Caso Luiza Brunet mostra que violência contra a mulher não escolhe classe social

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • “A Terra é um presente para descobrir que somos amados. É preciso pedir perdão à Terra”, escreve o Papa Francisco

    LER MAIS
  • Piketty: a ‘reforma agrária’ do século XXI

    LER MAIS
  • Sínodo, o único sacerdote indígena: “Eu deixaria o sacerdócio se entendesse que o celibato não serve mais para mim”

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: Cesar Sanson | 04 Julho 2016

A modelo e atriz Luiza Brunet, 54, tornou público nesta sexta-feira um episódio de agressão que sofreu há um mês pelo então marido, o empresário bilionário Lirio Parisotto, 62. Ela afirmou ao jornal O Globo que levou um soco e diversos chutes durante uma viagem que fizeram a Nova York. A agressão, segundo Luiza, ocorreu no apartamento do empresário na noite do dia 21 de maio resultou em quatro costelas quebradas. No dia seguinte, a modelo disse que pegou um avião e voltou para o Brasil, onde realizou o exame de corpo de delito e uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo.

A reportagem é de Marina Rossi e publicada por El País, 01-07-2016.

Ao jornal O Globo, Luiza explicou que a vergonha foi a principal razão do seu silêncio por mais de um mês. “É doloroso aos 54 anos ter que me expor dessa maneira. Mas eu criei coragem, perdi o medo e a vergonha por causa da situação que nós, mulheres, vivemos no Brasil”, disse. “É um desrespeito em relação à gente. O que mais nos inibe é a vergonha. Há mulheres com necessidade de ficar ao lado do agressor por questões econômicas, porque está acostumada ou mesmo por achar que a relação vai melhorar”.

A voz de Luiza Brunet, mais de um mês após sofrer a agressão, ecoou, batendo de frente com a ideia pré-concebida de que a violência doméstica só acontece na periferia, ou nas margens da sociedade. O agressor em questão é um empresário famoso e invejado pela sua fortuna, que atua em diversos ramos, dentre eles o de petróleo e da comunicação. É dono de uma patrimônio de mais de 2 bilhões de reais e figura na 28º posição entre as pessoas mais ricas do Brasil, segundo a lista da Forbes do ano passado. Agora, responderá por uma ação criminal baseada na Lei Maria da Penha, segundo afirmou o advogado de Luiza ao portal G1. O processo está em segredo de Justiça.

Segundo o relato da atriz, Parisotto se exaltou durante um jantar. Eles foram para casa na sequência, onde ele a golpeou com um soco no rosto, a imobilizou no chão e deu vários chutes. Ela disse que se trancou no quarto, de onde só saiu no dia seguinte, para voltar ao Brasil.

Por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, Lirio Parisotto disse que lamenta "que versões distorcidas sobre um episódio ocorrido na intimidade estejam sendo divulgadas como única expressão da verdade. Embora compreenda a natural repercussão do caso pelas pessoas envolvidas, tenho a convicção de que, no momento e nas esferas legais apropriadas, todas as circunstâncias serão plenamente esclarecidas”. Ele não quis dar entrevista.

A amigos, no entanto, ele tem enviado mensagens dizendo que "nunca levantou a mão contra homem, muito menos contra mulher. Quando a agressão vem do outro lado e você tem força suficiente se imobiliza. Alguém com quatro costelas quebradas viaja no mesmo dia (domingo) e na segunda e terça está nos estúdios da Globo testando roupa para participação em novela... que mentira!"

Antes de tornar sua história pública, Luiza usou sua conta no Instagram para desabafar, ainda que nas entrelinhas. “Bom dia! Esta é a clássica foto sofrida por muitas mulheres no Brasil. Não tenha medo de fazer denúncia 180 #delegaciadamulher #procuradoriageraldesaopaulo. Esta é a campanha que vou abraçar! Ajudar mulheres a perder o medo #falesemmedo esta pode ser a sua foto, pode ser a minha foto”, publicou no início do mês, junto de uma imagem de uma mulher com um olho roxo.

Depois da publicação, ela ainda postou outras imagens que incentivavam a denúncia de agressões contra as mulheres, até que, nesta sexta, resolveu falar publicamente sobre o que passou. Luiza é embaixadora do Instituto Avon, que realiza campanhas contra a violência doméstica. Contrariando um ditado, a palavra - e não o silêncio - de Luiza Brunet podem valer ouro: a denúncia feita por alguém como ela pode ser capaz de incentivar outras mulheres a prestarem queixa. Há quatro anos, quando a apresentadora Xuxa falou publicamente sobre um episódio de abuso sexual sofrido na adolescência, as queixas por meio do Disk Denúncia aumentaram em 30% no dia seguinte.

De acordo com o Mapa da Violência de 2015: homicídio de mulheres no Brasil, o parceiro ou ex-parceiro é o principal autor da agressão sofrida por mulheres adultas. Em mais de 70% dos casos, a violência ocorre dentro de casa. Luiza Brunet faz parte agora dessa estatística. Mas sua voz pode ter o poder de conscientizar as mulheres a respeito da importância das denúncias. "Homens não batem em homens. Não deixe de registrar queixa na delegacia da mulher!" Escreveu ela, em outro post no Instagram.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Caso Luiza Brunet mostra que violência contra a mulher não escolhe classe social - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV