O futuro da educação. Estudantes e mestres, preparem-se. Vem aí a Air School e o Uber MBA

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12 Janeiro 2016

"O que ocorreria se a criatividade nerd, que desenvolveu esses dois modelos de negócios, mirasse a educação universitária? Uma amostra do resultado pode ser avaliada nas iniciativas de ensino a distância que se multiplicaram nos últimos anos, algumas delas em parcerias com renomadas universidades" escreve Thomaz Wood Jr, em artigo publicado por Carta Capital, 12-01-2016.

Eis o artigo.

Uber, o serviço de transporte urbano que tira o sono dos taxistas, e Airbnb, o serviço de hospedagem que causa pesadelos entre donos de hotéis, alimentam a febre atual de novidades movidas a tecnologia. Não se sabe se desaparecerão em um ano ou se tornarão novos Facebooks. Por enquanto, hipnotizam a mídia de negócios e atraem a atenção de usuários e investidores.

Uber e Airbnb constituem materializações do conceito de empresa virtual, surgido nos anos 1990. Por trás do conceito, uma ideia simples: o acesso amplo às tecnologias de informação e comunicação possibilita a criação de modelos lucrativos de negócios que não dependem de fábricas, escritórios ou quadros inchados de empregados.

Os componentes dos novos sistemas são facilmente identificados: proposta de valor funcional e contemporânea; comunicação simples, porém sofisticada; foco no uso, em lugar da propriedade; uso intensivo de tecnologia; e aproveitamento de recursos existentes e pouco utilizados (assentos vazios em carros particulares, para o Uber; lares desocupados, para a Airbnb).

As duas empresas operam como agentes de intermediação, direcionando sua comunicação para provedores e para usuários de recursos. Uber apela para o status: “Seu motorista particular”; e para o empreendedorismo e a liberdade: “Trabalhe quando puder” e “ganhe dinheiro sem ir ao escritório e enfrentar um chefe chato”. Airbnb esforça-se para criar uma atmosfera intimista e funcional: “Alugue seu espaço extra sem nenhum esforço”, “abra um mundo de possibilidades” e “sinta-se em casa”.

O que ocorreria se a criatividade nerd, que desenvolveu esses dois modelos de negócios, mirasse a educação universitária? Uma amostra do resultado pode ser avaliada nas iniciativas de ensino a distância que se multiplicaram nos últimos anos, algumas delas em parcerias com renomadas universidades. Quem tiver a paciência para assistir às aulas virtuais, primeiro, ficará assustado com a má qualidade do que é veiculado (será isso mesmo que se ensina nas universidades?) e, segundo, comprovará que aulas virtuais são ainda mais aborrecidas do que aulas presenciais. Em meio às montanhas de joio talvez encontre algum trigo.

Mas o que seria uma Air School ou um Uber MBA? Uma reinvenção completa do modelo de geração e de transmissão de conhecimento, hoje tão criticado? Estudantes agendando módulos em diferentes universidades, por um aplicativo? Motoristas professores explicando marketing e finanças durante o trajeto?

Em artigo publicado há alguns anos na revista científica Academy of Management Learning & Education, Paul N. Figa, Richard A. Bettis e Robert S. Sullivan realizaram um curioso exercício de futurologia, focando especificamente as escolas e o ensino da administração. Os pesquisadores consideraram os grandes motores da mudança: globalização, rupturas provocadas por novas tecnologias, mudanças demográficas e desregulamentação. Tomaram como referência os impactos desses vetores sobre três setores: a saúde, os serviços financeiros e o transporte aéreo de passageiros. Então, perguntaram: e se impactos similares aos que atingiram esses setores ocorressem na educação?

A leitura do texto leva a identificar seis grandes mudanças. A primeira mudança relaciona-se ao movimento de fusões e aquisições, com o surgimento de grandes grupos educacionais. A segunda diz respeito à entrada de novas instituições no setor de educação, com propostas baseadas em massificação, padronização e baixo custo. A terceira indica a internacionalização das instituições de ensino, com atração de alunos e professores estrangeiros, e a abertura de campi no exterior.

A quarta sugere a superação do modelo artesanal de geração de conhecimento, pulverizado em múltiplas instituições, e a criação de polos especializados que abasteceriam todo o sistema de ensino. A quinta diz respeito ao declínio e eventual desaparecimento de instituições subsidiadas que apresentam alto custo e geram baixo impacto na formação de quadros e na geração de conhecimento. A sexta relaciona-se ao aumento da utilização de modelos mistos, combinando atividades presenciais e atividades remotas.

Algumas dessas mudanças já estão acontecendo. Podemos observar seus efeitos e defeitos. Outras soam como sacrilégio ou delírio, mas podem estar a caminho. Quem viver, verá... ou lamentará!

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