Padre Júlio não é a voz das ruas, diz secretária de Haddad

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12 Janeiro 2016

Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social da gestão Fernando Haddad (PT), Luciana Temer diz que o padre Júlio Lancellotti não é a voz das ruas.

A reportagem é de Thais Arbex, publicada por Folha de S. Paulo, 12-01-2016.

Embora reconheça que o coordenador da Pastoral da População de Rua é "um lutador" e tenha "um histórico" ligado à questão da população de rua, ela afirma que se "espanta" e "questiona tranquilamente" Lancellotti quando "ele diz que essa gestão não tem uma política para a população de rua".

"Desconheço, na história da assistência social, uma gestão que tenha criado tantos mecanismos na busca por retirar as pessoas da situação de rua", afirmou a secretária à Folha.

Segundo ela, atualmente a rede socioassistencial da cidade de São Paulo conta com 76 Centros de Acolhida, que juntos disponibilizam cerca de 10 mil vagas. Além de 12 espaços que só funcionam durante o dia, oferecendo refeições, lavagem de roupa, banho, atendimento social e o encaminhamento para outras políticas públicas.

"Mais importante do que a quantidade de vagas que criamos foi a qualidade das vagas que criamos. Hoje, temos um atendimento voltado para a diversidade que existe na na rua", diz sobre as novas modalidades de acolher famílias e imigrantes.

Luciana Temer diz que a gestão de Haddad tem trabalhado para "encontrar o meio do caminho" entre "duas expectativas antagônicas" em relação à população de rua: as que defendem a forma "higienista e imediatista" e os que entendem que "as pessoas podem morar onde elas quiserem e não podem ser perturbadas".

"A posição da gestão, e muito claramente expressada pelo prefeito é que tem o caminho do meio. O que significa que essas pessoas têm que ter sua dignidade respeitada, mas não podem ocupar a rua como forma de moradia. Por isso, toda ação da prefeitura tem sido no sentido de desmontar barracos existentes na rua."

Segundo a secretária, é essa posição que desagrada o padre. "É uma ilusão alguém achar que um dia não vai ter população em situação de rua em SP. Não sei se ele imaginou que Haddad ia ter uma vara de condão que resolvesse toda a questão da população de rua. Isso, de fato, não temos."

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