Eleições na Espanha. Rajoy, fortalecido com a estratégia do medo

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Por: Jonas | 28 Junho 2016

À noite, a festa foi na Rua Génova, na sede do Partido Popular (PP) de Madri. Foi aí onde houve fogos e a agitação de centenas de bandeiras espanholas para homenagear o único partido que conseguiu, nestas segundas eleições, aumentar o número de deputados. A estratégia do medo funcionou para Mariano Rajoy e o imobilismo convenceu 32,93% dos espanhóis que, neste domingo, depositaram o seu voto nas urnas. Com 137 cadeiras, os conservadores obtêm 14 parlamentares a mais que nas eleições de 20 de dezembro e reforçam sua posição diante das negociações que, de qualquer modo, serão reiniciadas, já que ninguém conquistou maioria absoluta.

A reportagem é de Flor Ragucci, publicada por Página/12, 27-06-2016. A tradução é do Cepat.

A Rua Ferraz também festejou. A sede do Partido Socialista (PSOE) na capital recebeu com alívio a notícia de que a tão anunciada ultrapassagem de Unidos Podemos pela esquerda não ocorreu e que o segundo lugar no pódio segue sendo seu. Apesar de ter perdido cinco deputados em relação às eleições de dezembro e de não ter vencido em nível provincial em nenhuma região, Pedro Sánchez se libertou de sua maior ameaça: o avanço do grupo de Pablo Iglesias. Com 85 cadeiras, sua posição no mapa político é ainda central para que a Espanha defina seu Executivo.

Onde não houve fogos, nem alegria, foi na sede de Unidos Podemos, os grandes decepcionados desta segunda rodada eleitoral. Contra todos os prognósticos que colocavam a coalizão de esquerda à frente do PSOE, em um movimento que se prognosticava histórico, a união entre Podemos e Esquerda Unida não funcionou e os deixou pior posicionados do que quando seguiam separados, já que juntos obtiveram o mesmo número de cadeiras – 71 deputados – que então e Podemos perdeu um milhão de eleitores.

Tampouco Cidadãos teve muito o que festejar. A formação de Albert Rivera foi a única que caiu em relação às eleições de dezembro e, com 8 cadeiras a menos, já não dispõe da “chave” para formar governo, da qual se orgulhava há seis meses. Agora, seus 32 deputados não são suficientes para determinar quem será o novo presidente e Mariano Rajoy pode continuar tranquilo como candidato do PP, sem nenhum temor das ameaças de Rivera em não apoiar seu partido, caso ele estiver à frente.

O Partido Popular conquistou o “voto útil” contra o “extremismo” de esquerda e foi o que mobilizou 69,84% da população nas eleições com a menor participação da história da Espanha. O fracasso das negociações, durante os últimos seis meses, e o entrincheiramento da prometida mudança em estéreis discussões voltaram a distanciar os cidadãos da política. Muitos dos espanhóis que, em dezembro, votaram iludidos, neste domingo de sol, preferiram ficar em casa ou ir à praia. Não foi o caso, no entanto, dos partidários do PP que fiéis, independente da corrupção e do escândalo de conspiração que atingiu seu ministro do Interior ao final da campanha, reforçaram seu apoio a Rajoy, inclusive, com maior ímpeto que nas eleições prévias, diante do temor que a esquerda pudesse mexer no tabuleiro político.

À noite, milhares deles estiveram sob a sacada na qual Rajoy pronunciou seu discurso de vitória, junto com sua esposa, o chefe de campanha – a quem se atribui boa parte do triunfo nestas segundas eleições –, Jorge Moragas, a vice-presidente e as duas máximas dirigentes de seu partido, Cristina Cifuentes e María Dolores de Cospedal. “Farei o discurso mais difícil de minha vida e isso que alguns perderam”, anunciou, emocionado, o candidato do PP ao ir até a sacada. “Reivindicamos o direito de governar justamente porque vencemos. Agora, trata-se de ser útil a 100% do povo espanhol, aos que votaram ou não em nós, estamos à disposição de todos”, declarou Rajoy, anunciando que, “a partir desta segunda-feira, começará a falar com todo mundo”.

Sánchez não esperou o dia seguinte para parabenizar Rajoy por sua inegável vitória, mas, sobretudo, não deixou passar nenhum segundo, após se conhecer o resultado, para desafrontar quem, realmente, foi seu grande adversário nestas eleições: Pablo Iglesias. “Espero que o senhor Iglesias reflita sobre estes resultados: teve a oportunidade de votar em um governo progressista e colocar fim ao governo de Rajoy, mas sua intransigência provocou a melhora nos resultados da direita”, proferiu Sánchez, assim que subiu ao palanque. “Este é o grande PSOE, de referência para a esquerda e milhões de espanhóis (...) Os cidadãos derrotaram o cansaço e as previsões formuladas nas últimas semanas. São donos de seu próprio destino”, ressaltou o líder dos socialistas, em referência a todas as pesquisas que vaticinavam a superação de Unidos Podemos. “Apesar das dificuldades extraordinárias e augúrios que prognosticavam um forte descenso e a perda de pujança, o PSOE voltou a reafirmar sua condição de partido hegemônico na esquerda espanhola”, disse Sánchez e as centenas de pessoas que o escutavam na Rua Ferraz, de Madri, aplaudiram eufóricas.

Exatamente pelos mesmos motivos que na sede do PSOE havia festa, na de Unidos Podemos havia caras compridas e uma tristeza que ninguém tentou disfarçar. Os líderes da aliança de esquerda não esconderam sua frustração por não ter conquistado os objetivos que se marcaram ante a repetição eleitoral. “Tínhamos algumas expectativas diferentes”, afirmou Pablo Iglesias em uma comparecencia às onze da noite cercado de todo sua equipe. “O que fizemos em dois anos é histórico mas esperávamos resultados diferentes. Isto nos surpreendeu a todos”, confessou o líder de Podemos, visivelmente afetado. Iglesias, isso sim, não deixou passar minuto e afirmou que já lhe havia mandado uma mensagem a seu homólogo do PSOE, Sánchez: “Seria sensato que o primeiro fosse dialogar e trabalhar a partir do que nos une”, declarou, ao mesmo tempo que se reconheceu preocupado “porque o PP e o bloco conservador tenha aumentado seus apoios e que a repetição eleitoral deixe mais perto um governo conservador”.

O eixo Partido PopularCidadãos, com efeito, saiu reforçado nestas eleições. Embora Rivera tenha perdido peso em relação aos resultados de dezembro e, com 8 deputados a menos, já não esteja em condições de forçar um pacto bilateral, continua gozando de uma posição estratégica graças à ascensão do PP, nesta segunda eleição. Desgastado pela união de Podemos e Esquerda Unida e pelas mensagens do PP convidando para concentrar o voto moderado, a formação de Rivera perdeu quase 400.000 eleitores, mas, de qualquer modo, se em dezembro PP e Cidadãos somavam 163 cadeiras, agora, sua combinação de 169 fica somente a sete da maioria absoluta.

“Se não houver mudanças, estaremos na oposição”, manifestou Rivera após se conhecer os resultados, em alusão a sua categórica negativa em oferecer apoio ao PP, caso Rajoy continue à frente. “Digo ao PP e ao PSOE que caso estejam dispostos a se sentar em torno de uma mesa, a partir de amanhã, para formar Governo, Cidadãos está nessa mesa”, acrescentou. “Há mais de três milhões de espanhóis que disseram que o centro existe e vem para ficar”, concluiu o candidato, diante de seus seguidores, em Madri.

Agora, a bola volta a estar no campo do PSOE. Caberá a Pedro Sánchez decidir, como já ocorreu após as eleições de dezembro, se gira à direita e possibilita um novo governo de Rajoy, se gira à esquerda e tenta um pacto com Unidos Podemos – para o qual voltará a precisar do apoio dos independentes – ou se reedita seu acordo com Cidadãos e se coloca, novamente, na missão – quase impossível – de um governo transversal, que reúna Rivera e Iglesias.

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