Bertone, abandonado por todos

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04 Abril 2016

Antigamente, Tarcisio Bertone era o vice-papa. Um concentrado de poder muito denso. Um cardeal temido, muito influente. Mais do que um secretário de Estado, mais do que um primeiro-ministro, mais do que um Camerlengo: ele controlava a Cúria, as finanças (IOR), as fundações, os hospitais e uma infinidade de barretes vermelhos. Um vice-papa, o vice de Joseph Ratzinger.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 01-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Hoje, Tarcisio Bertone é um idoso purpurado aposentado, escondido em uma cobertura – reformada com o dinheiro do hospital Bambin Gesù – com um exuberante jardim, três freiras, uma agradável assistente e a desconfiança total de todos aqueles que lutaram contra ele e daqueles que o veneravam.

Na época de Jorge Mario Bergoglio, o único bertoniano é Bertone: os outros se camuflaram e se converteram, para não perder cargos e prestígio. O purpurado salesiano é natural de Romano Canavese, província de Turim; ex-arcebispo de Vercelli e Gênova.

Durante o pontificado de Ratzinger, a Cúria Vaticana era uma sucursal dos cardeais do Piemonte e da Ligúria. O que aconteceu com esse grupo? O cardeal Angelo Bagnasco, sucessor de Bertone justamente em Gênova, lidera com esforço a Conferência Episcopal Italiana, mas o Papa Francisco o comissionou com Nunzio Galantino e já tentou – há dois anos – escanteá-lo. Para combater as uniões civis, Bagnasco se voltou para o passado: não para o mentor Bertone, mas para Camillo Ruini, certamente mais tático do que o impetuoso Tarcisio.

O piemontês Domenico Calcagno – colecionador de pistolas que se aproveitou de uma rápida carreira – ainda é o chefe da APSA, o organismo que gere o patrimônio imobiliário da Santa Sé. Mauro Piacenza, da Ligúria, um dos bertonianos de mais estrita observância, não conseguiu. Bergoglio o removeu e o rebaixou imediatamente: ele era o prefeito da Congregação para o Clero, há alguns anos é penitenciário maior.

Guido Marini, também da Ligúria, enquadrado e fotografado por todas as partes ao lado de Bergoglio, é o mestre das celebrações litúrgicas do pontífice.

Outro piemontês: Giuseppe Bertello, criado cardeal em fevereiro de 2012 por Ratzinger, mas responsável pelo Governatorato (de fato, o Executivo vaticano) desde 2011.

Gianfranco Ravasi é da Lombardia, portanto, uma anomalia geográfica em relação à maioria dos bertonianos; há uma década ele preside o Pontifício Conselho para a Cultura. É muito ativo no Twitter, bastante silencioso em outras partes.

Giovanni Angelo Becciu tem um perfil diferente, é da Sardenha, ex-núncio. Trabalhou com Bertone na Secretaria de Estado como substituto para os Assuntos Gerais. O Papa Francisco logo o confirmou, no último dia de agosto (2013), dois meses antes de promover Pietro Parolin no lugar de Bertone. E as características bertonianas de Becciu desapareceram.

Agora, ele é um homem de confiança de Parolin e de Bergoglio. O retorno ao comando do partido dos diplomatas – os núncios apostólicos –, a despeito do partido dos curiais, decretou a extinção dos bertonianos.

O símbolo ainda não derrubado ou, melhor, refeito com grande custo é a cobertura do Palácio San Carlo, onde o salesiano festejou os 80 anos com trufas de Alba e vinhos de Langhe.

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