Uma boa notícia no combate à pedofilia na Igreja, a contratação de Teresa Kettlekamp

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04 Abril 2016

Sejamos sinceros: o Papa Francisco pode ser um sucesso em inúmeras áreas, mas na visão de muitos sobreviventes dos abusos sexuais clericais e da maioria de seus defensores, o seu histórico até agora deixa a desejar.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 01-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nesse sentido, a notícia de que a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores contratou Teresa Kettlekamp para ajudar nos esforços antiabusos é, certamente, uma boa notícia.

Kettlekamp, ex-diretora executiva da Secretaria para a Proteção da Infância e Juventude, um dos departamentos da Conferência Episcopal dos EUA, falou com o Crux na quinta-feira (31-03-2016), marcando a sua primeira entrevista desde que assumiu o seu novo cargo no Vaticano.

Qualquer um que conheça a situação da Igreja Católica com respeito a casos de abusos sexuais no mundo percebe duas coisas:

• Primeiro, independentemente de seus pontos fracos, a Igreja Católica nos Estados Unidos adotou políticas mais duras do que a maioria dos demais países, e tem investido maiores recursos no desenvolvimento de programas de prevenção e detecção de abusos.

• Segundo, Kettelkamp é claramente uma reformadora na questão dos abusos sexuais, ex-coronel da polícia de Illinois e sem tolerância para com quem desrespeita a lei ou que não segue os procedimentos estabelecidos.

O fato de Kettelkamp ter sido contratada pelo Vaticano é, pois, um outro sinal de que os reformadores estão em ascensão em Roma, enquanto outros estão de saída.

Essa contratação vem em um momento em que a resposta do papa à situação dos casos de abusos sexuais cometidos pelo clero está sob forte crítica. Embora haja exemplos em contrário, o sentimento geral que se tem é de dúvida sobre se o combate aos casos de pedofilia na Igreja é, realmente, uma prioridade para o pontífice.

Antes de tudo, Francisco continua a ser alvo de críticas por sua nomeação, em 2015, de Dom Juan de la Cruz Barros à Diocese de Osorno, no Chile, apesar de sua reputação de ser amigo do padre pedófilo mais notório do país, Fernando Karadima.

O primeiro ano desde a instalação de Barros completou-se em 21 de março, e uma das vítimas de Karadima, Juan Carlos Cruz, queixou-se publicamente de que “a Igreja não escuta o povo”, acrescentando que o Papa Francisco “é uma tristeza porque ele não se importa com o que aconteceu em Osorno”.

Em um outro front, um dos dois sobreviventes nomeados para a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, o inglês Peter Saunders, recebeu recentemente uma licença involuntária pelos demais membros por sua crítica aberta ao Papa Francisco.

Há também o fato de que em, pelo menos, duas outras ocasiões, Francisco perdeu algumas oportunidades claras de se encontrar com sobreviventes e ouvir as suas histórias.

Uma veio quando o pontífice viajou ao México, onde os escândalos de pedofilia em torno do fundador da ordem Legião de Cristo, o falecido padre Marcial Maciel Degollado, ainda constituem um triste fato nacional, e o outro veio no fim de março, quando um grupo de sobreviventes australianos viajou a Roma para ouvir o Cardeal George Pell depor via videoconferência diante de uma Comissão Real da Austrália que investiga a resposta institucional da Igreja a casos de abuso.

Nesse último caso, o Vaticano deu a explicação aparentemente infundada de que “nenhum pedido oficial” para um encontro com o papa foi feito, muito embora dos sobreviventes haviam dito publicamente que gostariam de se encontrar com o pontífice, tendo o próprio Pell sabendo deste desejo.

Nesse contexto, o fato de que o Vaticano contratou Kettlekamp – leiga americana, com credenciais sólidas para as reformas – irá, provavelmente, surpreender muita gente como sendo um sinal de que a esperança por um progresso nesse front, sob o olhar de Francisco, pode vir.

“E tenho um gosto pelo trabalho junto às crianças, em mantê-las seguras”, disse ela, “e se puder usar este dom para ajudar a deixá-las seguras em lugares onde elas se sentem inseguras, com certeza eu darei a minha contribuição”.

É claro que o verdadeiro teste vai ser o impacto que a sua presença terá daqui para frente, o que só o tempo poder dizer. Neste momento, entretanto, esta é provavelmente a melhor notícia que Francisco e sua equipe trouxe na luta antiabuso sexual clerical.

Para completar, os católicos americanos poderão também gostar mais ainda desta notícia por um outro motivo.

Com a partida de Dom Peter Wells, que era a terceira principal autoridade da Secretaria de Estado vaticana e uma referência em Roma para os americanos, os EUA tiveram uma baixa em termos de influência e presença no Vaticano.

A escolha de uma americana para ajudar a modelar a resposta da Igreja a uma fonte persistente de problemas é, portanto, igualmente um sinal de que os americanos têm vez e lugar na política de contratação não oficial do papado de Francisco.

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