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30 Agosto 2016

"Mesmo antes de ver este relatório eu já sustentava que o necessário para termos uma paróquia de sucesso é haver uma boa pregação, uma boa música, uma comunidade acolhedora e programas para crianças. Infelizmente, esse questionário não envolveu questões sobre músicas".

O comentário é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 25-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

No passado, as pessoas geralmente eram batizadas, se casavam e eram enterradas em sua igreja local, mas hoje cerca de metade dos americanos em algum momento de suas vidas procuram por uma nova congregação, seja em sua própria denominação, seja em outra. Isso normalmente ocorre quando elas se mudam.

Se você quiser atrair alguns desses candidatos para a sua congregação ou paróquia, o que é preciso fazer?

Segundo um estudo publicado esta semana pelo Centro de Pesquisas Pew (Pew Research Center), o que importa para as pessoas que buscam uma nova congregação é uma boa pregação, o sentimento de ser bem-vindo e o estilo de culto da congregação. Além disso, se tiverem filhos, os programas para crianças são importantes.

Ao procurar por uma nova congregação:

• 83% dos americanos dizem que a qualidade da pregação teve um papel importante na escolha da nova congregação;

• o sentimento de ser bem recebido pelos líderes da congregação é considerado importante para 79 %;

• cerca de três quartos dos entrevistados dizem que o estilo de culto foi importante na hora da escolha;

• 70 % dos participantes relataram que a localização da congregação foi importante;

• entre os casais com filhos, 65% dizem que haver programas para crianças importou na hora de escolher uma congregação.

Entre os sete fatores apresentados aos entrevistados, os cinco acima (pregação, ser bem-vindo, estilo, localização e programas educacionais para crianças) são os que mais receberam uma resposta positiva. Menos pessoas disseram ser importante ter familiares e amigos na congregação (48%) ou haver oportunidades de trabalho voluntário disponíveis (42%).

Estes são os números para todos os americanos que procuraram uma nova congregação. Os católicos diferem significativamente na relação com os protestantes.

Eles estão menos propensos a procurarem uma nova congregação (41% para os católicos, 62% para os protestantes). E mostram-se mais propensos a continuarem em sua própria denominação quando buscam uma nova congregação na comparação com os protestantes (63% contra 50%).

Os católicos que procuraram uma congregação demonstraram um percentual menor em todos os fatores analisados no estudo, exceto um deles.

Para os católicos que buscam uma nova comunidade para frequentar, o fundamental é a localização.

• Três quartos dos católicos em busca de uma nova comunidade dizem que a localização da igreja é importante. O mesmo vale para 71% dos protestantes.

• O sentimento de ser bem recebido é também menos importante para os católicos (71% contra 84%).

• Quanto à pregação, há uma diferença enorme, com 67% dos católicos dizendo que ela é importante, em contraste com os 92% dos protestantes que afirmam mesmo.

• Finalmente, o estilo de culto também é importante para a maioria dos católicos (63%), mas não no mesmo grau que é para os protestantes (79%).

De forma semelhante, na escolha de uma congregação, a presença de familiares e amigos e de oportunidades de voluntariado importa menos para os católicos (45% e 36%) do que para os protestantes (51% e 47%).

Por que a localização é tão importante para os católicos?

A importância da localização me faz lembrar de uma descoberta do Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado – CARA (departamento da Universidade de Georgetown, EUA), segundo a qual a disponibilidade de estacionamento influi na frequência às missas em regiões como Dallas, Fênix e Houston.

“Não existem paróquias em que se pode ir caminhando”, explicou ao National Catholic Reporter o padre jesuíta Thomas Gaunt, diretor-executivo do CARA. “Todos os fiéis dirigem. E eles estão sobrecarregados. É aí onde começamos a encontrar a diminuição no número de batismos.

Os dados sugerem que não é uma secularização; é a falta de estacionamento. Se a pessoa está lá com um bebê de colo, e vai ter de chegar uma hora mais cedo para tentar conseguir uma vaga para estacionar e entrar”, disse ele, o número de pessoas frequentando irá diminuir assim como estes primeiros sacramentos.

Ou talvez alguns católicos ainda acham de devem comparecer à comunidade católica mais próxima, mesmo que isso não seja mais exigido pelo direito canônico. Talvez os católicos estejam simplesmente acostumados a ir à igreja mais próxima e preferem que continue assim. Ou talvez muitos católicos enxergam pouca diferença na pregação, na hospitalidade e no estilo de culto entre as paróquias e, portanto, não esperam que esses fatores estejam em jogo quando buscam uma nova comunidade.

A Igreja Católica é uma franquia onde os católicos esperam que o produto tenha a mesma qualidade em todos os locais. Sendo iguais todas as outras coisas, os católicos vão à igreja mais próxima. Por que ir para longe?

Uma consequência disso é que 83% dos católicos que buscam uma nova congregação dizem que foi fácil ou muito fácil de encontrar o que queriam. Este número fica acima dos 68% entre os respondentes protestantes.

Os leitores deste artigo que se queixarem de que esses dados não refletem a sua própria experiência estão provavelmente entre os católicos mais “mimados”: estes fazem parte dos 17% para os quais é difícil encontrar uma congregação ao seu gosto.

Apesar do fato de que mais católicos destacam mais a localização do que o fazem com outros fatores, os pastores não devem se mostrar complacentes. Mais de 60% dos que buscam uma nova congregação dizem que a pregação, o sentir-se bem acolhido e o estilo de culto são importantes em suas escolhas. São números que os pastores não podem ignorar.

Além disso, não temos dados históricos para traçar uma comparação com estes resultados, mas podemos crer que as gerações anteriores foram ainda mais complacentes do que a atual geração. Nenhum cientista social se surpreenderia se, a daqui dez anos, este estudo fosse refeito e os pesquisadores descobrissem que os católicos estariam se parecendo, cada vez mais, com os protestantes em suas respostas.

Quando estão à procura de uma nova congregação, os católicos fazem uma sondagem significativa, mas menos do que os protestantes. Três quartos dos católicos participam de uma missa antes de se juntar a uma congregação, em contraste com os 90% dos protestantes que visitam os cultos com antecedência antes de se decidir.

Mais da metade (57%) dos católicos que buscam uma nova comunidade eclesial perguntam a amigos e membros da congregação sobre a própria congregação. Mais uma vez, os protestantes estão mais propensos a perguntar a seus conhecidos (71%) do que os católicos. Os protestantes (61%) também estão mais propensos a falar com o ministro antes de se juntar à nova congregação do que os católicos (40%).

Quais as lições práticas deste estudo?

Em primeiro lugar, as paróquias precisam ter um trabalho social especial junto às pessoas que se mudam para os seus territórios. Os católicos já estão inclinados a ir à igreja local; tudo o que precisam é de um empurrãozinho. Não deveríamos esperar que eles venham ao nosso encontro; devemos ser pró-ativos e irmos ao encontro deles, porque este é um momento crítico de transição em suas vidas. As pessoas precisam se sentir bem-vindas e convidadas para frequentar a paróquia. Se elas não se sentirem assim, poderão virar as costas e não mais aparecer.

Em segundo lugar, é preciso dar espaço aos visitantes e fazê-los se sentirem acolhidos. Eles podem estar em busca de um lugar para frequentar em definitivo. Isso é particularmente importante para os paroquianos, uma vez que católicos estão menos propensos a conversar com o padre.

Em terceiro lugar, apesar do fato de sermos uma igreja sacramental, a pregação é importante para a maioria dos católicos, embora eles possam ter expectativas mais baixas quanto a seus ministros na comparação com os protestantes. Um maior cuidado deve ser dado à formação e à reciclagem dos padres para que sejam bons pregadores. Um pobre pregador significa uma igreja vazia.

O quarto fator crítico na busca por uma nova congregação é o “estilo de culto”. Infelizmente, esta questão é tão vaga no estudo realizado que é impossível saber o que tal expressão significa. Sem dúvida, cada entrevistado tinha a sua própria ideia do estilo ideal de culto que buscava em uma nova comunidade religiosa. Como consequência, as respostas não são úteis no sentido de nos dar diretrizes para o planeamento litúrgico.

Curiosamente, as paróquias que oferecem uma variedade de experiências litúrgicas parecem ser as mais bem-sucedidas. Uma missa de vigília aos sábados para famílias que têm planos para o domingo. Uma missa no começo do dia para o que trabalham (às 9h, por exemplo). Missas para famílias com crianças pequenas, uma missa mais tarde para casais mais velhos cujos filhos já saíram de casa, e uma missa dominical à noite para jovens adultos. Além disso, é claro, missas em línguas diferentes para grupos étnicos significativos. Cada missa teria o seu próprio estilo musical e de pregação. Há de se ter sorte para fazer tudo isso em uma paróquia com um único padre.

Mesmo antes de ver este relatório eu já sustentava que o necessário para termos uma paróquia de sucesso é haver uma boa pregação, uma boa música, uma comunidade acolhedora e programas para crianças. Infelizmente, esse questionário não envolveu questões sobre músicas. Se tivesse perguntado, poderíamos ter condições de pedir por um aumento no orçamento para a música litúrgica.

“Se construirmos igrejas, as pessoas virão” era a crença dos líderes eclesiásticos no passado. Esta crença está se tornando cada vez menos verdadeira hoje.

O relatório publicado e aqui analisado pode ser lido de duas formas. Por um lado, como outros estudos do Centro de Pesquisas Pew, ele mostra que a Igreja Católica está, em geral, se saindo melhor em comparação com as denominações protestantes no que diz respeito a reter seus fiéis e mantê-los felizes. Por outro lado, ele pode ser lido como um alerta que exige uma resposta vigorosa.

Não devemos ser complacentes. Se a Igreja é um hospital de campanha, como diz o Papa Francisco, podemos nos satisfazer com o fato de estarmos fazendo um trabalho melhor do o nosso vizinho da rua de baixo, mas ignorar os problemas e preocupações dos pacientes não é nem bom para o hospital nem bom para os pacientes.

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