‘Café Society’ é um Woody Allen agridoce e magistral

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24 Agosto 2016

Entre os cineastas consagrados pela sua presença ancestral nos festivais, há muitos que continuam sem causar repercussão entre o público normal, embora recebam tratamento de deuses. A organização gosta de mimá-los e a crítica, majoritariamente, também. Sendo obrigado a conhecer todo o trabalho deles, nunca fiquei viciado, mas pode acontecer que eles surpreendam, que nossa fundamentada fobia dê espaço a uma surpreendente filia. Para meu bem, desejo que isso aconteça.

A reportagem é de Carlos Boyero, publicada por El País, 23-08-2016.

E há outros diretores que, sendo habituais nos festivais, se esforçam para que sempre esperemos o melhor em cada encontro com eles. Por exemplo, um homem de 80 anos chamado Woody Allen. Mesmo em seus filmes mais leves, irregulares ou fracassados, sempre encontro alguma coisa excelente que só ele pode pensar. E quando tudo funciona em seus filmes, quando está em estado de graça, a alegria de seus veneradores é incomparável.

Saio do cinema comovido. E rezando para que o cérebro e a sensibilidade do velho Woody Allen continuem funcionando, que rode um filme por ano até fazer cem. Ou duzentos. Que não morra nunca

Allen abriu Cannes com Café Society, um esplêndido filme, o que mais gostei dele nos últimos tempos, desde aquelas duas obras-primas chamadas Tiros na Broadway e Match Point. Com esse filme somos tomados pela sensação de que este velho tem um conhecimento enciclopédico da condição humana, de suas luzes e sombras, dos dilemas do amor, da escolha do que é conveniente e do que supostamente vai dar estabilidade e futuro à sua existência e a rejeição ao que seu coração exige. Do preço sentimental que é preciso pagar por isso, dos reencontros ou das lembranças quando os caminhos já se fecharam, do que sobrevive na alma e no corpo embora não sirva para nada e provoque melancolia e dor. Allen sabe tudo de todos nós e conta com uma sutileza e uma profundidade admiráveis.

Em vários momentos nos faz rir, mas não gargalhar. O tom é amável, mas a conclusão é muito triste. E arriscada. Qualquer produtor medroso ou embrutecido exigiria um final tão feliz quanto falso, mas Allen sempre fez o que quer. E opta pela verdade, mesmo que não seja comercial. Há desconsolo, racionalidade, lirismo e tristeza. Allen trabalhou com o diretor de fotografia Vittorio Storaro procurando uma luz determinada e precisa para falar sobre os sentimentos. E a câmera não para de se mover, mas você só percebe isso quando a história acabou. Quero dizer: você está dentro do filme e no final percebe o domínio da linguagem. É bonita a história do garoto judeu e nova-iorquino (Allen se permite várias piadas e irreverências com as tradições e peculiaridades de sua raça) que vai ganhar a vida em Hollywood durante os anos 30. O que vai acontecer lá antes do retorno fracassado a suas raízes tem muita esperança e juventude, mas vai terminar em amargura e perda. E a vida não acaba, continua, e a realidade vai se impondo aos sonhos. Na pior das hipóteses não é mais vida, mas o exercício lógico da sobrevivência.

Saio do cinema comovido. E rezando para que o cérebro e a sensibilidade do velho Woody Allen continuem funcionando, que rode um filme por ano até fazer cem. Ou duzentos. Que não morra nunca.

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