“Em Bangladesh o Islã dos filhos traiu o dos pais”. Entrevista com Greñas Rozario

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Por: André | 08 Julho 2016

Ele prega a misericórdia, mas também convida a intervir com decisão no sistema de educação, sobretudo em relação ao ponto fundamental das escolas corânicas, que incubam o ódio religioso nas mentes dos jovens. Greñas Rozario, bispo de Rajshahi, ainda está abalado pelo massacre de Dacca, de 1º de julho, quando um comando de sete jovens terroristas de entre 20 e 22 anos de idade assassinou 20 reféns.

Nesta entrevista ao Vatican Insider, Rozario explica o “hiato” geracional na sociedade do país: “O Islã destes jovens traiu o dos pais”.

A entrevista é de Paolo Affatato e publicada por Vatican Insider, 07-07-2016. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como vocês reagiram a deste ato terrorista?

Em primeiro lugar, agarrando-nos à fé. Como católicos (somos 400 mil pessoas, ou seja, 0,2% de uma população de 160 milhões), condenamos a violência inaudita e a barbárie desumana do terrorismo que despreza as vidas humanas. Justamente neste ano santo, convidamos a todos a se deixarem tocar e transformar por valores como a misericórdia e o perdão, que são os traços autênticos de um ser humano. Como cidadãos bengalis, participamos plenamente do luto em que o país está mergulhado e rezamos pelas almas das vítimas e por suas famílias, expressando profunda solidariedade. Mas, com a certeza de que as trevas não prevalecerão.

Como continuará sua missão em Bangladesh?

A pequena Igreja bengali celebrou santas missas e continuará a rezar por nossa nação, atacada no coração, participando espiritualmente deste sofrimento e oferecendo a Deus este trágico momento. Como católicos bengalis, nosso trabalho prossegue pelo bem da nação mediante o apostolado social, as escolas, os hospitais, a Caritas. Nossa missão segue beneficiando, sem nenhuma discriminação, os cidadãos de todas as classes sociais, religiões, etnias e culturas, sobretudo os mais pobres e marginalizados. E, em um país de grande maioria islâmica, ocupamo-nos principalmente de cuidar e assistir cidadãos muçulmanos.

Como é possível que jovens de boas famílias se convertam em assassinos impiedosos?

Creio que por trás da radicalização destes jovens há um fracasso da família. Os pais não se ocupam suficientemente dos filhos: dão-lhes apenas dinheiro e uma vida cômoda sem preocupar-se com sua formação, com suas ideias, com sua mentalidade. Expuseram-nos à propaganda ideológica que lhes permitiu converter-se em “heróis” ou “ganhar o Paraíso” matando. Por outro lado, na comunidade islâmica existe um claro abismo geracional. O Islã dos jovens trai o dos pais: os adolescentes, cegados pela propaganda jihadista do Estado Islâmico ou da Al-Qaeda, desprezam a visão dos muçulmanos sufi (abertamente tolerante, acolhedora e mística) que respiraram, viveram e lhes ensinaram seus pais.

Como se deu esta mudança?

Mediante a colonização ideológica, cujas consequências vemos agora. Nos últimos anos, surgiram milhares de escolas corânicas gratuitas, as madrassas, que propagaram um Islã duro e intolerante, que contrasta com a visão que se difundiu desde o século XIII no Golfo de Bengala, influenciada pelas correntes da mística muçulmana sufi, mas também de crenças e tradições hinduístas e budistas. Nestas madrassas faz-se uma verdadeira lavagem cerebral e formam-se os jovens com ideais radicais. Este é verdadeiramente um problema nacional, que o governo deve enfrentar, monitorando e reformando o sistema de educação.

Esta é uma prioridade?

Na minha opinião, a questão das madrassas é um ponto decisivo. Existem dois tipos: as madrassas reconhecidas e vigiadas pelo Estado, e as privadas, que não recebem recursos públicos e são independentes. Muitas delas, financiadas pela Arábia Saudita, difundem uma interpretação restritiva do Islã. E depois existe toda uma galáxia, sobre a qual não existem registros, de escolas em casas, em pequenas mesquitas e em bairros periféricos. Por isto é tão difícil extirpar o extremismo. Vigiando o sistema da educação é possível derrotar o terrorismo, que aumentou nos últimos anos.

O que diria aos líderes muçulmanos de seu país?

Muitos líderes condenaram a violência e deixaram claro que isso não faz parte do Islã. Mas as palavras não são suficientes: é preciso fazer muito mais no país e é preciso fazê-lo juntos. Todas as forças saudáveis, todas as comunidades religiosas, devem unir-se, começando pelas instituições, para instaurar novamente os valores da paz e da tolerância na agenda política e derrotar juntos a ameaça terrorista. A comunidade islâmica pode ter a grande responsabilidade e o papel de dirigir este renascimento.

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