Montini, o Concílio e um papa estrangeiro

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08 Agosto 2016

No aniversário da morte do Bem-aventurado Paulo VI (6 de agosto de 1978), publicamos um discurso dele de 1963, no qual ele fala do Vaticano II, refuta a hipótese sobre a sua eleição ao sólio de Pedro e preconiza aquilo que, depois, efetivamente aconteceria no momento da sua sucessão.

A nota é do sítio da Arquidiocese de Milão, 05-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Este texto de Giovanni Battista Montini é um dos 32 que Giovanni Maria Vian reuniu no livro Un uomo come voi [Um homem como vocês], publicado pela editora Marietti 1820.

Eis o texto.

Eu queria viver com vocês a hora grande, comovida, eu diria misteriosa, que passou sobre a Igreja e sobre o mundo. Vocês fariam bem, nas suas recordações pessoais, se reunissem as emoções desses dias de trepidação da doença mortal do Santo Padre João XXIII (...). Faríamos bem também, sob aspectos superiores, se recordássemos o papa, porque ele teve a inspiração... Ele disse isso, inclusive aqui, não sei quantas vezes, em público e em privado; ele diz, não foi inspiração do Espírito Santo, mas foi algo, um pensamento que se adonou dele: "Um Concílio. Ah, sim! Seria possível fazê-lo!".

E me narrou todas as poucas horas que antecederam esse anúncio, como ele se consultou com dois ou três: um deles foi o falecido cardeal Tardini, que, então, era recentemente cardeal secretário de Estado, fidelíssimo, bravíssimo, consumadíssimo nas coisas da Igreja, mas com um temperamento completamente diferente do papa. E o papa, quase com timidez, lhe disse: "Eu quase pensei..." – trepidava em lhe dizer o seu pensamento – "em convocar um Concílio Ecumênico." E o papa refazia a cena, e eu a posso construir bem, porque conheço bem o cardeal Tardini, até mesmo nas suas, eu diria, posições físicas, que respondeu: "Ah, ah, ah! Um Concílio! Mas bem, Padre Santo, um Concílio. Tudo bem! Tudo bem!".

E foi assim que, encorajado por um sábio e por um especialista – seria preciso conhecer quem era o cardeal Tardini para não apreciar essa adesão repentina à ideia do papa, não é verdade? – que encorajou o papa e, no dia seguinte, anunciou-o na Basílica de São Paulo, como todos sabem, como programa de seu pontificado.

Ora, esse evento é uma das coisas históricas da Igreja e do mundo, uma das maiores. Dar-nos-emos conta disso seguindo em frente, e eu acredito que os nossos pósteros ainda deverão se lembrar dele como um dos momentos característicos. Ali, há uma centelha que acende um incêndio, e o sentiremos.

E é sobre isso, caros alunos, que eu gostaria que a sua meditação parasse, se detivesse. A Igreja certamente entra em uma fase de grande vitalidade, mas também de grande dificuldade, mas também de grande problemática, como dizem agora. Não devemos nos impressionar e não devemos, eu diria, nem mesmo nos divertir com eventuais discussões de alto nível que podem ocorrer na nossa frente. O Senhor guiará as coisas.

Podemos nos consolar com um fato, que é evidente para todos, mas é muito notável: que a Igreja se apresenta sob formas magníficas. Ela nunca foi tão pura, nunca foi tão desejosa de servir ao Senhor, nunca foi tão desinteressada, nunca foi tão destacada dos interesses temporais, das interferências de governos ou de poderes deste mundo. E, embora haja discordância sobre certos pontos de vista práticos, sobre certos estudos ou sobre certas interpretações da verdade da fé, ninguém pode duvidar que existe uma altíssima retidão.

Para mim, o fato de ter passado os dias do Concílio e de ter podido... Repreenderam-me, vocês sabem, porque eu quase nunca falei: falei uma vez no início e uma vez no fim.

Diz-se: "Mas por que você não fala?". Mas porque eu prefiro escutar. E justamente porque me parecia muito interessante, como quando se escutam as pregações durante os exercícios espirituais, esse grande debate de mentes superiores, de bispos muito dignos, pastores zelosos, estudiosos bravíssimos etc., que levam lá a contribuição, eu diria, elaborada e fatigante, de uma expressão deles, de um pensamento deles! Mas é de uma beleza maravilhosa, justamente, maravilhosa. E, portanto, não deveríamos nos maravilhar se essa manifestação da vida da Igreja ainda tiver suas discussões que também poderão repercutir fora, em estudos, em expressões literárias e até, eu diria, em orientações práticas. O importante, justamente diante dessa fase da Igreja, é aquela intenção de entendê-la, de conhecê-la bem. E tentem não se informar com as revistas de atualidade. Não há nada de menos sincero, de menos interessante, eu diria, de menos instrutivo do que essa imprensa que realmente beira o desonesto para dar notícias impressionistas.

Depois, não acreditem naquelas publicações que falam em meu nome, porque vocês seriam até enganados por essa brava gente que tenta adivinhar e fazer prognósticos. Se vocês tivessem que fazer prognósticos, eu saberia bem lhes dizer outras coisas: uma, por exemplo, e terminamos, é que nunca houve tanta probabilidade como nesta hora da Igreja de que o papa não seja italiano. E não seria nada de estranho.

O ecumenismo leva a isso, não é verdade? E, talvez, a hora está madura, porque nos sentimos irmãos com alguém que não é da nossa língua e da nossa nação. Mas será o que Deus quiser. (...)

Eu também deveria acrescentar que o drama da vida eclesiástica se complica, se enriquece. A partir disto: que o mundo está tumultuado, que o mundo está em uma evolução acelerada que, talvez, nunca teve. E a Igreja vai junto, fica atrás, antecipa, fala etc. O diálogo com o mundo torna-se, também aqui, por um lado, confuso e polêmico; por outro, em vez disso, feliz e quase profético, abrindo os caminhos do futuro e da justiça, como foi, por exemplo, a última encíclica do Papa João XXIII sobre a paz.

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