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23 Agosto 2016

Quase três semanas após o anúncio da comissão vaticana sobre diaconisas, ainda não temos muita informação sobre a sua pauta ou seu calendário. Também não sabemos o que esta comissão poderá resultar: um relatório, um estudo, uma recomendação para o papa? Será que este resultado vai ser tornado público? Mas mesmo se a comissão resultar em um diaconato feminino, isso significará necessariamente que veremos diaconisas em toda a Igreja?

O comentário é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor da Villanova University, nos EUA, publicado na revista Commonweal, 19-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Esta é uma das perguntas que me fiz quando li o editorial da revista América em favor de um diaconato feminino. Uma passagem em particular parece oferecer garantias aos que se opõem à ideia:

Portanto, se a Igreja decidir ordenar diaconisas, a Santa Sé deveria tornar esta prática lícita, mas não obrigatória. Devido à ampla variedade de situações sociais, eclesiais e políticas ao redor do mundo, o discernimento sobre como, e quando, diaconisas podem ser integradas à vida de uma Igreja local deveria respeitar a autonomia das igrejas locais sob a liderança do bispo local (em conformidade com o chamado para uma maior subsidiariedade que o Papa Francisco fez repetidas vezes em “A alegria do amor”).

O problema é que na exortação Amoris Laetitia, de Francisco, o conceito de “subsidiariedade” é empregado em referência a problemas socioeconômicos que afetam a relação entre Estado, mercado, sociedade e famílias, e não à diversidade em problemas disciplinares e litúrgicos dentro da Igreja.

Nesse sentido, a subsidiariedade vem, sobretudo, da história do ensino social católico; em eclesiologia, a maioria dos autores prefere falar sobre a “autonomia” das igrejas locais quando pensam a respeito da subsidiariedade. Um dos maiores canonistas do século XX, Eugenio Corecco (1931-1995), escreveu com muita propriedade sobre a inadequação de usar a subsidiariedade para lidar com questões teológicas que possuem valor universal e, portanto, envolvem a Igreja inteira.

A forma como a eclesiologia sobre “autonomia” se desenvolveu no século XX esteve grandemente baseada na teologia histórica e na experiência das conferências episcopais nacionais (vejamos a reforma litúrgica durante e após o Vaticano II). O problema é que a maneira como o partidarismo e a politização no Ocidente se desenvolvem na Igreja Católica é, em grande medida, um reflexo da crise nas conferências nacionais dos bispos (com a Alemanha sendo possivelmente uma exceção).

O impacto disso sobre a questão das diaconisas é que uma abordagem individual, caso a caso, para a introdução de um diaconato feminino poderia, na verdade, levar a uma implementação de diocese em diocese, com alguns bispos felizes ao anunciar a suas paróquias sobre a acolhida de diaconisas e outros felizes por apresentarem-se exatamente com uma atitude oposta. (Algo assim pode estar já acontecendo com a recepção de Amoris Laetitia quanto ao que este documento diz sobre a situação dos católicos divorciados e recasados.)

Como (e se) esta reforma irá acabar sendo realizada dirá bastante sobre como o catolicismo global está estruturado hoje. Por séculos, impérios impuseram regras à Igreja e vice-versa; então, nos últimos séculos, o espaço operacional para a Igreja foi o Estado-nação. As conferências episcopais foram, no século XX, a tradução católica do nacionalismo para dentro da estrutura da Igreja, com mais ou menos um século de atraso após a crescente onda de nacionalismo. Agora, as crises do Estado-nação e do nacionalismo correspondem à paralisia das conferências dos bispos. Não é só a aversão, em algumas delas, a uma plena recepção do pontificado do Papa Francisco; é também um dos preços que o catolicismo tem de pagar pela globalização.

É de se perguntar o que aconteceria se tivéssemos de implementar uma grande reforma, como a reforma litúrgica de 50 anos atrás, na Igreja Católica globalizada porém, ao mesmo tempo, fragmentada de hoje. O que o editorial da America parece sugerir, penso eu, não é a possibilidade de que alguns episcopados em continentes separados possam decidir-se contra ter diaconisas. Em vez disso, ele dá a entender que a fragmentação passe a se dar nas regiões locais dentro de um país específico, ou mesmo no nível das dioceses. Se começarmos a ver tais fissuras, poderemos estar à procura de um tipo bem diferente de mapa da Igreja mundial.

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