Francisco, o papa que gosta do país da laicidade

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18 Mai 2016

Guillaume Goubert, diretor do jornal católico La Croix que, junto com Sébastien Maillard, correspondente em Roma, fez uma entrevista com o Papa Francisco, no Vaticano, afirma: "É a primeira vez que o papa fala por tanto tempo sobre a França", diz. E hoje, na mídia francesa, foram inúmeras as reações às palavras pronunciadas pelo papa sobre pedofilia e laicidade.

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada pelo Servizio Informazione Religiosa (SIR), 17-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas "o papa – diz Goubert – desfruta de grande credibilidade" e, se um dia fosse para a França, "certamente seria muito bem acolhido".

Ele se apresentou sozinho com alguns minutos de antecedência em um salão no piso térreo da Casa Santa Marta. Respondeu às perguntas em italiano, mas entende bem e fala um pouco de francês, que estudou na Alliance Française de Buenos Aires.

Releu o texto da entrevista, anotando nas margens das páginas impressas: concordo, concordo. Guillaume Goubert, diretor do jornal católico La Croix, conta os bastidores da entrevista que, com Sébastien Maillard, correspondente em Roma, foi feita com o Papa Francisco no Vaticano. No fim, uma impressão final:

"Não há diferença entre o papa que aparece em público e como ele é em privado. Pudemos falar com simplicidade, dialogar com ele livremente, pedindo-lhe para explicar melhor uma resposta. Ele cria um clima relaxado, gosta de brincar, é caloroso."

Eis a entrevista.

Que reações a entrevista teve na França?

Houve muitas reações na França sobre o cardeal Barbarin [o arcebispo de Lyon envolvido em um duplo caso de pedofilia por omissão de denúncia], sobre a laicidade e também sobre o fato de que, se uma mulher muçulmana quer vestir o véu, ela deve poder fazer isso. É a primeira vez que o papa falou por tanto tempo sobre a França e disse coisas graves, mas também amigáveis, como quando admite sentir fascínio por tantos pensadores franceses ou quando disse que a Igreja na França tem uma grande capacidade criativa.

Ele também disse que o Estado deve ser laico, mas a França exagerou. O país custa para encontrar o equilíbrio certo?

É uma história antiga: a lei sobre a separação entre Estado e religiões remonta a 1905. Até hoje, sempre houve tensão entre uma concepção laicista da laicidade – a laicidade "exagerada", como o papa a chamou – e uma concepção mais liberal da laicidade, que afirma que o Estado é laico, mas as religiões são livres para existir na sociedade. Sempre houve na nossa história um conflito entre esses dois polos. E o papa encorajou a França a ter uma concepção mais suave da laicidade.

O que vocês acharam do convite de Hollande ao papa?

O papa foi esperto. Porque recebeu há poucos dias um convite do presidente Hollande, que não era público e foi entregue em Roma pelo ministro da Educação, Najat Vallaud-Belkacemin, por ocasião do Prêmio Carlos Magno. Para Hollande, é importante que o papa vá para a França antes das eleições, porque houve muitos problemas com o mundo católico a propósito das uniões homossexuais, mas o papa respondeu que não aceitará o convite antes das eleições.

O papa sempre se revela como um grande diplomata.

Sim, mas à sua maneira.

Sobre o cardeal Barbarin, o papa disse que seria uma "imprudência" pedir a sua renúncia. Que reações houve?

Houve reações especialmente por parte das vítimas, que se disseram decepcionadas com o fato de o papa não ter pedido que o cardeal Barbarin renunciasse. É um ponto muito sensível.

A França se encontra novamente acertando as contas com a pedofilia dentro da Igreja.

Nos anos 2001-2003, houve um escândalo em uma diocese da Normandia. O bispo foi julgado e condenado por não ter denunciado um caso. A Conferência Episcopal Francesa decidiu, assim, levar adiante um dispositivo muito preciso para enfrentar esses casos. Essa é a razão pela qual a França conseguiu se preservar e se proteger dos escândalos de pedofilia. Mas o problema é que havia escândalos passados que não tinham sido tratados como se devia. Casos que remontam há mais de 20 anos, e a palavra das vítimas hoje é muito forte.

Como a França vê o Papa Francisco?

O papa é muito popular na França. E é popular tanto entre os católicos, que, mesmo assim, são mais reservados em relação a ele, quanto entre os não católicos. A opinião pública e a mídia são muito favoráveis a esse papa. Especialmente quando ele fala de migrantes, de Islã... Ele pode dizer muitas coisas sem levantar polêmicas ou escândalos. Desde ontem, estou concedendo muitas entrevistas aos meios de comunicação franceses, manifestando uma curiosidade. Portanto, pode haver algumas perplexidades em relação a alguma declaração sua, mas, ao mesmo tempo, o papa desfruta de grande credibilidade. Desde o dia da sua eleição, Francisco tem uma boa imagem em um país laico, que sempre olhou com suspeita para o clericalismo.

E se ele fosse amanhã para a França, como seria acolhido?

Muito bem, certamente.

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