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12 Maio 2016

Argentina, Brasil, Venezuela e também Equador, México, Bolívia. Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, olha com preocupação para as tensões que emergem cada vez mais fortes no seu subcontinente.

A reportagem é da agência AskaNews, 11-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Jorge Mario Bergoglio está consciente de ser o pontífice de toda a Igreja, e não mais o arcebispo de Buenos Aires. Ele relançou a presença diplomática da Santa Sé, com atenção particular para o leste, do Oriente Médio martirizado até a Ucrânia, aonde ele enviará no fim do mês o seu cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, à China e à Rússia, parceiros privilegiados da Igreja Católica do futuro.

Mas Francisco também está atento ao que acontece na região do globo de onde ele provém, e não só por motivos biográficos. Na América Latina, vive a maioria dos católicos. Lá, a Guerra Fria registrou alguns dos episódios mais violentos, entre ascensão de ditaduras, repressão no sangue, resistências às vezes desesperadas, às vezes vitoriosas.

Lá, nas décadas do recente passado, uma nova classe dominante, entre populismo e reformismo, reergueu a economia, envolveu as camadas mais pobres da população, reencontrou um orgulho hispânico para todo o subcontinente.

E lá continua havendo problemas epocais, do narcotráfico ao desemprego, da pobreza à fragilidade institucional. Para o papa que, a partir da cátedra de Pedro, em Roma, elevou-se a voz dos últimos do globo, trata-se de uma região do mundo que não deve ser ignorada. Ainda mais com a aceleração dos últimos meses.

Se o Equador está lidando com um pesado terremoto ("Não nos esqueçam", é o apelo lançado há poucos dias pelo arcebispo de Portoviejo, Dom Lorenzo Voltolini), e, na Bolívia, o presidente Evo Morales, recebido recentemente pelo papa, enfrenta uma situação política incerta (hostilizado, dentre outros, pelos bispos locais), são os gigantes da América Latina que mais preocupam o papa.

Francisco dirigiu-se ao México recentemente. Tocou as áreas mais problemáticas do país, do sul indígena às periferias entre as garras dos narcotraficantes no norte selado pelos EUA para evitar a entrada dos migrantes sul-americanos.

Ele acariciou as autoridades políticas e os bispos, recebendo em troca uma acolhida fria, mas entusiasmada por parte da população. Na Venezuela, a situação política se agrava a cada semana que passa. O presidente Nicolás Maduro e a oposição estão em desacordo. Francisco escreveu uma carta para Maduro, para defender um maior diálogo. O núncio, Aldo Giordano, está disponível para uma mediação, e o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, tendo sido núncio em Caracas, enviará ao país, no dia 24 de maio,  Dom Paul Richard Gallagher, "ministro" das Relações Exteriores da Santa Sé.

O Vaticano, enquanto isso, é um vai e vem de diplomatas, cronistas, mediadores. Situação ainda mais grave no Brasil, onde a presidente Dilma Rousseff, que foi várias vezes a Roma para prestar homenagem ao Papa Francisco, corre o risco do impeachment.

O papa, obviamente, não se mistura na política brasileira. Mas um amigo seu, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, recentemente fez uma visita a Dilma, garantindo-lhe o envolvimento do pontífice. Este, depois, recebeu privadamente nessa terça-feira a atriz Letícia Sabatella e a juíza Kenarik Boujikian, ambas convencidas de que está em curso um "golpe de Estado parlamentar".

E hoje, de improviso, o papa dirigiu, no fim da audiência na Praça de São Pedro, um pensamento particular ao Brasil, "para que o país, nestes momentos de dificuldades, prossiga nos caminhos da harmonia e da paz, com a ajuda da oração e do diálogo".

Na sua Argentina, a situação está aparentemente mais calma. Mas a mudança de governo representado pela sucessão de Mauricio Macri no lugar de Cristina Kirchner, contam, é olhado com desconfiança pelo papa. Este não tinha uma boa relação com Cristina, ao menos quando era arcebispo de Buenos Aires, mas se diz que ele não vê com tranquilidade as políticas liberais do novo inquilino da Casa Rosada.

A Argentina voltou a se aproximar dos mercados financeiros internacionais, sim, mas às custas de notáveis sacrifícios dos direitos sociais. O observatório sobre o desconforto social e a pobreza, que faz parte da Universidade Católica de Buenos Aires, dirigida pelo arcebispo Víctor Manuel Fernández, homem muito próximo do papa, acaba de apresentar os resultados de uma pesquisa sobre a evolução do tráfico de drogas no país, enfatizando como ela aumentou de 30% das famílias em 2010 para 45% em 2014.

Nessa quarta-feira, além disso, os bispos argentinos entregaram a Macri um extenso documento em vista das celebrações do Bicentenário da Independência. "Já se sabe que não será um diagnóstico desencarnado em relação à situação nacional", antecipou Alver Metalli no seu site Terre d'America. "Ele vai enunciar uma série de premissas extraídas da Doutrina Social da Igreja como contribuição para a construção de um país melhor. Mas não irá evitar os problemas de fundo sobre o modelo de desenvolvimento e os primeiros resultados."

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