Valor movimentado por crimes ambientais sobe 26% em 2015, para até US$258 bi, diz PNUMA

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13 Junho 2016

Os crimes ambientais movimentaram uma estimativa de 92 bilhões a 258 bilhões de dólares em 2015, alta de 26% em relação à estimativa de 70 bilhões a 213 bilhões de dólares de 2014, de acordo com relatório publicado no sábado (4) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Interpol.

A reportagem foi publicada por ONU Brasil, 09-06-2016.

O relatório “Aumento dos Crimes Ambientais”, lançado na ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, concluiu que legislações fracas e forças de segurança subfinanciadas estão permitindo que redes criminosas internacionais e rebeldes armados lucrem com um comércio que impulsiona conflitos, devasta ecossistemas e ameaça espécies de extinção.

“A Interpol e o PNUMA uniram forças para levantar a atenção do mundo para a escala dos crimes ambientais. Os vastos montantes de dinheiro gerados nesses crimes mantêm sofisticadas gangues criminosas internacionais no negócio, e impulsionam a insegurança no mundo”, disse o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner.

“O resultado não é apenas devastador para o meio ambiente e comunidades locais, como para todos aqueles que são ameaçados por empreitadas criminosas. O mundo precisa se unir agora para tomar iniciativas nacionais e internacionais para acabar com o crime ambiental.”

O crime ambiental supera o comércio ilegal de armas de pequeno porte, avaliado em cerca de 3 bilhões de dólares. É o quarto maior negócio criminoso do mundo, depois de tráfico de drogas, falsificação e tráfico de seres humanos. A quantidade de dinheiro perdido devido a crimes contra o meio ambiente é 10 mil vezes maior que a quantidade de dinheiro gasto por agências internacionais na luta contra esse crime — apenas de 20 milhões a 30 milhões de dólares.

O secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock, disse que o “crime ambiental está crescendo em um ritmo alarmante”. “A complexidade desse tipo de criminalidade requer uma resposta multissetorial com colaboração entre as fronteiras. Por meio de suas capacidades de policiamento global, a Interpol está comprometida em trabalhar com seus países-membros para combater as redes ativas de crime ambiental organizado”.

O relatório recomenda fortes ações, legislação e sanções nos níveis nacionais e internacionais, incluindo medidas com o objetivo de combater paraísos fiscais; um aumento do apoio financeiro compatível com a séria ameaça que o crime ambiental representa para o desenvolvimento sustentável; e incentivos econômicos e meios de subsistência alternativos para aqueles que se encontram na parte inferior da cadeia do crime ambiental.

Na última década, o crime ambiental subiu cerca de 5% a 7% por ano. Isso significa que esse crime — que inclui comércio ilegal de espécies, crimes corporativos no setor florestal, exploração e venda ilegal de ouro e outros minérios, pesca ilegal, tráfico de lixo tóxico e fraude no crédito de carbono — está crescendo de duas a três vezes mais rápido que a economia global.

Para combater o comércio ilegal de espécies, o Sistema da ONU e parceiros lançaram a campanha “Wild For Live”, que recebeu apoio de celebridades como Gisele Bündchen, Yaya Touré e Neymar Jr. para mobilizar milhões a agir contra a caça ilegal e o tráfico ilegal de produtos silvestres.

O relatório do PNUMA também analisou a forma como o dinheiro gerado a partir da exploração ilegal de recursos naturais financia grupos rebeldes, redes terroristas e cartéis criminosos internacionais. Na última década, por exemplo, caçadores mataram uma média de 3 mil elefantes por ano na Tanzânia, o equivalente a 10,5 milhões de dólares em marfim por ano, cinco vezes mais que todo o orçamento da divisão de vida selvagem do país.

O relatório afirmou ainda que organizações criminosas transnacionais estão usando o crime ambiental para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Mineração ilegal na Colômbia, por exemplo, é agora considerada um dos jeitos mais fáceis de lavar dinheiro do tráfico de drogas.

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