A leitura ingênua sobre o golpe

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01 Setembro 2016

"É incompreensível que se faça do ritual mambembe do impeachment um momento especial. Não foi. O confronto já ocorre há meses". O comentário é de Rudá Ricci, sociólogo, em artigo no seu blog, 01-09-2016.

Eis o artigo.

Consolidado o impeachment, aparece nas redes sociais uma leitura ingênua sobre o ocorrido. Não raro, há quem diga que agora a situação vai piorar. Agora? De onde vem esta leitura enviesada? Vem desta cultura institucionalista alimentada por anos a fio pelo PT.

Explico.

O golpe já está em curso há quase 4 meses. De lá para cá, não houve nenhum pacote de bondades ou aceno para isto. Portanto, o golpe já ocorre faz tempo

Mas, na leitura institucionalista, o foco de tudo na lógica política está no campo institucional, uma escala hierárquica que coloca em primeiro plano o Executivo Federal e o Congresso Nacional. Ao lado, como se fosse um campo neutro ou extremamente impessoal, estaria o judiciário, tendo como ápice o STF. Abaixo, viria o resto do sistema, que dança conforme o vento que bate nas folhas do coqueiro.

Nesta leitura institucionalista, as ruas aparecem como um raio em céu azul. Esporadicamente. Episodicamente. Provisoriamente. Assim, o calendário político é exclusivamente marcado pelas eleições. No intervalo entre duas eleições, a Corte se estapeia e jogos de coxia confirmam a habilidade ou despreparo do eleito, enquanto os espectadores levantam suas plaquinhas onde expõem as notas que julgam que os players merecem. Um teatro monótono e apartado.

O mundo da política, para a esquerda, nunca foi este. Para Rosa Luxemburgo, a escola política está no confronto. Para Lênin, as eleições são tribunas de divulgação de ideologias, de disputa sobre a interpretação do mundo. A longa elaboração da esquerda mundial nunca jogou exclusividade ao campo institucional como os petistas parecem querer inaugurar.

Assim, numa leitura mais engajada, o que ocorreu hoje foi a definição do destino de Dilma Rousseff. No máximo, a potência política do PT, mas nem isto, já que o partido já havia negociado seu lugar ao sol com Rodrigo Maia, quando da eleição da nova Presidência da Câmara dos Deputados. Dilma se esforçou neste final. Viajou, escreveu cartas e se defendeu na tribuna do Senado. Raramente se viu tanta energia e atuação dela como agora. Mas foi tudo jogo de cena, como sabemos. Para o jogo de interesses de classe, hoje foi só a cereja do bolo. A ofensiva já vem de maio.

Então, é incompreensível que se faça do ritual mambembe de hoje um momento especial. Não foi. O confronto já ocorre há meses. Trocar a disputa de lugar, resumindo ao campo institucional ou reclamando do judiciário ou de um poder isolado é tão ingênuo que merece uma consulta no analista com urgência.

Agora, o foco é justamente outro. O foco é a rearticulação das organizações populares (o que já está em curso desde a posse de Temer) e a elaboração de uma nova plataforma de luta e de gestão do Estado que supere o Lulismo e a conciliação de interesses. O calendário para isto não é o eleitoral ou mergulhamos novamente no auto-engano da neutralidade das instituições. O calendário não é marcado pelas eleições municipais e tampouco as eleições de 2018. Ao contrário. o resultado eleitoral será consequência da rearticulação deste campo político, não a causa de seu crescimento.

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