Os comentários do Cardeal Sarah sobre a missa encorajam a fazer o que o Direito Canônico permite

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11 Julho 2016

Os comentários recentes feitos por uma autoridade do alto escalão do Vaticano levantaram dúvidas quanto à direção espacial que os sacerdotes deveriam adotar ao celebrar a missa.

A reportagem é de Colleen Dulle, publicada por Catholic News Service, 07-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pediu aos padres e bispos, no congresso Sacra Liturgia nesta terça-feira em Londres, para que comecem a celebrar missas ad orientem, ou de costas para a congregação, a partir do primeiro domingo do Advento deste ano.

“Queridos padres, peço-lhes para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo”, disse Sarah.

“Queridos padres, devemos ouvir novamente o lamento de Deus proclamado pelo profeta Jeremias: ‘Eles voltaram suas costas para mim!’. Voltemo-nos novamente para o Senhor!”

Vários especialistas litúrgicos disseram que o cardeal não tem autoridade para impor uma mudança, mas que está apenas incentivando uma prática que a legislação litúrgica já autoriza.

“Eu acho que ele está simplesmente incentivando a se fazer algo como qualquer um pode fazer, mas por causa de seu cargo este encorajamento tem um peso maior. De forma alguma ele não alterando a legislação; o cardeal está apenas expressando sua opinião, a de que que, para ele, tal prática ajudaria as pessoas a rezarem melhor”, disse o Pe. Andrew Menke, diretor do escritório para o culto divino da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, ao Catholic News Service nesta quarta-feira.

Menke também falou que a sugestão de Sarah não iria anular as decisões do Concílio Vaticano II, mas amenizaria algumas das mudanças litúrgicas que se seguiram ao Concílio.

“Algumas pessoas têm a opinião, o Cardeal Sarah, aparentemente, sendo uma delas, de que aqueles que levaram a cabo o que mandou fazer o Sacrosanctum Concilium (Constituição sobre a Sagrada Liturgia) foram longe demais e fizeram coisas que os Padres Conciliares nunca imaginaram. Desse modo, parece que ele está começando a falar sobre propor algumas mudanças para amenizar um pouco algumas das alterações feitas”, Menke explicou.

Menke afirmou que, com novas edições do Missal Romano sendo publicadas, a legislação litúrgica deverá sofrer alterações. Ele duvida, porém, que algo aconteça no tocante à direção que os sacerdotes devem se postar durante a missa, exceto, talvez, que possa haver um incentivo maior para a orientação ad orientem em futuras edições do missal.

Outros especialistas concordaram, dizendo que nem os bispos nem o Cardeal Sarah têm o direito de forçar os padres a celebrarem a missa “voltados para o Oriente” até que haja uma mudança oficial no missal, documento oficial de legislação litúrgica.

O padre jesuíta Bruce Morrill, professor de Estudos Católicos da Universidade Vanderbilt, no Tennessee, disse o dicastério do cardeal poderia emitir uma diretiva obrigando a postura ad orientem sem, contudo, alterar todo o missal.

A diretiva, segundo ele, exigiria a aprovação do Vaticano e seria lançado como uma declaração oficial por parte da Congregação para o Culto Divino.

“Isso o que foi feito não é oficial; ele estava falando em um evento anual de um grupo conservador errático (...). Tais diretivas não ocorrem em discursos e entrevistas”, como os que foram feitos (ou entrevistas que foram concedidas) pelo Cardeal Sarah, disse Morrill.

A Irmã Sharon Euart, da Divina Misericórdia, ex-coordenadora executiva da Associação de Direito Canônico da América (Canon Law Society of America), disse que o tema é complicado porque as regras litúrgicas podem variar de diocese para diocese, com o bispo tendo podendo fazer algumas provisões para padres em casos diferentes.

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