Internet das coisas: objetos conectados à internet podem trazer inclusão digital?

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14 Julho 2016

O 17º Fórum Internacional do Software Livre (FISL) começou, nesta quarta-feira (13), em Porto Alegre, debatendo a internet das coisas. Termo pouco conhecido para o público que está de fora das discussões sobre tecnologia, esse tipo de avanço faz com que qualquer objeto que tenha a possibilidade de portar um chip possa funcionar conectado à internet. Mas, para especialistas presentes no evento, essa discussão tem que ser feita com foco na democratização da internet e da informação, possibilitando que mais pessoas tenham acesso a mais tecnologias, e não que elas se tornem restritas a uma pequena elite.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 13-07-2016.

As discussões sobre software livre e internet das coisas estão conectadas porque “não é possível pensar a internet das coisas na sua complexidade sem plataformas abertas de softwares livres”, segundo o coordenador da Associação do Software Livre e organizador do Fórum, Sady Jacques. Com essa revolução tecnológica, qualquer aparelho e objeto que possa portar um chip poderia, a partir dele e do diálogo com a web, vir a ter interatividade e troca de informações. “O principal problema que existe nisso é que essa gestão das coisas inclui nesse momento as pessoas. E isso está sendo pensado como uma grande oportunidade de mercado pelas empresas de tecnologia, e não como um serviço de valor agregado para aumentar a inclusão da população aos serviços de internet”, menciona.

A internet das coisas, também chamada de IoT (a sigla para o nome em inglês, ‘internet of things’) já é considerada a “próxima onda” em termos tecnológicos, segundo Sady. “Já tem uma boa discussão sobre isso, e se fala inclusive em investimentos muito grandes, especialmente lá fora, que certamente também vão repercutir aqui no Brasil. Mas ninguém menciona que toda essa hiperconectividade só serve a quem já está conectado. Numa realidade, como a do Brasil, em que pouco mais de 10% da população tem acesso pleno à internet, significa deixar fora grande parte”, aponta ele.

A curto e médio prazo, todos os outros estão alheios a esse fenômeno. Por isso que, conforme explica Sady, o FISL busca trazer essa discussão, ao questionar “internet das coisas ou das pessoas?” e o papel do software livre como tema principal. “Pegar isso e discutir com os profissionais que são capazes de produzir a internet das coisas significa plantar uma semente que pode chegar lá dentro de cada indústria e empresa de tecnologia e motivar, para que todos esses simpatizantes do software livre compreendam que o próprio software livre só existe porque existe um debate sobre o conhecimento livre”, explica o organizador, considerando esse um elemento fundamental para o desenvolvimento tecnológico.

A interconectividade dos objetos deve existir em prol de benefícios à qualidade de vida da população e melhorando a eficiência das cidades, conforme afirma Desiree Santos, consultora de software na ThoughtWorks Brasil, militante do movimento de open hardware e uma das principais convidadas do FISL. “Internet das coisas é realidade, hoje já se encontra produtos, mas ainda não está popularizado no seu real potencial. Ainda falta maturidade de segurança, privacidade, infraestrutura, que são pontos que freiam a possibilidade de acontecer”, acrescenta.

Desiree também menciona, porém, que atualmente o público é muito limitado, devido ao alto preço dos produtos com essa tecnologia. “Infelizmente ainda é para o público da classe A, são objetos muito caros, não é acessível para todo mundo, não se encontra em supermercado, por exemplo. Ainda tem que amadurecer muita coisa em volta, como novas tecnologias, proporcionando um custo mais acessível dos componentes, mas também políticas em conjunto com o governo, maior informação e acesso à população”, defende ela.

Uma das poucas mulheres negras que estão entre as palestrantes do evento, Desiree menciona que em geral a discussão sobre esse tipo de tecnologia está muito limitada também a um público específico em termos de raça e gênero. “Ainda não está do jeito que eu, como mulher negra, espero, ainda não me sinto representada olhando e participando das palestras. Mas essa é uma forma que eu tenho de militar, estar palestrando, mostrando uma referência e falando que é possível sim, empoderando, dando voz pras mulheres e ainda mais pras negras. Confio que isso vai mudar”, afirma.

Para o FISL, o Centro de Eventos da PUC-RS recebe dezenas de estandes relacionados a tecnologias, reunindo um público de diversas idades. A programação do FISL se estende até sábado (16) e conta com cerca de 500 horas de atividades e mais de 400 palestras e debates relacionados às ‎Tecnologias Livres.

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