Amoris laetitia: o discernimento busca a pérola preciosa. Artigo de Giacomo Costa

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06 Maio 2016

O papel da consciência não pode se limitar ao reconhecimento de estar no erro ou no pecado: ela também pode "descobrir com certa segurança moral que essa é a doação que o próprio Deus está pedindo no meio da complexidade concreta dos limites, embora não seja ainda plenamente o ideal objetivo" (AL 303).

A reflexão é do jesuíta Giacomo Costa, presidente da Fundação Cultural San Fedele e diretor da revista Aggiornamenti Sociali. O editorial foi publicado no número 5/2016 da mesma revista. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A alegria do Evangelho que o Papa Francisco propõe oferece à Igreja e aos fiéis como critério de discernimento não é a despreocupação do adolescente que passa a tarde apegado a um videogame, porque um colega lhe passou as tarefas, evitando-lhe o esforço de fazê-los por conta própria.

Em vez disso, é aquele sentimento de plenitude e de realização que vem da consciência de ter dado tudo, de ter executado um trecho musical no máximo das próprias possibilidades, embora isso tenha envolvido anos de esforços para continuar se exercitando.

É essa alegria que permite que a liberdade renuncie àquilo que é menos importante para alcançar o que mais importa. É a experiência, autenticamente evangélica, do "comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola" (Mateus 13, 45-46).

Quem não conhece essa liberdade que é, ao mesmo tempo, renúncia e plenitude terá dificuldades para compreender a Amoris laetitia; mas, por outro lado, é difícil que a vida familiar não contenha ao menos algum traço dessa experiência, que será tarefa da pastoral ajudar a fazer emergir e a amadurecer.

Todo esse processo de discernimento na chave de alegria é outro modo de afirmar a centralidade da consciência: não é uma voz castradora, como faziam crer os mestres da suspeita, mas o lugar em que, como lembra o n. 222, ressoa a voz de Deus. Isso dá razão da insistência sobre a beleza da proposta de um caminho de amor, de matrimônio e de família que se enraíza em uma perspectiva de fé, mas que, ao mesmo tempo, se revela profundamente humanizante. É essa a chave que "abre a porta a uma pastoral positiva, acolhedora, que torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho".

O guia do discernimento, assim, não pode ser senão o '' amor misericordioso" (n. 312), e a consciência das pessoas, acima de tudo, é o lugar apropriado em que ele se desenvolve, à qual "nos custa deixar espaço" (n. 37) e que, em vez disso, "deve ser mais bem incorporada na práxis da Igreja" (n. 303): os fiéis "muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas" (n. 37).

Na perspectiva que delineamos, o papel da consciência não pode se limitar ao reconhecimento de estar no erro ou no pecado: ela também pode "descobrir com certa segurança moral que essa é a doação que o próprio Deus está pedindo no meio da complexidade concreta dos limites, embora não seja ainda plenamente o ideal objetivo" (n. 303).

A "aposta" do Papa Francisco é que esse caminho de discernimento, pessoal e eclesial, saberá produzir os recursos com os quais se poderá "continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais" (n. 2). Será a prática que vai mudar a teoria e, sobretudo, que vai descobrir o modo adequado de formulá-la e apresentá-la: "Não se deve jogar sobre duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimônio como sinal implica 'um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus'" (n. 122).

Justamente como a Laudato si' no n. 244, a Amoris laetitia também conclui com um convite a se pôr a caminho. Ele se dirige à Igreja, às comunidades cristãs individuais, a todas as famílias e a todos os fiéis, em qualquer situação de vida que se encontrem. É a vocação original de Abraão e Sara, que transformou a sua história de casal, em muitos aspectos, já no fim da linha, em bênção para todas as famílias e as gerações, não sem uma série de viradas e reviravoltas, e uma certa dose de ambiguidade e contradições.

Como eles, ao longo desse caminho, também nós somos sustentados pela certeza de que "aquilo que nos é prometido é sempre mais" (n. 325). A tensão ao cumprimento escatológico dessa promessa abre o espaço dos percursos de crescimento e de desenvolvimento da nossa humanidade e das nossas famílias, e, ao mesmo tempo, torna magnânimo o nosso olhar.

É difícil encontrar palavras melhores para dizer isso do que as usadas pelo Papa Francisco, ainda no n. 325: "Contemplar a plenitude que ainda não alcançamos permite-nos também relativizar o percurso histórico que estamos fazendo como família, para deixar de pretender das relações interpessoais uma perfeição, uma pureza de intenções e uma coerência que só poderemos encontrar no Reino definitivo. Além disso, impede-nos de julgar com dureza aqueles que vivem em condições de grande fragilidade. Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver nesse estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar!".

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