500 anos depois, o sentido de Utopia não se perdeu

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02 Janeiro 2016

Obra canônica de Thomas More foi publicada em 1516. Não foi o primeiro texto sobre um ideal utópico, mas inaugurou uma tradição de obras publicadas à luz de uma gênese comum: a proposta de projetos alternativos para a sociedade. 

A reportagem é de Beatriz Dias Coelho, com edição de Isabel Salema, publicada por Público, 02-01-2016.

“... é fácil confessar que muitíssimas coisas há na terra da Utopia que gostaria de ver implantadas nas nossas cidades, em toda a verdade e não apenas em expectativa”. Estas são as últimas palavras de Thomas More na sua Utopia, ditas depois de Rafael Hitlodeu, o navegador que alegadamente conheceu a ilha da Utopia, terminar o seu relato e elogiar a estrutura da ilha. A ideia é clara: More simpatiza com alguns dos princípios da sociedade utopiana, mas não a vê como um modelo a implementar de forma exata.

“A intenção de More é não apresentar as ideias de Hitlodeu e a sociedade utopiana como modelares, esperando que o leitor seja capaz de um exercício de reflexão crítica sobre os aspectos positivos e negativos dessa sociedade”, diz Fátima Vieira, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto especializada em estudos sobre a utopia.

No ano em que se assinalam 500 anos da sua publicação, a Utopia continua a ser lida, discutida e analisada, e encontra-se em qualquer biblioteca como clássico da literatura. E a sua mensagem, dizem os especialistas com quem falámos, continua a fazer sentido hoje: existem alternativas ao que está instituído.

“É um texto de grande amplitude, de abertura, de descoberta de caminhos, que até àquela altura não havia na cultura europeia”, diz Manuel Frias Martins, professor de Cultura Renascentista da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Uma sociedade em que nada é de ninguém – tudo é de todos. Em que o bem-comum é mais precioso do que o bem individual. Em que a guerra é abominada e a caça é tida como loucura. Em que o ouro e outros metais ditos preciosos não têm valor. Em que um dia de trabalho tem seis horas, uma noite de sono tem oito e o resto do tempo é ocupado por cada um como entender. Assim é na ilha da Utopia, objeto central da obra homónima de Thomas More publicada em 1516, antítese da sociedade europeia do século XVI.

More nasceu em 1477 (ou 1478, segundo alguns historiadores), em Londres. Foi advogado, chanceler de Henrique VIII e fez parte da Câmara dos Comuns. Em 1515, baseado em A República de Platão, começa a planear a redacção da Utopia. Depois de uma visita a Londres do seu amigo Erasmo, autor de Elogio da Loucura, More envia-lhe o texto terminado. Erasmo, alegadamente sem o autor saber, entrega o texto ao impressor Thierry Martens de Lovaina, que o publica.

Redigida em latim, a Utopia, escreveu José de Pina Martins no estudo introdutório à edição da obra de More da Fundação Calouste Gulbenkian (2006), é “um escrito fundamental do humanismo”. “O ser humano encontra-se no centro do mundo e está nas suas mãos decidir o seu destino”, explica Fátima Vieira. “Não poderia nunca ter sido escrita na Idade Média, quando se acreditava que o destino havia sido já decidido por Deus”. A obra é escrita num tempo novo, em que o homem europeu encabeça os Descobrimentos, que revelam povos desconhecidos, ideias e costumes diferentes, novas possibilidades. É de Portugal, um dos países protagonistas dessas viagens intercontinentais, que vem a personagem central da obra — o navegador Rafael Hitlodeu, que dá a conhecer a ilha da Utopia. A obra, classifica Pina Martins, é um texto “do humanismo renascentista”.


Mas a obra é, também, reflexo de um contexto de acentuadas desigualdades sociais, em que direitos e liberdades estavam longe de ser uma garantia. E assim, Utopia — que é “obviamente uma obra de ficção, mas com um grande contributo para o pensamento filosófico”, diz Fátima Vieira — desenvolve-se em dois livros: o primeiro traça um olhar crítico sobre a época e o segundo dá a conhecer a ilha visitada por Rafael Hitlodeu.

A modernidade da obra

A Utopia é uma obra marcada pela realidade, mas também pela ficção. O primeiro livro trata da realidade – More faz um retrato crítico da Inglaterra (e da Europa) do ponto de vista social, político, económico e religioso. “É um olhar de alguém que sofre com aquele que sofre, um olhar sobre aquele que tem de roubar porque tem fome. More critica as estruturas do Estado exatamente porque acabam por promover o roubo e, em vez de castigar, deviam de facto reorganizar a própria sociedade de maneira a evitar que houvesse pobres e fome”, elucida Manuel Frias Martins. Para o acadêmico, More é, assim, “um dos grandes humanistas que anunciam a modernidade”.

O livro II é integralmente dedicado à ilha da Utopia, à sua organização e aos seus princípios. É, segundo Fátima Vieira, “perfeita ficção”, denunciada pelo próprio navegador que, tal como a ilha, é imaginário. Outros indícios, como os nomes e a sua etimologia, contribuem para essa mesma ideia: a ilha – Utopia, neologismo criado por More que significa “não-lugar” –, a capital – Amauroto, “cidade sem habitantes” –, o rio – Anidro, “rio sem água” –, e o príncipe – Adamos, “chefe sem povo”.

“Todo este jogo é agravado pelo fato de o próprio nome do viajante utópico, Rafael Hitlodeu, conter também uma contradição: se, por um lado, Rafael nos lembra o arcanjo Rafael, portador da ‘cura divina’, por outro lado a etimologia grega de ‘Hitlodeu’ aponta para o facto de ele ser um ‘perito em bagatelas’”, diz Fátima Vieira. Em Utopia, esclarece, há constantes contradições. Mas como interpretá-las? “Todas estas contradições remetem a ilha da Utopia para o plano das ideias, para o plano meramente teórico, e era isso que More pretendia”, explica Fátima Vieira, que preside a Utopian Studies Society/Europe, uma associação interdisciplinar dedicada a estudos sobre o pensamento utópico e que está a preparar várias iniciativas para assinalar os 500 anos da obra de More.

É justamente no livro II que a inovação de More é visível – e acentua-se quando nos apercebemos de que vários princípios da sociedade utopiana, a que continuamos a ambicionar hoje, não são ainda uma realidade em muitos pontos do globo.

A sociedade utopiana é “uma democracia, visto que são os cidadãos que elegem os seus representantes”, diz Paulo Tunhas, professor de filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. “Mas é uma democracia que tem componentes totalitárias. É, indiscutivelmente, um sistema fechado”, como evidenciam alguns princípios: “não se pode, por exemplo, sair de uma zona do território para outra sem autorização”. Numa época de monarquias, a ilha da Utopia tem um sistema político baseado na vontade do povo. “É uma nova forma de fazer política, em que todos os cidadãos podem participar”, explica Mónica Dias, professora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Para que isso seja possível, More “apresenta o ideal educativo – o acesso de todos à educação é uma das facetas mais importantes da ilha”.

A obra de More tem, além disso, um importante papel na área do Direito. “Há uma ideia de Estado de Direito marcada – as pessoas não são condenadas pela arbitrariedade e pela vontade de um príncipe, há leis conhecidas e respeitadas por todos”, nota Mónica Dias.

O autor inglês não esquece, também, a religião e dedica-lhe um capítulo. Na ilha da Utopia há liberdade religiosa (ainda que existam algumas crenças obrigatórias, como a imortalidade da alma) – “isto é a aceitação da diferença, é a modernidade”, advoga Frias Martins.

Mas para o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a modernidade de Thomas More relaciona-se principalmente com a ideia de “identificar a propriedade privada como o cerne das desigualdades sociais”, diz. É por isso que o autor cria na sua Utopia uma sociedade em que a propriedade privada não existe. “O iluminismo do século XIX vai beber à Utopia muitos dos seus ideais e sobretudo o modo como vai ler os males sociais. Vai propor correcções dos males sociais em termos de reorganização política da sociedade.”

Como Fátima Vieira observa, durante muito tempo pensou-se que More propôs a abolição da propriedade privada, “e por isso foi muitas vezes descrito como um protocomunista”, mas a académica defende que não se pode olhar para Rafael Hitlodeu como um porta-voz de More. “Essa ideia da ausência de propriedade privada de que Rafael Hitlodeu fala ao descrever a ilha da Utopia, não é necessariamente uma proposta defendida por Thomas More”, diz. “A ideia de olhar para o livro e associar-se ao pensamento comunista é típica do século XIX e do século XX, mas é errada porque se está a confundir a ideia de utopia – a ideia de pensar uma alternativa – com as idealizações dessa utopia.”

Mónica Dias defende que não é possível ver um paralelismo directo entre o princípio de abolição da propriedade privada expresso em Utopia e o princípio teorizado no socialismo que surge apenas no século XIX, num contexto filosófico, econômico e social muito diferente. “Os socialistas não vão, aliás, buscar essa ideia a More, vão sim a Platão, em A República, e a outros filósofos”, advoga.

A docente do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa rejeita comparações entre o socialismo científico enunciado por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX e o texto de Thomas More. “O socialismo científico do século XIX, de Karl Marx e Friedrich Engels, aponta para uma sociedade perfeita num fim da História – onde a utopia já não seria necessária — e por isso apela a algo mais drástico, uma revolução – uma alteração total do sistema social —, que não é o que More queria”, afirma Mónica Dias.

“Podemos dizer é que, da mesma maneira que Thomas More olhou para a sua sociedade, viu que havia desigualdades e escreveu Utopia apresentando uma forte crítica social e mostrando que havia um caminho alternativo, os reformistas sociais do século XIX olharam para a sua sociedade e propuseram reformas sociais”. Foi o caso de Robert Owen, reformista britânico considerado um dos rostos do socialismo utópico e que, entre outras medidas, propôs melhorias para as condições de trabalho. “Thomas More nunca foi um revolucionário [como Marx e Engels], foi um reformista. Não escreveu um manifesto [como Marx e Engels], mas uma obra literária.”

More destina ainda um capítulo à guerra, considerada pelos utopianos como “bestial”. Homens e mulheres estão preparados para combater, caso seja necessário, mas na ilha da Utopia a guerra é sempre encarada como uma medida de último recurso. “Esta ideia de paz, por oposição à guerra, é uma ideia que começa no final da Idade Média e avança no Renascimento. O Humanismo é-lhe muito sensível. O século XVI é o século das guerras religiosas, e portanto a questão da paz acaba por ser um elemento central de quem se interessa por pensar o seu tempo. A questão da guerra é, de facto, a questão da paz, ou seja, a valorização da paz e a crença de que a guerra é um desiderato anti-humano, anti-social e anti-bem comum”, explica o professor de Cultura Renascentista da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

As convicções religiosas de More viriam a ser, aliás, o motivo da sua morte. Em 1531, o rei inglês Henrique VIII, que queria casar com Ana Bolena, proclama-se Chefe Supremo da Igreja, depois de o Papa Clemente VII lhe negar o divórcio de Catarina de Aragão. More, que não reconhece Henrique VIII como chefe da Igreja e se opõe ao divórcio, é condenado à morte por traição. É decapitado em 1535 e a sua cabeça exposta na Torre de Londres.

As utopias para além da Utopia

Apesar de não ser o primeiro texto sobre um ideal utópico, Utopia — uma palavra criada por More — viria a inaugurar uma tradição de obras que foram, depois, publicadas à luz de uma gênese comum: a proposta de projetos alternativos para a sociedade. Para se proteger, Thomas More escreveu de maneira a que fosse sempre “Rafael Hitlodeu a fazer a apologia dessa ordem alternativa” e não o autor propriamente dito, diz Fátima Vieira, que explica que “o género literário utópico, em virtude desta estratégia narrativa, permite a crítica e a passagem de uma mensagem subversiva, tendo por isso conhecido grande pujança, ao longo destes cinco séculos, em tempos de opressão”.

À obra de Thomas More seguiram-se outras utopias renascentistas e, já no século XVII, em 1624, Nova Atlântida, do britânico Francis Bacon aparece como a primeira utopia científica, em que “a base do progresso da sociedade é assegurada por avanços científicos”, afirma a professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Hoje, Nova Atlântida é “considerada fundadora de um género literário muito próximo do utópico: a ficção científica”.

No século XVIII, a presidente do ramo europeu da Utopian Studies Society destaca As Viagens de Gulliver do irlandês Jonathan Swift, publicada em 1726. “São paradigmáticas de uma atitude cínica em relação à ideia de possibilidade de aperfeiçoamento do ser humano e dos modos de organização em sociedade – é um bom exemplo de uma utopia satírica”. Mas nesse século houve também “um movimento mais positivo, informado pela visão iluminista do ser humano, e que se estende pelo século XIX. No século XVIII encontramos um conjunto de utopias que, na lógica do pensamento iluminista, nos falam de um futuro de felicidade. São, nessa medida, ‘eucronias’. Memoirs of Planetes (1795), de Thomas Northmore, é um bom exemplo de uma utopia que vê o futuro como forçosamente melhor do que o presente”.

As utopias do século XIX apostam na educação — “confiava-se que a sociedade melhor surgiria como reflexo de um indivíduo melhor”, esclarece Fátima Vieira. É neste século que, no contexto da Revolução Industrial e da “agudização do conflito de classe”, surgem as utopias marxistas. Entre elas, a professora destaca Notícias de Lugar Nenhum (1890), do britânico William Morris, em que “a revolução, abolindo todas as formas de propriedade privada, liberta o indivíduo para uma forma de vida mais solidária”, elucida.

A partir da ideia de utopia surgiram variantes, como a distopia. O século XX ficou precisamente marcado por distopias, entre as quais se destacam várias obras dos britânicos H. G. Wells, Aldous Huxley e George Orwell e do russo Yevgeny Zamyatin. Nas décadas de 60 e 70 houve, porém, “um revivalismo utópico de feição feminista e ecologista”, nota Fátima Vieira. Foi nessa conjuntura que surgiram obras como Ecotopia (1975) de Ernest Callenbach ou Woman on the Edge of Time (1976) de Marge Piercy.

A especialista em estudos sobre utopia esclarece, no entanto, que as distopias não são necessariamente pessimistas, uma vez que não são antónimas das utopias. “A percepção que temos da distopia mudará se a entendermos como um aviso – a ideia de que aquele é um caminho que não devemos seguir – que ainda vamos a tempo de ouvir.”

Fátima Vieira nota que, nos últimos anos, várias obras têm apontado “para uma redefinição da utopia literária”, entre as quais Utopia III (2006) do português José de Pina Martins, Inglaterra, uma Fábula (1999) do argentino Leopoldo Brizuela ou A Ilha da Mão Esquerda (1995) do francês Alexandre Jardin. “Estas obras são meta-utópicas, isto é, são exercícios de reflexão sobre o pensamento utópico, e buscam revalidar a utopia como estratégia para a construção do futuro. Cada uma das obras revisita uma obra utópica e actualiza-a para os nossos dias. O que sai valorizado dessas obras é a utopia enquanto estratégia, considerada válida hoje, como ontem, para a imaginação de formas de organização alternativa da sociedade.”

O lugar das utopias

Hoje, importa perceber qual é o lugar e o sentido de Utopia e das utopias em geral. Manuel Frias Martins acredita que as utopias existem “para serem perseguidas” e que devem ser concretizadas “em alguns dos seus ideais”, mas alerta para os seus perigos: “Costumo dizer que se alguma vez uma utopia se realizar, realiza-se sempre como tragédia. Porque a utopia não é realizável, por isso é que é uma utopia. Implementar uma utopia como objectivo final significa eliminar diferenças dentro da própria utopia e eliminar diferenças só se faz através da repressão da diferença. Que, neste contexto, é exactamente o contrário da utopia. Se isso acontecer, estamos perante tragédias que envolvem a morte de milhões de pessoas”.

Paulo Tunhas acredita que “a associação entre utopias e sistemas totalitários desfez o impulso utópico” e defende que a palavra “utopia” é, hoje, “utilizada num sentido muito vago”. “Hoje em dia reivindica-se a utopia, o direito à utopia, como se a utopia fosse uma coisa fácil, digamos assim”, acrescenta.

Fátima Vieira considera que já passou o tempo “dos grandes planos para a transformação do mundo, como os que foram oferecidos no século XIX”. Ainda assim, “o desejo de mudança continua”, diz. A especialista em estudos sobre a utopia destaca as leituras do sociólogo francês Michel Maffesoli, que defende que existem hoje utopias intersticiais: “As utopias não existem como grandes planos, mas existem como pequenos planos, em micro-utopias que vão sendo realizadas. Quase não se dá por elas, mas vão efectivamente contribuindo para alterar o mundo.” Fala ainda do filósofo francês Gilles Lipovetsky que acredita, por sua vez, que nos nossos dias são comuns as “utopias individuais, decorrentes da consciência de que a transformação colectiva poderá decorrer da acção de indivíduos comuns, formando redes”.

Quanto ao sentido da utopia, a especialista não tem dúvidas: “a utopia é hoje vista como uma estratégia de pensamento prospectivo e holístico. Na verdade, o raciocínio utópico parte do entendimento de que as sociedades funcionam como sistemas e que, por isso, cada vez que for alterado um dos aspectos desse sistema (por exemplo, o económico), todos os outros aspectos serão afectados.” Fátima Vieira remete para um vídeo publicado no YouTube, no qual o escritor uruguaio Eduardo Galeano descreve “a forma exemplar como o realizador de cinema argentino Fernando Birri terá explicado para que serve a utopia: a utopia é algo que colocamos no nosso horizonte, damos dez passos e ela afasta-se dez passos, damos mais dez passos e ela afasta-se outros dez. Mas é para isso mesmo que ela serve - para nos fazer caminhar”. 

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