Indígenas protestam exigindo fim do incêndio gigante na Terra Indígena Arariboia (MA)

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15 Outubro 2015

Um grupo de cerca de 15 indígenas protestou em frente ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, exigindo ser recebido pela ministra Izabella Teixeira e uma ação efetiva do governo federal para combater o incêndio na Terra Indígena Araribóia, no sul Maranhão. O grupo foi recebido, na sexta (9/10), por representantes do ministério e do Ibama do lado de fora do prédio. Segundo a assessoria do MMA, a ministra está de férias. O protesto teve o apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

A reportagem foi publicada por Instituto Sócio AmbientalISA, 13-10-2015.

Os índios alertaram sobre a urgência da situação e acenderam uma fogueira para simbolizar o sofrimento dos indígenas da região. Os primeiros focos de incêndio teriam começado a 50 dias, segundo análises de imagens de satélite do Greenpeace.

“As instituições estão brigando entre si e não conseguem ter uma estratégia efetiva de combate ao fogo”, denunciou Sônia Guajajara, coordenadora da Apib. “O Ministério do Meio Ambiente tem de assumir, tem de pensar uma ação estratégica que dê resultado”, afirmou. Ela afirma que o governo estadual diz não ter recursos nem mesmo para pagar a alimentação dos brigadistas. Integrantes do Exército, Ibama, Corpo de Bombeiros e Fundação Nacional do Índio (Funai), além dos próprios índios, tentam por fim ao incêndio.

“O Ibama está colocando um esforço muito grande naquela área. Nós estamos hoje com 130 brigadistas na área, com dois helicópteros. Não é barato trabalhar com helicópteros, o investimento do Ibama lá é muito alto”, informou Luciano Evaristo, diretor de proteção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Ele garantiu que que o órgão está fazendo o que pode para combater o incêndio.

Gabriel Zacharias, chefe do Prevfogo, informou que irá pessoalmente, na próxima terça-feira, ao Maranhão para acompanhar o trabalho, ouvir os indígenas e discutir planos de de combate ao fogo. O Prevfogo é o centro especializado do Ibama de combate a incêndios em áreas protegidas.

Olímpio Guajajara criticou a recusa do Ibama em aceitar voluntários indígenas para combater o incêndio. “Disseram que nós não tínhamos treinamento para o combate ao fogo. Já aconteceram vários incêndios lá e fomos nós que combatemos, não foi o Prevfogo [centro especializado do Ibama] que fez esse trabalho lá. Nós fizemos e estamos fazendo papel do Estado lá”.

Evaristo respondeu que o órgão ambiental está evitando colocar a vida dos índios em risco. Apesar disso, ele afirmou que “o índio não pode deixar o madeireiro operar lá dentro”.

A reunião terminou com uma dança conjunta entre indígenas e representantes do governo. Apesar do clima de tranquilidade do fim do encontro, Sônia Guajajara está apreensiva com a situação. “A gente volta muito preocupado pela morosidade do Estado, pela inoperância dos órgãos. A gente agradece a atenção, mas não volta muito otimista, porque, se tivesse interesse mesmo do MMA, mandariam uma pessoa ou uma equipe hoje, devido à gravidade da situação”, afirmou.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), as lideranças indígenas e entidades da sociedade civil têm cobrado a elaboração do Plano de Prevenção e Controle de Desmatamento e das Queimadas no Maranhão (PPCD-MA) do governo estadual, mas ele alega que não há recursos para custeá-lo.

Destruição

O incêndio já destruiu mais de 100 mil hectares de floresta na Terra Indígena (TI) Araribóia, no sul do Maranhão. O fogo consumiu o equivalente a quase 25% da área, que tem 413 mil hectares e queimou casas dos índios Guajajara e ameaça um grupo de índios “isolados” Awá Guajá. “Há um risco total de vida para eles”, conta Sônia Guajajara. De acordo com ela, mais de 12 mil índios vivem na TI Araribóia, localizada entre os municípios de Amarante do Maranhão, Arame, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Grajaú e Santa Luzia. A área é alvo constante de desmatamentos ilegais e roubo de madeira.

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