Não há paz entre os ortodoxos

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28 Junho 2016

Uma dia "oriental", nesse domingo, para as Igrejas, em parte luminoso, em parte bastante conturbado: o Papa Francisco concluiu, em uma apoteose de multidão, a sua visita de três dias à Armênia, enquanto, em Creta, o Concílio ortodoxo terminou a sua semana de trabalhos, mas, entre as Igrejas autocéfalas convocadas, apenas 10 estavam presentes, enquanto quatro – incluindo a russa, à qual pertence 60% dos 200 milhões de ortodoxos espalhados pelo mundo – estava ausente.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 27-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em Yerevan, Bergoglio entusiasmou a multidão, porque, mais uma vez, não hesitou em definir como "genocídio" o massacre de um milhão e meio de armênios, organizado nos anos 1915-1916 no Império Otomano.

A Turquia, que nasceu depois do colapso do sultanato, negou à época e, hoje, nega essa tese, razão pela qual as autoridades de Ancara viram com grande incômodo as palavras papais.

Mesmo sob o aspecto eclesial, a cordialidade dos encontros entre o pontífice e Karekin II "Catholicos", isto é, patriarca supremo de todos os armênios – foi grande, embora não houve consequências concretas da superação, há 20 anos, de alguns contrastes teológicos decisivos entre armênios e latinos, que remontam ao Concílio de Calcedônia, em 451.

Muito mais articulado é o panorama intraortodoxoo que dominou o Concílio realizado em Creta e que terminou nesse domingo. Desde o cisma recíproco entre Roma e Constantinopla, em 1054, a Ortodoxia havia celebrado diversos concílios, mas com a presença de apenas algumas Igrejas e, portanto, nunca "pan-ortodoxo".

Por fim, em 1961, tinha sido iniciada a preparação de um Concílio "pan-ortodoxo", que, em 2014, tinha chegado à reta final. Na época, os patriarcas das 14 Igrejas autocéfalas – entre eles, o de Constantinopla, Bartolomeu I, é o "primus inter pares" – tinham decidido que a assembleia seria realizada em Istambul, em 2016. Dadas as péssimas relações entre Turquia e Rússia, depois que, em novembro passado, a aviação de Ancara tinha derrubado um caça russo, os patriarcas haviam mudado o lugar do Concílio de Istambul para Creta, na Grécia.

Em janeiro passado, tudo tinha sido estabelecido nos mínimos detalhes. Mas, no início deste mês, os Patriarcados de Antioquia (Damasco), Bulgária e Geórgia tinham cancelado a sua participação. No dia 13 de junho, o Patriarcado de Moscou também disse "niet" – não à participação. Uma ausência muito pesada, que lançou uma sombra sobre as deliberações conciliares de Creta (que dizem respeito a temas pastorais e à relação da Ortodoxia com as Igrejas não ortodoxas e diante da modernidade: em ambos os casos, com perspectivas defensivas e fechadas).

De fato, embora Bartolomeu, nesse domingo, no fim de uma solene liturgia de três horas, tenha exaltado o evento do Concílio "pan-ortodoxo", será preciso ver que "definição" dará a Igreja russa de uma assembleia da qual ela, com ou sem razão, ficou ausente.

Uma sombra que pesa sobre toda a Ortodoxia e corre o risco de desencadear ardentes polêmicas teológicas e, consequentemente, geopolíticas. Não há paz entre as Igrejas.

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