Müller: “Não é possível a relação sexual dos divorciados em uma nova união civil”

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Por: Jonas | 06 Mai 2016

O cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, partiu, ontem, para o concreto, ou seja, às relações sexuais, lícitas ou não, de uma pessoa divorciada civilmente – e sem nulidade canônica de seu prévio matrimônio cristão - e que voltou a se unir com outra pessoa como parceiro ou em matrimônio civil. “Para receber a comunhão na eucaristia, essas pessoas devem abandonar a nova união ou viver com a outra pessoa como se fossem irmãos”, isto é, sem tais relações.

A reportagem é de J. Morán, publicada por La Nueva España, 05-05-2016. A tradução é do Cepat.

Esta parcela dos divorciados em segunda união concentrou grande parte da atenção dos católicos que leram o último documento do Papa Francisco, “Amoris Laetitia”, que ontem Müller avaliou na Conferência que ofereceu no Seminário de Oviedo, diante do grande público que lotou a sala de eventos.

O cardeal falou – em um castelhano basicamente compreensível -, do futuro da família, um dos assuntos que aborda no livro-entrevista “Informe sobre a esperança”, da Biblioteca de Autores Cristãos (BAC). Assim, sustentou que “as águas da pós-modernidade líquida” provocam “relações líquidas” no matrimônio, cuja definição católica é a de “um só homem com uma só mulher e com Jesus presente em seu amor”. O cardeal assumiu os três caminhos que Francisco propõe para curar as feridas matrimoniais: “Acompanhar, discernir, integrar”. “Acompanhar a fragilidade porque as pessoas em pecado mortal”, o caso dessas segundas uniões, “não estão excluídas da Igreja, feita de homens que caem e se levantam, como descrevia Santo Agostinho”.

E “discernimento e integração” para que essas pessoas “mudem sua vida, porque ninguém pode querer o sacramento da Eucaristia, sem que deseje que sua vida mude”. Ao mesmo tempo, Müller afirmou que “Francisco não introduziu nenhuma modificação na disciplina dos sacramentos”, ainda que, “sim, deseje levar os náufragos a um barco, como o de Noé, mas sem deixar entrar o mal que desintegraria a arca”, ou seja, “sua arquitetura teológica e dogmática”.

Antes da conferência, durante uma coletiva de imprensa, e à pergunta de La Nueva España sobre a confusão de muitos católicos pelo choque entre a orientação pastoral do Papa e a sua, vigilante do dogma católico, Müller destacou que “sabemos que Bento XVI e João Paulo II e outros papas enfatizaram a substância da fé, também com um tom pastoral, mas o nosso Papa Francisco vem de um mundo de experiências diversas”, que não coincide com a “formação acadêmica a qual estamos acostumados, há séculos, em nossa Europa”. No entanto, “o Papa quer se aproximar das pessoas que estão distantes da Igreja” e, nesse marco, ocorre “a tensão entre ser fiel à substância de nossa fé e, por outro lado, a aproximação do diálogo com os que estão fora da Igreja ou em situações irregulares”. Em tudo isso, “não é fácil manter o equilíbrio, mas temos que buscar uma síntese, em favor dos homens, entre a dimensão dogmática e a pastoral”.

Müller também defendeu que “preciso fazer minha tarefa, que é promover e tutelar a fé, mas meu livro não é uma correção ao Papa, ainda que eu não seja uma cópia de Francisco, que tem alguns servis aplaudidores”. E, em especial, Müller recordou que “a indissolubilidade do matrimônio não é uma simples lei canônica, mas que está enraizada na palavra de Jesus Cristo”. A respeito do fato de uma juíza argentina ter requerido da Igreja informação sobre os crimes franquistas, Müller evocou “os crimes contra leigos, sacerdotes e bispos”, no início da guerra civil, mas acrescentou que “me parece muito melhor que na Espanha haja uma reconciliação de todas as partes, e que não se utilize a história para criar novas tensões e agitações. A Igreja faz chamamentos à reconciliação, e não para renovar a velhas feridas”.

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