Bispos convidam a assistir "The Spotlight, segredos revelados". Entrevista com Hans Zollner

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01 Março 2016

"Papa Francisco, está na hora de proteger as crianças e restaurar a fé". Assim se expressou Michael Sugar, produtor do "The Spotlight, segredos revelados", vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2016, recebendo a estatueta, no palco da Academy Awards. O filme é dedicado a jornalistas do Boston Globe, que há 14 anos revelaram inúmeros casos de abuso contra menores cometidos por sacerdotes. A respeito disto, Fabio Colagrande entrevistou o padre jesuíta Hans Zollner, membro da Pontifícia Comissão para a Proteção de menores e presidente do Centro de Proteção de menores da Gregoriana.

A entrevista foi publicada por Rádio Vaticano, 29-02-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Eis a entrevista

Percebe-se que certamente o produtor, como todos os que se envolveram na produção do filme, esforçaram-se para transmitir essa mensagem, uma mensagem conexa com o conteúdo narrado no filme, uma repreensão para que a Igreja faça o que tinha sido encaminhado desde 2002, exatamente no tempo dos eventos narrados. Desde o final dos anos 90, o Cardeal Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha percebido que a Igreja não podia mais tolerar esses abusos, nem tolerar a cobertura dada pelos bispos. E assim, Joseph Ratzinger, depois como Papa Bento XVI, deu grandes passos no sentido de tornar a Igreja transparente e comprometida na luta contra os abusos. Depois dele, o Papa Francisco continuou na mesma linha, reforçando ainda mais as leis da Igreja e criando a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores. Algumas medidas já foram postas em prática e aguardamos ulteriores desenvolvimentos nesta mesma linha, certamente com uma clara mensagem de que a Igreja Católica, em suas lideranças, percebe a gravidade da situação e quer, e precisa, continuar na luta pela justiça e para que não haja mais vítimas.

Podemos dizer, então, que desde os acontecimentos apresentados no filme até à data de hoje, muita coisa foi feita pela Santa Sé e pelas Igrejas locais, em todo o mundo, para a proteção dos menores?

Sim, o que a Santa Sé fez é bastante evidente: temos outras normas, leis mais rigorosas, cartas encíclicas da Congregação para a Doutrina da Fé pedindo a todas as Conferências Episcopais seus projetos, suas linhas mestras traçadas com orientações de como encontrar as vítimas, o que fazer com os abusadores e como trabalhar para prevenir os abusos. Muito foi feito pela Santa Sé, e também por algumas Igrejas locais. Por isso, um filme como este, e até mesmo as palavras ditas na cerimônia de premiação, certamente darão um novo impulso ao trabalho que, por exemplo, iniciamos em 2012, aqui na Universidade Gregoriana, com uma conferência internacional, um Simpósio, “Rumo a cura e a renovação", com a participação de 110 bispos de todas as Conferências Episcopais do mundo, um primeiro passo, incluisive para as áreas da África e da América Latina, onde o tema, naquela época, ainda não tinha chegado. Com a criação do Centre for Child Protection, o Centro para a Proteção de Menores, queríamos trabalhar na construção, aos poucos, de uma jurisdição local, isto é, pessoas que saibam reagir, criar espaços seguros, para crianças e adolescentes...

Como os clérigos que estavam - e estão - empenhados no combate aos abusos receberam o filme?

Uma voz autorizada é aquela do Arcebispo de Malta, Dom Charles Scicluna, por dez anos promotor de justiça, sempre empenhado na perseguição dos crimes cometidos pelos padres. Ele disse publicamente, há poucos dias, que gostaria de recomendar a todos, mesmo aos bispos, de assistirem ao filme. A mesma coisa disse um bispo australiano... Portanto, há um grande apreço pelo filme e, é claro, um apreço pela mensagem e pela forma como a mensagem é transmitida. Estes bispos recomendaram aos seus irmãos de assistirem ao filme, o que significa um forte convite a refletir e levar a sério sua mensagem central, a saber, que a Igreja Católica pode e deve ser transparente, justa e comprometida na luta contra o abuso, e que deve empenhar-se, a fim de que esses crimes não voltem a se repetir. É importante compreender que temos que mudar nossa atitude, que em italiano pode ser expressa na famosa palavra omertà. Não falar, querer resolver tudo varrendo pra debaixo do tapete, esconder-se e pensar que tudo vai passar. É preciso entender que não passará. Temos de compreender que, ou com muita coragem enfrentaremos as coisas, olhando-as na cara, ou um dia, mais cedo ou mais tarde, estaremos sendo obrigados a fazê-lo. É esta, penso eu, uma das mensagens centrais.

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