Em mesquita na Dinamarca, orações são guiadas por duas mulheres imãs: "Queremos servir de inspiração"

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29 Agosto 2016

Uma página da história, uma reviravolta para o Islã foi escrita nos fatos na oração da sexta-feira na mesquita Mariam, de Copenhague, um dos lugares de culto muçulmano na capital dinamarquesa. Pela primeira vez na Dinamarca e, provavelmente, na Europa, duas mulheres imãs celebraram a cerimônia. E, falando aos fiéis, abordaram os problemas mais atuais e dolorosos, da proibição do burkini na França e em outros lugares até a luta entre inovadores e conservadores patriarcais no Islã e, obviamente, sobre uma ideia de Islã em que as mulheres tenham plena igualdade de direitos e de oportunidades de vida livre.

A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 27-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As duas imãs se chamam Sherin Khankan e Saliha Marie Fetteh. Elas celebraram juntos. Khankan entoou o Adhan, o chamado à oração, e fez um discurso de abertura. Fetteh dirigiu aos fiéis reunidos para rezar, na sua maioria mulheres, a Khutbah, ou sermão. O tema, obviamente, foram "as mulheres e o Islã no mundo moderno". Com notas críticas, mas poucas, à proibição do burkini.

Mulheres imãs já existem em outros lugares, mas são casos raros. Elas existem na China desde o século XIX; na África do Sul desde 1995; e, em Los Angeles, a Mesquita das Mulheres da América foi aberta no ano passado. Orações são realizadas em Oxford pela imã Amina Wadud. Todas as mulheres promovidas imãs fizeram estudos religiosos islâmicos regulares, mas, muitas vezes, são boicotadas pelos imãs homens e pelas estruturas e hierarquias tradicionalistas da fé muçulmana.

"Esse movimento que nasceu agora na Dinamarca – disse Sherin Khankan – faz parte de um grande movimento mundial. Eu espero que possamos servir de inspiração para as mulheres em outros países e que possamos nos inspirar nelas."

Na oração da sexta-feira oficiada por Sherin e Saliha Marie, participaram centenas de mulheres também de outras religiões ou laicas. Sinal de presença e solidariedade. "Ainda estamos em um processo de aprendizagem, nos primeiros passos de uma viagem espiritual", afirmou Sherin Khankan ao jornal The Guardian.

A mesquita Mariam, onde as duas imãs celebraram pela primeira vez, está desde sempre alinhada com o Islã liberal e progressista. Ela já celebrou matrimônios e divórcios. A mesquita escreveu e publicou uma Carta sobre os direitos de quem se esposa, fundamentada em princípios-chave: a poligamia não é admitida, as mulheres têm o direito a se divorciar, um matrimônio será anulado se for encaminhado com violência ou coerção, e, em caso de divórcio, as mulheres terão direitos iguais sobre os filhos.

"Um dos nossos principais objetivos – declarou Sherin Khankan, que usa o véu apenas durante as funções religiosas – é desafiar as estruturas patriarcais nas instituições religiosas O Islã foi dominado pelos homens. As mulheres ainda não têm plena igualdade no catolicismo e no judaísmo, e, no protestantismo, a ordenação de mulheres sacerdotes é recente."

A mesquita das duas imãs também quer desafiar "as interpretações patriarcais" e fundamentalistas do Alcorão, enfrentando a crescente islamofobia na Europa, promovendo os valores progressistas islâmicos. "Visamos ao diálogo e recebemos muitos feedbacks positivos de fiéis no Paquistão e no Irã, nos países árabes, na Turquia, na Europa. Movemo-nos sobre bases teológicas sólidas. Não existem críticas religiosas válida contra nós", explica Sherin Khankan.

Mas os seus pais, a família e muitos amigos se opuseram fortemente à escolha delas de se tornarem imãs e liderarem uma mesquita. E a maioria das mesquitas dinamarquesas (90% estão inclinadas sobre posições tradicionalistas) também boicotam a Mariam. Até mesmo na Dinamarca, assim como no resto do civilizado e tolerante Grande Norte, o alerta-migração e o medo do terrorismo desencadearam movimentos xenófobos e fortaleceram grupos políticos nacional-populistas.

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