestígio da instituição, foram os pedidos do Papa aos membros da comissão, segundo assegura seu secretário, dom Marcelo Semeraro.

Um trabalho que foi ordenado em quatro passos, o primeiro dos quais veio precisamente com a criação deste grupo. O segundo passo foi a reforma do Sínodo dos Bispos e a convocação de um encontro para falar sobre a família, na qual, pela primeira vez, se podiam ouvir as opiniões de todos os fiéis do mundo, e não somente as dos líderes eclesiásticos. O terceiro passo veio com a reforma econômica e o saneamento do Banco Vaticano. Finalmente, a criação de dois novos dicastérios (Leigos, Família e Vida e o dicastério anunciado nesta quarta-feira) que aglutinam várias dezenas de organismos que desaparecerão ou serão reestruturados, aliviando o peso da cúria.

Após três anos de reuniões, os trabalhos do C-9 começaram a ser operacionais. Dessa maneira, Francisco conclui a reestruturação da cúria, que levou à criação de quatro grandes blocos organizativos. Em primeiro lugar, o “superministério” ou Secretaria para a Economia, encarregado de controlar os gastos da cúria.

Em segundo lugar, a coordenação dos meios de comunicação, com a criação da Secretaria para a Comunicação. Em terceiro lugar, a criação de um novo dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, muito na linha de sua exortação Amoris Laetitia. E, finalmente, o dicastério anunciado na quarta-feira sobre o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que será competente nas questões que se referem às migrações, aos necessitados, aos enfermos e excluídos, aos marginalizados e às vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, aos encarcerados, aos desempregados e às vítimas de qualquer forma de escravidão e de tortura.

Deste modo, Francisco aborda grandes mudanças nas questões econômicas, um dos aspectos mais polêmicos do governo vaticano há décadas; enfrenta o desafio da evangelização através dos “novos púlpitos”, os meios de comunicação e as redes sociais; abre um caminho para uma mudança de modelo na pastoral familiar, no papel da mulher e dos leigos na Igreja, inclusive em postos de comando; e faz a instituição “retornar” ao Evangelho dos mais pobres e necessitados com a criação de um dicastério dedicado aos mais afastados. Um anúncio, este último, que se faz na metade do Ano da Misericórdia e dias antes da canonização da “santa dos pobres”, Madre Teresa de Calcutá.

Para além das pressões internas, o Papa deixou, em uma infinidade de ocasiões, sua firme intenção de levar adiante a reforma da cúria “com determinação, lucidez e resolução, porque a Igreja sempre deve ser reformada”. Foi o que disse aos membros da cúria durante um encontro de Natal.

Nem escândalos como os do Vatileaks II, as visitas de alguns curiais ao Papa emérito Bento XVI ou os posicionamentos públicos contra as reformas propostas por Bergoglio conseguirão parar Francisco em sua missão. Bergoglio é um especialista na luta contra o “terrorismo das fofocas”, o “Alzheimer espiritual” e outros pecados de alguns dos máximos mandatários da Igreja.

Porque é evidente que as mudanças na estrutura têm como objetivo último, junto com uma mudança na forma de trabalhar, um golpe de timão nos destinatários do serviço: já não podem ser os eclesiásticos, já não pode existir uma cúria única e exclusivamente centrada em si mesma, obcecada com a “autorreferencialidade” que tanto mal causou à estrutura vaticana. O autêntico objetivo das reformas é socorrer aqueles a quem Jesus se dirigiu: os pobres, os perseguidos, os fracos, os aleijados.

Por isso, junto com o trabalho no âmbito econômico e comunicativo, as outras duas pernas da mesa das reformas sejam dois grandes dicastérios dedicados aos leigos, às mulheres e à família, por um lado; e aos refugiados, doentes, marginalizados, migrantes ou vítimas do tráfico de pessoas, por outro. Nada é por acaso na estratégia de Francisco, que primeiro surpreendeu a todos com seus gestos e seu estilo participativo; posteriormente, com suas palavras e documentos; e agora, finalmente, com a tomada de decisões executivas, que contam com o apoio – mais ou menos decidido – da maior parte da hierarquia (em um curioso exercício de “autorreforma”) e o respaldo, em muitos casos entusiasta, da maior parte dos fiéis de todo o mundo.

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