O multiculturalismo dos Jogos retratado em uma foto

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Bartomeu Melià: jesuíta e antropólogo evangelizado pelos guarani (1932-2019)

    LER MAIS
  • Bolsonaro institui o Dia do Rodeio na Festa de São Francisco de Assis

    LER MAIS
  • “O transumanismo acredita que o ser humano está em um suporte equivocado”, afirma filósofo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

09 Agosto 2016

De um lado, as unhas das mãos pintadas de vermelho, moletom preto, camiseta de mangas compridas azul-turquesa e um hiyab preto na cabeça. Do outro, unhas sem pintar, biquíni preto, rabo de cavalo preso com dois elásticos escuros e uma fita preta sobre óculos de sol brancos. Dooa Elhgobashy, 19 anos, diante de Kira Walkenhorst, de 26. No ar, a bola. Azul, amarela e branca. Egito contra Alemanha. Rio 2016, Brasil.

A reportagem é de Manuel Viejo e publicada por El País, 08-08-2016.

As areias da praia de Copacabana receberam neste domingo as etapas preliminares do vôlei de praia. Ganharam as alemãs, por 21-12 e 21-15. Após o jogo, Elhgobashy falou com a imprensa e explicou: “Uso o hiyab desde os 10 anos de idade. O véu não me impede de fazer as coisas de que gosto; e uma delas é jogar este esporte”. Sua companheira de equipe, Nada Meawad, também vestia mangas compridas, mas levava a cabeça descoberta.

O Egito nunca havia se classificado para essa modalidade. Nem com homens nem com mulheres. Os olhares e as objetivas se voltaram para ela e sua companheira, Nada Meawad, de 18 anos. Elhgobashy e sua parceira se classificaram para a Rio 2016 graças a uma ampliação do regulamento promovida alguns meses antes dos Jogos de Londres 2012.

Até então, as regras dessa modalidade determinavam que as atletas não podiam usar biquínis que medissem mais de sete centímetros de largura na cintura. Agora, elas podem escolher o que vestir. O objetivo da mudança era obter a participação de mais países, além dos europeus, Estados Unidos e Brasil, dominantes no circuito profissional. “A ideia é abri-lo para outras culturas”, disse o assessor de imprensa da Federação Internacional de Vôlei de Praia. “O objetivo é aumentar cada vez mais o número de pessoas que jogam esse esporte”. A medida foi um sucesso. O processo classificatório para Londres contou com a participação de 143 países; o do Rio, com 169.

Exatamente aqui, há 23 anos, o então presidente do Comitê Olímpico Internacional Juan Antonio Samaranch pisou na areia para assistir a vários jogos do campeonato mundial de vôlei de praia. Ao final, aproximou-se dos jornalistas e disse: “Este esporte merece estar nos Jogos Olímpicos. Se não for em Atlanta (1996), que seja em Sidney (2000). Estou impressionado com a qualidade dessa competição”. E assim foi. A modalidade se tornou olímpica em Atlanta, onde os Estados Unidos e o Brasil obtiveram as medalhas de ouro masculina e feminina respectivamente. A Espanha conquistou a sua primeira medalha, de prata, em Atenas (2000).

A dupla egípcia volta à praia mais famosa do mundo nesta terça-feira, para enfrentar a Itália. E, mais uma vez, fará história e desfrutará desse esporte. “Tenho orgulho de carregar a bandeira egípcia neste festival de nações”, disse Elhgobashy depois da derrota.

Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

O multiculturalismo dos Jogos retratado em uma foto - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV