Uma crise profunda abala o Islã. Entrevista com Samir Khalil Samir

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25 Julho 2016

Em maio de 2015, gerou debate o comentário do padre Samir Khalil Samir publicado pela agência Asia News sobre a mensagem do chefe do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, que pedia que todos os muçulmanos "emigrassem" para o califado e implementassem a jihad, a guerra santa, passando, assim, de um estado de paz para um estado de guerra. O padre Samir definiu-o como um modo muito astuto para despertar algo de dorme no pensamento profundo do Islã e para incitar sobretudo o mundo salafita integralista.

A reportagem é de Mario Chiaro, publicada no sítio Settimana News, 20-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Samir nasceu no Cairo (Egito) em 1938 e entrou na ordem dos jesuítas em 1955. Formou-se com uma tese de teologia católica oriental e uma de teologia islâmica. Em 1974, mudou-se para Roma, onde lecionou por 12 anos no Pontifício Instituto Oriental (recentemente o Papa Francisco nomeou-o pró-reitor) e no Pisai (Pontifício Instituto de Estudos Árabes e de Islamística). Em 1986, mudou-se para o Líbano, onde fundou o Cedrac (Centro de Documentação e Pesquisa Árabe Cristão), que reúne a herança literária árabe-cristã no Oriente Médio. Lecionou teologia oriental e islamística na Université Saint-Joseph de Beirute.

Eis a entrevista.

Padre Samir, como o senhor definiria a atual crise do mundo islâmico?

Eu diria que é a crise mais forte das últimas décadas, porque toca vários países (não só islâmicos), porque se apresenta com uma violência inusitada e porque, pela primeira vez, realiza-se o projeto do Daesh (califado autoproclamado em 2014) de ocupar territórios do nordeste da Síria e no Iraque ocidental. Por esses três motivos, pode-se afirmar que o Islã, em vez de se renovar, está afundando.

O que está na raiz desse afundamento sócio-religioso-cultural?

O Islã está preso agora nas garras do literalismo. Na história de todas as religiões, existe um texto sagrado, escrito em um determinado tempo e para uma categoria específica de pessoas. O problema surge quando eu quero interpretar esse texto depois de 1.400 anos. O problema torna-se enorme, além disso, se eu afirmo que o livro sagrado, o Alcorão, desceu (unzila) diretamente do céu, e que Deus, através do arcanjo Gabriel, abriu o peito do profeta, pondo ali o texto. Mas atenção: essa "alucinação" sobre a origem do Alcorão começou a se espalhar desde a Idade Média! De acordo com a história, em vez disso, o Alcorão, no princípio, foi transmitido de forma oral.

No momento do terceiro califa Othman (644-656), cerca de 20 anos depois da morte de Maomé (632), sentiu-se a necessidade de fixar por escrito aquilo que os "memorizadores" (os ḥuffāẓ) transmitiam. O califa teria reunido uma dezena de ótimos memorizadores, pedindo-lhes para pôr por escrito tudo o que tinham memorizado e para assinalar as divergências e as contradições que havia entre eles (nós diríamos, para incluir notas no fim do texto). Assim foi estabelecida a "vulgata" do Alcorão, apesar das críticas de alguns muçulmanos da primeira geração, em particular de Ibn Mas’ūd. Depois dessa primeira etapa, houve uma segunda: o ditado do texto inicial a alguns escribas ou copistas, e finalmente a Zayd Ibn Thābit. A recomendação era produzir cópias idênticas, a serem enviadas às várias cidades do império islâmico.

O texto do Alcorão, portanto, é estável e seguro?

Assim fosse! A maioria dos muçulmanos pensam assim, mas a realidade exposta pelos muçulmanos da primeira geração não é assim por causa da riqueza da língua árabe e da "defeituosidade" da escrita árabe. Leve-se em conta que a língua árabe tem 28 consoantes, mas apenas 14 caracteres alfabéticos que se destacam dos outros 14 com pontos (de 1 a 3) acima ou abaixo do caractere: as possibilidades de leitura de uma palavra são inúmeras e podem chegar a cerca de 20. Eu fiz o teste com alguns estudantes com uma simples palavra, de três consoantes: BaYT (= casa). Sem escrever os pontos, chegamos a mais de 20 palavras possíveis! O motivo é que as cinco consoantes – B T Th N Y – são escritas de modo idêntico. Ora, essa "escrita defeituosa" foi a única até o século VIII.

No século X, muitos manuscritos usavam poucos pontos, e foi preciso esperar até o século XIV para encontrar sistematicamente todos os pontos que distinguem as consoantes umas das outras. Quanto às vogais breves, elas eram (e ainda são hoje) raramente escritas, e as longas nem sempre são escritas. Os atuais especialistas do Alcorão, quando uma frase não apresenta um sentido claro, tentam relê-la modificando os pontos para chegar a uma frase coerente. Por isso, a afirmação de que o Alcorão é a palavra divina, ditada por Deus a Maomé e transmitida por ele literalmente, é um mito, visto que temos variantes e que a tradição islâmica fala das "sete leituras" reconhecidas! Os textos do Alcorão atualmente difundidos não contêm nenhum aparato crítico.

O texto do Evangelho não oferece as mesmas dificuldades?

Nós, cristãos, diríamos que o texto bíblico é "inspirado" por Deus, não que ele foi ditado, nem mesmo que desceu do céu: há uma intervenção humana, e cada época precisa de aprofundamentos. O texto do Evangelho não está ligado a uma determinada cultura ou época: ele nos oferece normas gerais, adaptáveis a cada tempo e cultura. A presença de quatro Evangelhos atribuídos a quatro autores, envolvendo variantes entre si, ou divergências menores, confirma que se trata de autores independentes que relatam a mensagem que cada um deles quer transmitir, permanecendo fiel aos atos e às palavras de Cristo. Não há no Evangelho um código jurídico ou tradições a serem aplicadas tais e quais.

Para o Alcorão, ao contrário, como já foi dito, existem variantes auditivas e variantes escriturísticas: a teoria do texto que desceu do céu não elimina o problema interpretativo. Hoje em dia, os Alcorões impressos no mundo muçulmano não colocam mais as variantes no pé da página ou no fim do volume e, assim, optam por uma única leitura possível. Os textos do Alcorão impressos na Europa foram até considerados falsos, porque já existe uma espécie de imprimatur que está nas mãos da Arábia Saudita.

Um estudioso chamado Christoph Luxenberg (pseudônimo) gerou frisson com um livro publicado em alemão, intitulado: Die syro-aramäische Lesart des Koran: Ein Beitrag zur Entschlüsselung der Koransprache (2000), e traduzido para o inglês com o título: The Syro-Aramaic Reading of the Koran: A Contribution to the Decoding of the Language of the Koran (2007) [1]. O autor selecionou as passagens do Alcorão consideradas como problemáticas e não coerentes e elaborou a seguinte tese: sabemos que existem no Alcorão palavras emprestadas do siríaco (como afirmam grandes estudiosos muçulmanos da Idade Média), e Luxenberg tentou ler as palavras do Alcorão consideradas como duvidosas como se fossem siríaco transcrito para o árabe. Em algumas dezenas de casos, o resultado foi satisfatório, e o texto corânico, mais consistente. A sua teoria provocou muita discussão, suscitando protestos no mundo muçulmano; mas, em muitas passagens, a sua interpretação fornece um sentido certamente mais coerente. Uma influência siríaca aqui e ali parece certa. Algumas pessoas deram um passo a mais, afirmando que a origem do Alcorão era um texto cristão siríaco, reelaborado por Maomé... o que me parece impossível.

Passando para o contexto mais geral, como deve ser lida hoje a "Primavera Árabe"?

A Primavera Árabe foi uma reação positiva, especialmente porque foi liderada por jovens que se rebelaram contra os regimes opressivos. Depois da fase de protesto, porém, os jovens não encontraram alguém que os ajudasse a construir a nova fase posterior.

Os jovens vêm da experiência das ditaduras (de Nasser em diante), embora o Ocidente tenha dado licenças de democracia para novos líderes como Morsi. No Egito, nasceram cerca de 10 partidos juvenis, e, no fim, ficou apenas a Irmandade Muçulmana, que "ganhou" as eleições com 51,7%.

A democracia se expressou um ano depois, no protesto do dia 30 de junho de 2013, com 30 milhões de pessoas que saíram às ruas contra o governo Morsi, um fenômeno nunca visto no Egito até agora.

Nesse primeiro ano de governo, Morsi nomeou nove governadores do partido da Irmandade Muçulmana; ele islamizou a televisão com programas islâmicos e apresentadoras que deviam usar o véu; vetou a Ópera do Cairo, porque as bailarinas mostravam pernas nuas ao público; mudou os currículos escolares para islamizá-los e, sobretudo, criou uma nova Constituição de tendência islamista, dando poderes absolutos ao presidente. Estima-se que 80% da população era contrária ao presidente, incluindo os salafitas. O Exército veio em socorro do povo, e, no dia 3 de julho, o general Abd al-Fattah al-Sissi nomeou o juiz Adli Mansur como presidente provisório.

O caso do assassinato de Giulio Regeni abalou a Itália. Como ele deve ser lido?

O chefe do governo al-Sissi não sabe quem é o direto autor do homicídio do jovem pesquisador, e nos foram contadas três histórias diferentes. A Itália colocou o dedo em um dos pontos fracos dos nossos regimes. O fato de o presidente não ter a capacidade de encontrar os responsáveis significa que já temos poderes entrelaçados de tipo mafioso que operam in loco. Esse contexto mafioso está no Egito, assim como em outros países ocidentais e orientais. Infelizmente, no Egito, assim como em muitos países árabes, o conceito de "direitos humanos" ainda é pouco conhecido. É um dos pontos fracos de todos os regimes que se sucederam à revolução nasseriana (26 de julho de 1952) até hoje.

Como o senhor avalia a escolha da Turquia, que se ofereceu como Estado-tampão entre refugiados sírios e "Fortaleza Europa"?

Posso dizer que o jogo da Turquia sobre os migrantes não parece ser muito limpo. A Turquia compra barato o petróleo dos terroristas do Daesh e recebe três bilhões de euros para filtrar para a Europa os mais de 72 mil refugiados de guerra (incluindo muitos sírios), enquanto milicianos combatentes são autorizados a entrar e se unem aos militares turcos na ação armada contra a minoria curda. A Turquia tem medo dos turcos curdos e ataca os curdos iraquianos e sírios.

A escolha da chanceler Merkel e da União Europeia de facilitar a presença turca na Europa me parece equivocada e não resiste ao impacto da história. Em relação aos refugiados sírios e outros, a sua situação é desastrosa: o governo sírio não é capaz de lhes garantir a segurança. Além disso, os movimentos terroristas (Daesh, al-Qaeda, al-Nusra etc.) são financeiramente apoiados pelos países árabes patrolíferos, especialmente a Arábia Saudita e o Qatar, e recebem armas dos Estados Unidos e da Europa através desses intermediários árabes. Tudo isso a partir daquela que, no início, era uma luta dos países sunitas contra os regimes xiitas (Iraque e Síria, de onde ISIS = "Islamic State of Iraq and Syria").

A Turquia defende o seu território contra os terroristas, fazendo acordos com eles, comprando o petróleo sírio a um bom preço etc. Quem paga o custo são os civis iraquianos e sobretudo sírios, continuamente bombardeados. Daí, encontramos a enorme massa de refugiados. O papa se situa em nível humano, dizendo que não podemos deixar oito milhões de pessoas viverem uma vida impossível e convida a Europa a acolhê-los por motivos humanitários. Naturalmente, o controle deve ser rigoroso, para evitar a infiltração de terroristas no meio deles. Além disso, é indispensável distribuir-lhes no território de cada país, com um período de formação para garantir a possibilidade de se integrarem. A Europa, por muito tempo, renunciou à obrigação da integração cultural dos imigrantes e à educação necessária para esse fim.

Nesse ponto, Pe. Samir, pode nos dizer quem está por trás da sigla ISIS ou Daesh?

Pensa-se que está a Arábia Saudita, com armas provenientes dos Estados Unidos e, em parte, também da Europa, incluindo a Itália, a França (um grande negócio foi o dos aviões Rafale vendidos para o Qatar por 6, 3 bilhões de euros!), a Alemanha, a Rússia.

Certamente, a causa desencadeadora nasceu da Arábia Saudita e do Qatar, com a sua ideologia wahhabita de um Islã impossível de se realizar hoje: o seu modelo é o salaf, a primeira geração muçulmana dos companheiros de Maomé. Enquanto isso, eles vivem com todo o conforto da civilização mais avançada, mas com as ideias da civilização beduína! Como me dizia um médico amigo libanês: "Nós não queremos o Islã beduíno", aludindo ao wahhabismo.

Não por acaso, eles passam as férias nos palácios da Europa ou no Líbano. A Arábia Saudita raramente vai à guerra, mas tenta difundir a sua concepção salafita radical do Islã em todo o mundo islâmico. Ela pode fazer isso graças aos bilhões de dólares do petróleo. Essa concepção, por si só, não significa guerra, mas a ideologia subjacente facilmente pode levar a atos terroristas, porque há uma visão fanática inerente ao wahhabismo, que se apresenta como o único autêntico Islã. E o terrorismo religioso é consequência do fanatismo religioso.

Por que motivo a Arábia Saudita faria isso?

O motivo é o conflito latente desde sempre entre sunitas e xiitas, que são representados pelo Irã, país 98% xiita. Além disso, o Irã apoiou o Hezbollah (milícia xiita libanesa), que apoia eficazmente a Síria de Assad (alauita, ramo do xiismo). Também é preciso dizer que a guerra do Daesh, na origem, era uma guerra antixiita. Não por acaso, o Daesh pretende recriar o califado na Síria e no Iraque, que são governados por grupos que se remetem ao xiismo: a minoria alauita em Damasco e os xiitas (a maioria da população) em Bagdá.

Tensões e confrontos entre as duas comunidades já estão difundidos no Líbano, Índia, Paquistão, onde quer que haja comunidades xiitas. E os bombardeios no Iêmen, por parte da coalizão liderada pela Arábia Saudita, são explicados porque os houthis são xiitas. Hoje, se é verdade que os xiitas representam cerca de 12% dos muçulmanos, a sua presença é mais significativa no Oriente Médio: 98% no Irã, 75% no Bahrein, 54% no Iraque, 35% no Iêmen, 30% no Líbano, 27% nos Emirados, 25% no Kuwait, 20% no Qatar, 15% na Síria, 12% na Turquia, 10% na Arábia Saudita.

Por esse motivo, o ódio contra eles aumentou por parte dos sunitas fundamentalistas. Por outro lado, em todo o mundo islâmico, a Arábia Saudita amplia a sua hegemonia com ajudas econômicas, com a construção de mesquitas e com o envio de imãs wahhabitas. O fundamentalismo – tão próximo da ideologia do Daesh – também emerge em países antigamente tolerantes: Egito, Indonésia, Malásia, Bangladesh. É urgente, portanto, uma reforma do Islã, como pedido pelo presidente al-Sisi nos seus discursos de dezembro de 2014 e janeiro de 2015, para salvar o Islã da crise mais profunda dos últimos dois séculos. Sunitas e xiitas lutam para ter influência no mundo islâmico e para definir quem deve dialogar com o Ocidente.

O acordo sobre a questão nuclear iraniana, feito pelas grandes potências com o Teerã, deixa o campo livre para o Irã. E a Arábia Saudita – contrária ao acordo até o fim – ainda hoje se opõe a ele, assim como Israel, embora por motivos diferentes. Lembremos que a divisão entre sunitas e xiitas remonta à morte de Maomé, em 632, quando foi preciso decidir o seu sucessor (Abū Bakr ou ‘Alī) e se reforçou nas guerras entre eles, concluindo-se na batalha de Karbala, em outubro de 680, com a morte atroz de al-Hussain (filho de Ali e neto de Maomé) e dos seus companheiros.

Na visão religiosa ideológica de muitos sauditas, os xiitas, que representam menos de 15% do Islã, são considerados kuffār (plural de kāfir), ou seja, descrentes. O takfīr (ou seja, o ato de declarar alguém como kāfir) se difundiu muito nos últimos 40 anos. Ora, os kuffār, para os islamistas radicais (mas não para todos os muçulmanos), devem ser mortos. A montante de todos os problemas políticos e econômicos que levam ao choque entre as duas potências regionais (Arábia Saudita e Irã), há um braço de ferro entre dois modos de viver o Islã: o mais tolerante e racional do xiismo (com exceção do khomeinismo) e o fundamentalista do sunismo wahhabita.

Sunitas e xiitas não têm a mesma visão da vida e da religião e, por isso, se confrontam. Com o wahhabismo, o dogma sunita está se impondo por toda a parte. No Paquistão, por exemplo, as leis sobre a blasfêmia que levaram à condenação à morte de Asia Bibi e a morte de tantas pessoas são de inspiração tipicamente saudita. Em todas as regiões sunitas – menos alguns países como o Egito – está se difundindo esse fundamentalismo, esse literalismo que rejeita o uso da razão na leitura do Alcorão.

Que conselho o senhor poderia enviar ao Papa Francisco e também aos cristãos envolvidos nesse choque tão brutal no Oriente Próximo?

Trata-se de uma questão muito delicada. Vou tentar. Ao Santo Padre Francisco, eu não daria um conselho, mas diria simplesmente como eu vejo o seu papel de pai dos cristãos em relação aos muçulmanos, e que sugestão o Santo Padre poderia oferecer aos nossos irmãos muçulmanos e ao mundo inteiro, em vista de uma tentativa de paz universal.

Na situação atual, o mundo muçulmano está passando por uma grande crise. Como o mundo sunita não tem uma autoridade reconhecida, que possa dar uma orientação a todos os sunitas, encontramo-nos diante de atitudes diferentes, às vezes opostas. Alguns promovem um Islã duro, radical e combativo; outros, um Islã aberto e respeitoso das escolhas de cada um. Hoje em dia, a religião e a fé não podem ser impostas. Elas devem que escolhidas pessoalmente. Devemos aceitar que há escolhas e orientações diferentes. Podem ser sugeridos os caminhos que seriam preferíveis, mas não impostos.

Além disso, em cada religião, existem princípios fundamentais válidos para todos os tempos e culturas, e aplicações que podem ser diferentes de acordo com a época, o lugar e a cultura. Os princípios fundamentais são comuns a todos; as aplicações, não. Seria desejável que os responsáveis pelas religiões monoteístas se reencontrassem para tentar definir os princípios fundamentais, comuns a todos os crentes no Deus único, para propô-los como base de entendimento e de convivência de todos os crentes.

Ou, melhor, talvez, em uma segunda etapa, seria desejável reencontrar-se com representantes de tendências éticas não religiosas, para tentar definir princípios fundamentais válidos para todos, em vista de um novo "humanismo", em que o objetivo seria sempre uma convivência universal, fundada em uma visão comum da pessoa humana. Diante da multiplicação dos conflitos no mundo e das tragédias que deles resultam para milhões de pessoas inocentes, seria necessário um comitê internacional, representante das várias potências do mundo, incluindo as potências espirituais, para estabelecer regras para evitar as guerras, evitar os conflitos e promover a paz.

Por fim, dada a desproporção existente hoje no mundo entre países ricos (ou riquíssimos) e países pobres e subdesenvolvidos, e dadas as consequências decorrentes dessa situação para milhões de pessoas (e famílias) e para as nações desenvolvidas, um comitê representativo desses países subdesenvolvidos e desenvolvidos poderia reduzir essa discrepância e seria útil para as várias categorias de países. Em suma, pessoalmente, eu veria um papel importante que o Papa Francisco poderia ter nesta etapa da história do mundo, com a sua abertura a todos, simplicidade de vida e afeto universal por toda a família humana.

Nota:

1. http://www.aramaic-dem.org/English/History/Christoph%20Luxenberg.pdf

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