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19 Agosto 2016

"A liturgia da festa de hoje é também uma confissão de fé na verdadeira Encarnação do Verbo de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem: e a ascensão de Cristo enfatiza a verdadeira natureza divina, a Dormição e a Assunção ao céu de sua mãe, enfatiza a verdadeira natureza humana", explica o teólogo e padre Manuel Nin, professor do Pontifício Colégio Grego, de Roma, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 13-08-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Eis o artigo.


Festa da "Dormição de Maria" (Foto: Hagiografia ortodoxa)

No calendário das Igrejas de tradição bizantina, a “Dormição da Mãe de Deus” é a última das grandes festas. O ciclo litúrgico anual tem a primeira festa no dia 8 de setembro, com a celebração do “Nascimento da Mãe de Deus”, e termina com a “Dormição”, seu glorioso trânsito para o céu, acolhida nos braços de seu filho. Os textos da liturgia abundam na exegese de caráter cristológico e eclesiológico de muitas passagens do Antigo Testamento, propondo especialmente imagens bíblicas aplicadas a Maria e ao seu papel no mistério da encarnação do Filho e Verbo de Deus.

Uma das imagens mais presentes na liturgia de hoje é a da arca, "toda de ouro, nova Arca da Aliança, trazida para do santuário", uma imagem tirada do livro do Êxodo (25,10). Assim como a arca é trazida para dentro do templo, Maria é comparada em seu trânsito, em sua entrada para a glória de Deus. Este título aplicado à Mãe de Deus também encontra-se em outra dentre as grandes festas litúrgicas, a de 21 de novembro, ou seja, de sua entrada no templo.

Maria, apresentada no templo quando menina, e entrando agora na glória do céu, é apresentada como a nova Arca da Aliança que carrega em seu ventre o Verbo de Deus encarnado. Em alguns textos litúrgicos há imagens que destacam a relação entre o céu e a terra, entre a divindade e a humanidade no mistério celebrado neste dia: "O extraordinário prodígio! A fonte da vida colocada num sepulcro, o túmulo como escada para o céu. Alegrai-vos, Getsêmani, santo sacrário da Mãe de Deus". Estas imagens, quase opostas, entre a fonte da vida e a sepultura, entre o túmulo na terra e a escada subindo para o céu, também são encontradas nos textos do Sábado Santo, no canto da morte e do sepultamento de Cristo.

A liturgia da festa de hoje é também uma confissão de fé na verdadeira Encarnação do Verbo de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem: e a ascensão de Cristo enfatiza a verdadeira natureza divina, a Dormição e a Assunção ao céu de sua mãe, enfatiza a verdadeira natureza humana: "convinha que as testemunhas oculares e ministros da Palavra também vissem a Dormição da Mãe, segundo a carne, o último dos mistérios a este respeito, para que não resultassem apenas espectadores da ascensão do salvador, da terra para o céu, mas também o trânsito daquela que o havia gerado”. Os textos enfatizam a relação materna de Maria com seu filho, mas também o relacionamento conjugal: "A noiva imaculada e mãe do beneplácito do Pai, aquela que foi escolhida por Deus, como lugar da sua união, sem confusão, entrega hoje a alma imaculada a Deus, o Criador".

A exegese cristológica e mariológica, especialmente dos salmos, está muito presente nos textos litúrgicos da festa. Vários tropários ecoam o Sl 30,6: "Em tuas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel", aplicada ao trânsito de Maria ao céu, e também destacam no ícone da festa a alma de Maria acolhida nos braços do Filho: "Ela, que reina sobre todos, entrega sua alma nas mãos do Filho. Deposta tua alma nas mãos de alguém que, teu Criador e Deus, por meio de ti, por nós se encarnou, nas mãos daquele que por meio dela, sem sêmen, se encarnou".

A liturgia, com este versículo do salmo, enfatiza duas imagens que encontramos em muitos tropários: Maria nas mãos do filho e nas mãos do criador. Além Sl 30, outros salmos são aplicados alegoricamente ao mistério que se celebra hoje (23, 7, 44, 15) e, especialmente, o Salmo 131, em diferentes versículos, particularmente no versículo 8: "Levanta-te, ó Senhor, para o teu repouso, tu e a arca da tua santidade".

Um dos tropários das Vésperas coloca em paralelo de modo contrastante Maria, que deu à luz ao Verbo encarnado, e o céu que abre seu ventre para recebê-la, quase para concebê-la, numa nova vida: "Vinde, assembleia dos amigos da festa, vinde e formemos um coro, no dia em que a arca de Deus vem ao seu lugar de descanso. Hoje, de fato, o céu abre seu ventre para receber aquela que deu à luz quem o universo não podia conter; e a terra, entregando a fonte da vida, se reveste de bênção e decoro. Os anjos fazem coro com os apóstolos, olhando, cheios de temor, para ela que tinha dado o autor de nossa vida, enquanto passa da vida à vida". O duplo coro, dos anjos no céu e dos apóstolos na terra, também se torna um ícone da confissão de fé da Igreja na Palavra de Deus encarnada, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Outros textos ainda retomam essa comparação entre o ventre de Maria, que acolhe a Palavra de Deus na Encarnação, e do céu que a acolhe gloriosa neste dia: "Sepulcro e morte não retiveram a Mãe de Deus, sempre viva com sua intercessão, imutável esperança e proteção; como mãe da vida, para a vida foi levada, por aquele que, em seu ventre sempre virgem, tinha tido habitação. Aquele que, encanando-se, ó Mãe de Deus, extraordinariamente habitou no teu seio imaculado, acolhendo teu sacratíssimo espírito, em si mesmo dá-lhe repouso. Hoje, a Mãe de Deus tornou paraíso o túmulo que habitou". O colo e os braços de Maria acolhem a encarnação do Filho de Deus, o céu e os braços do Filho tornam-se o trono para a Mãe de Deus.

Muitos tropários cantam finalmente Maria como aquela que intercede. Num dos textos encontra-se uma imagem excelsa da intercessão, da oração de Maria, vigilante para a Igreja: "Pela Dormição da única Mãe de Deus alegrem-se os corações de todos os fiéis, salvos por sua vigilante intercessão". Maria é aquela que, como os monges da Igreja, vigia insone em oração. Em tantos outros tropários da festa encontramos essa insistência na oração intercessora de Maria junto ao Filho: "Não te esqueças, soberana, daqueles que festejam com fé a tua santíssima Dormição". Ela "que intercede incessantemente para que seja doada paz e grande misericórdia à toda a terra".

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