Na noite de 9 de dezembro de 1968, as últimas palavras de Karl Barth

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13 Mai 2016

"A Igreja não retorna ao cristianismo primitivo, mas à realidade nova, que na verdade é atestada em primeiro lugar, de forma direta e normativa, para todos os tempos, nos seus documentos originários. Paulo não anunciou a si mesmo, mas o Cristo crucificado e ressuscitado, e assim fez também Pedro e João, do seu jeito, assim fizeram os evangelistas (sinóticos). Ele, este homem, é a realidade antiga que é também aquela nova. Ele vem ao encontro (à Igreja) e a Igreja vai em direção a Ele, mas como Aquele que era. À ele ela se dirige em sua conversão".

O artigo foi publicado por L'Osservatore Romano, 09-05-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Eis o artigo.

Converter-se significa, na Igreja, como também em outros lugares, voltar-se para trás, na direção de onde se veio, para depois avançar, ir ao encontro do novo, dirigir-se para a meta. Converter-se significa ir ao encontro do que já aconteceu no início: porque só em direção desta realidade, a mais antiga, a partida para o novo, para o futuro, pode ser um caminho certo. Uma das notas fundamentais que atravessam o Antigo Testamento soa inequivocamente: "Interroga, pois, os tempos passados, que te precederam, (...) Alguma vez um povo ouviu a voz de Deus falando do meio do fogo, como ouviste (...) ou um Deus que tenha vindo para tomar para si uma nação no meio de outra nação (...) com tudo o que o Senhor Deus realizou, no Egito, em teu favor, diante dos teus olhos? "(Dt 4 , 32-34).

Ou "parai sobre os vossos caminhos e vede, perguntai sobre os caminhos do passado, onde está o caminho da salvação; caminhai nele, então encontrareis a paz para vossas vidas "(Jr 6, 16).

Mas como se interpreta tal movimento comum para trás da Igreja como conversão justa, genuína, é algo que deve ser ponderado com cuidado.

Ele tem constantemente a realidade antiga, para a qual se converte, exatamente como aquela nova, em direção à qual está prestes a partir. Pelo fato de ser também aquela nova, bem se distinguirá de alguma coisa de velho que, para partir, deixa às suas costas. Não será (isso vale para nós, cristãos evangélicos), digamos, idêntica à teologia e à devoção liberal do século XIX, de onde viemos, e nem mesmo (o que vale para nós desde o ano de 1517) com a Reforma do século XVI e suas derivações nos séculos XVII e XVIII. E não poderá ser (isso se aplica a vocês, caros petrinos, irmãos cristãos) idêntica, por exemplo, ao modo do Concílio de Trento ou do Vaticano I, ou ao que junto de vocês se chamava, 150 anos atrás, com uma expressão um pouco romântica, de filosofia e de teologia da época pré-moderna (Vorzeit): quer dizer, da escolástica medieval, dos Padres da Igreja e, em qualquer caso dos primeiros séculos cristãos. "Ouçamos um pouco" os tempos antigos ...", é uma bela canção, mas não é um canto eclesial, não é para nós, nem para vocês. Pelo contrário, tanto aqui, como lá, o antigo, ao qual a Igreja retorna, envolvida numa conversão justa e genuína, conta somente na medida em que, com ela e abaixo dela, de ambos os lados, torna-se evento aquilo que ao mesmo tempo é novo, para a qual ela está dirigida desde o início. Isto vale - vejam bem - mesmo para o chamado cristianismo primitivo, cujo perfil torna-se visível para nós no Novo Testamento, como já muito velho, antigo. A Igreja não retorna ao cristianismo primitivo, mas à realidade nova, que na verdade é atestada em primeiro lugar, de forma direta e normativa, para todos os tempos, nos seus documentos originários. Paulo não anunciou a si mesmo, mas o Cristo crucificado e ressuscitado, e assim fez também Pedro e João, do seu jeito, assim fizeram os evangelistas (sinóticos). Ele, este homem, é a realidade antiga que é também aquela nova. Ele vem ao encontro (à Igreja) e a Igreja vai em direção a Ele, mas como Aquele que era. À ele ela se dirige em sua conversão.

Ora, não se deve reprimir nem mesmo o outro aspecto: a conversão da Igreja, a realizar-se no e com o colocar-se em caminho, sendo este um arranque em direção à sua origem, é sempre um ato de respeito e gratidão em relação à realidade antiga, da qual resultou - como o melhor – daquela fonte. Não porque é antigo, não em direção a tudo o que é antigo, mas porque é no antigo que, se analisado com exatidão, se anuncia já o novo, no qual, se tratado com diligência, é possível descobrí-lo. Antes de Israel houve seus patriarcas: Abraão, que de fato apenas na fé saiu de sua casa e do círculo de amigos, para entrar na terra que Deus quis mostrar, e mostrou-lhe, Isaac e Jacó, e os ancestrais da liga de tribos transplantada gradualmente naquela terra. E esta mesma terra prometida a Israel, e a ele dada, não era, na verdade, de acordo com a tradição, outra terra do que aquela em que os pais já tinham lutado, pecado, sofrido e onde tinham erigido, aqui e ali, altares ao Senhor. Na Igreja envolvida na conversão é valida a asserção: "Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos" (Mt 22,32), "Todos vivemos por Ele" (cf. At 17,25) - dos apóstolos até os Padres do passado recente e remoto. Eles têm não só o direito, (mas também a atualidade) de serem ouvidos também hoje - não acriticamente, não com submissão mecânica -, mas escutados atentamente. A Igreja não seria Igreja, em ato de conversão, se ela, orgulhosa e tranquilamente ciente do próprio kairos, cada vez de novo, não quisesse ouvir, ou se o fizesse apenas ocasionalmente, só de modo insolente e desleixado, ou se, por quanto ela devesse aprender deles, privasse de sentido o que aqueles queriam dizer-lhe...

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