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25 Janeiro 2016

A sátira faz uso do exagero, da ironia e do ridículo para mostrar as nossas deficiências. Um satirista distorce a história, por nós já conhecida, para que a verdade, aquela não prontamente evidente, possa surgir. Não é fácil escrever sátiras quando os tempos são tão imprevisíveis quanto o clima. A história parece ter entrado em seu próprio tipo de aquecimento acelerado de maneira tal que a paródia corre o risco de se tornar profecia.

O comentário é de Terrance W. Klein, publicado por America, revista dos jesuítas dos EUA, 22-01-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O satirista francês Michele Houellebecq estava na capa do Charlie Hebdo na mesma semana em que a equipe de redação foi atacada, chamando o Islã de a mais estúpida das religiões. Não obstante, a fé desempenha um papel de destaque em seu mais novo romance, intitulado Submission (2015). A premissa e o enredo são simples.

Os eleitores nunca cessam de exigir mudança. Então, num futuro não tão distante da França, a esquerda socialista impede o aumento da direita nacionalista ao permitir que um partido islâmico moderado chegue ao poder. A França perde parte de sua característica secular, mas os valores da família e de educação orientada aos valores morais saem vencedores. E o que é mais importante: ainda existe dinheiro a ser feito e carreiras a serem deslanchadas. O Islã, na verdade, não conquista a República. A República morre de exaustão do projeto secular, que parece encontrar nada mais a fazer do que defender ou servir o sexo e as vendas.

Eis como um estudioso propõe o Islã a um colega, enquanto cada um procura um lugar ao sol na nova França.

“O que, realmente, é o Alcorão senão um longo poema místico de louvor? De louvor ao Criador e de submissão a suas leis. Em geral, eu não acho ser uma boa ideia aprender sobre o Islã lendo o Alcorão, a menos, é claro, que se consiga superar o obstáculo de aprender o idioma árabe e ler o texto original. O que eu digo às pessoas, em vez disso, é escutar as suras, lidas em voz alta, e repeti-las, assim se pode sentir a respiração e a força que possuem. Em todo caso, o Islã é a única religião onde é proibido usar quaisquer traduções na liturgia, pois o Alcorão é composto inteiramente de ritmos, rimas, refrãos, assonâncias. Ele começa com a ideia, ideia básica de toda a poesia, de que o som e o sentido podem ser uma coisa só, e assim conseguem falar ao mundo” (p. 212-213).

Michel Houellebecq é admirado como um dos grandes autores da França, embora todos os críticos deploram o seu cinismo. O sarcasmo empregado contra a esquerda deixa-a estupefata. Mas o seu personagem é astuto no conselho que dá a respeito do Alcorão. De fato, o insight é útil para todo o “Povo do Livro”: judeus, cristãos e muçulmanos. “O som e o sentido podem ser uma coisa só, e assim conseguem falar ao mundo”.

A Escritura não foi criada para descansar em nossas mãos, jazer aberta em nossa frente para consulta, como um documento recém-mandado por Deus. Realmente, a noção da Escritura como uma referência disponível para consultas, noção que desempenhou papel importante na Reforma Protestante, sequer era possível antes do advento da imprensa.

Um monge na Idade Média poderia rezar sobre a Escritura, como um amante o fazia com suas cartas, mas a Escritura não era consultada pelas pessoas para fins de se certificarem que as suas comunidades eram fiéis. O fiel comum não pensava que possuía um comunicado autoevidente de Deus.

Durante inúmeras gerações de cristãos – judeus e muçulmanos também –, a Escritura era algo proclamado às pessoas, como se vê no Livro de Neemias e no Evangelho de Lucas. Alguém se levanta na assembleia dos fiéis e professa a Palavra de Deus de um jeito que reordena o próprio mundo. A Palavra chama o mundo para o juízo. A Palavra o reforma e o recria. Som e sentido são uma única coisa e falam ao mundo.

A Escritura se mostrou bastante letal nas mãos do homem religioso moderno, de qualquer religião. Por quê? Se acha que o mundo gira ao seu redor, então a Escritura que você guarda e cita irá inevitavelmente se contrair até que não faça nada senão validar o seu próprio mundinho. A Palavra de Deus, devidamente editada, se transforma em seu próprio porta-voz. Veja Donald Trump citar a Escritura na Liberty University.

Os textos têm vida nas comunidades. Eles vêm das comunidades e falam autenticamente aos que os recebem dentro da continuidade de uma comunidade viva. Até mesmo o Senhor Jesus ouviu a Escritura como um filho fiel de Israel. Sim, há espaço para revoluções, rebeliões e reformas. Os profetas realmente se levantam, mas eles apenas são reconhecidos como profetas porque fazem a Palavra viver de novo, porque reúnem som e sentido no meio do povo.

Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se.

Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.

Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir”. (Lucas, 4,20-21)

Neemias 8, 2-4a, 5-6, 8-10; 1 Coríntios 12, 12-14, 17; Lucas 1, 1-4, 14-21

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