É sobre o papel das mulheres que estamos perdendo a batalha cultural contra o Islã radical. Artigo de Lucetta Scaraffia

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15 Abril 2016

Às mulheres muçulmanas, as mulheres ocidentais não oferecem apenas um paraíso de liberdade e de direitos, mas também um sutil, mas persistente, desprezo pela especificidade feminina, uma penalização de tudo o que não se homologa ao masculino, que se tornou o modelo dominante.

A opinião é da historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade La Sapienza de Roma. O artigo foi publicado no sítio L'HuffingtonPost.it, 12-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Não há dúvida: o choque com o Islã radical não é jogado apenas no campo político, muito menos somente no religioso, mas também no plano da cultura cotidiana, dos modelos de vida que se contrapõem. E, como todos os meios de comunicação nesse período estão enfatizando, essa contraposição diz respeito principalmente ao papel das mulheres.

Polêmicas recentes, quase sempre apenas centradas no aspecto, no modo de se apresentar na sociedade – com ou sem véu, vestidas com "modéstia" ou despidas como a moda quer – mais do que na posição social real das mulheres. Vimos explosões de ira contra aqueles estilistas que, para garantir um pedaço de mercado a mais, começaram a produzir linhas de roupas atraentes para as culturas árabes mais tradicionais, como se fosse sobre isso que realmente se jogasse a liberdade da mulher.

Em substância, de acordo com a mídia ocidental, a proposta vencedora seria a de se aliar com as mulheres oprimidas pela cultura islâmica e libertá-las do véu, invertendo, assim, o poder fundamentalista.

Tornam isso um pouco fácil demais: esquecem-se que, por exemplo, durante as guerras anticoloniais, as mulheres tunisianas e argelinas, que não vestiam mais o véu há décadas, colocaram-no de volta por sua própria iniciativa, para defender a sua cultura original.

Esquecem-se que, muitas vezes, não são imposições paternas, mas são as jovens mulheres de origem islâmica emigradas que decidem pelo véu, optando por romper a tradição de "liberdade" de mães e, talvez, até de avós.

E que essas jovens, talvez, prefiram um fundamentalista que as tranca em casa a um jovem "moderno", ou até mesmo elas mesmas partem para o fronte de guerra do Daesh.

Farhad Kossrokhawar, estudioso iraniano que há anos estuda na França a emigração islâmica, falou da atração pelo fundamentalismo como de um novo 1968.

Em um mundo desprovido de ideais, de impulsos românticos, de esperanças, os jovens reencontram no Islã radical uma utopia, valores aparentemente fortes e uma boa dose de exotismo. Segundo ele, a partida para o fronte sírio, para muitos, é uma experiência semelhante à que, nos anos 1970, para os hippies, era a viagem para a Índia. Incluindo a revolução sexual: as mulheres reencontram proibições, pudor, regras rígidas que, no fundo, dão valor e mistério para o ato sexual, que se tornou, entre nós, quase uma ginástica agradável e pouco mais do que isso.

Por outro lado, as jovens de origem islâmica ou que vivem em países islâmicos olham para o Ocidente, com um misto de desejo e de inquietação. Aquelas que vemos se refletir nos olhos de Malala, a jovem paquistanesa que lutou e arriscou a própria vida para estudar e, portanto, luta pelo acesso das mulheres ao estudo e à emancipação, mas que não renuncia ao véu e a um modo de se apresentar modesto. Embora ela viva agora na Inglaterra, ela não optou pela minissaia, considerando-a a solução de todos os males, como escrevem muitos jornalistas – homens – ocidentais, que não entendem que muitas mulheres islâmicas que lutam por uma maior autonomia e liberdade, no fundo, não têm nenhuma intenção de se tornar como nós.

Preocupam-nas, de fato, muitos aspectos da nossa sociedade, como o desprezo pela maternidade, a desagregação das identidades sexuais, a mercantilização do corpo feminino nas publicidades e na pornografia desenfreada, o crescimento contínuo da prostituição.

Mulheres que sabem que as jovens forçadas a se prostituir nas periferias pertencem às mesmas etnias dos jovens imigrantes que incomodaram as jovens na noite de Ano Novo em Colônia...

Um curto-circuito inquietante que deveria nos fazer refletir, assim como o excessivo recurso ao aborto, à barriga de aluguel, à compra e venda de ovócitos, que demonstram um desprezo crescente em relação ao corpo feminino e às relações humanas.

Às mulheres muçulmanas, nós não oferecemos apenas um paraíso de liberdade e de direitos, mas também um sutil, mas persistente, desprezo pela especificidade feminina, uma penalização de tudo o que não se homologa ao masculino, que se tornou o modelo dominante.

Será que estamos realmente convencidos, assim, de que podemos vencer a batalha no pleno cultural?

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