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Por: Jonas | 20 Agosto 2015

A solicitação oficial das FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, para se encontrar com o Papa Francisco, durante a próxima visita a Cuba, e da participação de um delegado permanente da Santa Sé na mesa de negociações, colocam novamente em evidência o papel geopolítico do Pontífice argentino.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 19-08-2015. A tradução é do Cepat.

O resultado mais significativo conquistado até agora é, certamente, o diálogo entre Estados Unidos e Cuba, com os dois líderes – o presidente Barack Obama e Raúl Castro – que agradeceram publicamente a Francisco e ao Vaticano pela mediação. Apesar de que, naquela ocasião, como revelou Bergoglio, o que foi determinante não foi tanto a mediação vaticana, mas, sim, a vontade dos dois presidentes, ambos com a necessidade de encontrar um terreno neutro onde tratar. “O processo entre Cuba e Estados Unidos – disse o Papa, no mês passado – não teve o caráter de mediação. Era um desejo que se verificou. Por outra parte, desejo... passaram três meses nos quais rezei somente por isto... Depois, o Senhor me fez pensar em um cardeal. Ele foi lá, falou, e depois não soube nada mais, passaram alguns meses e um dia o Secretário de Estado me disse: “Amanhã teremos a segunda reunião com as duas equipes” – “Como?” – “Sim, conversam, entre os dois grupos conversam”... Foi a boa vontade dos dois países; o mérito é deles, são eles que conseguiram isto”.

Há quem gostaria de comparar o papel que Francisco está tendo na América Latina com o que João Paulo II teve nos países do Leste e na queda do comunismo. No entanto, a comparação não se mantém, sobretudo porque mudou a geopolítica e o mundo já não está dividido em dois. E depois porque a origem destes passos do Papa argentino, com raízes italianas, não está em uma identidade latino-americana ou em um pensamento político estruturado, mas simplesmente em uma aproximação evangélica e realista aos problemas do mundo. A mesma aproximação que o papa Wojtyla também demonstrou quando, após a queda do comunismo, negou a se enquadar no papel de capelão do Ocidente, implorando – em vão – a seus velhos amigos e aliados na luta anticomunista para não realizar a segunda guerra do Iraque, que demonstrou importantes consequências negativas para a região.

Com sua geopolítica do Evangelho, Francisco novamente está dando voz a quem não a tinha. Está tentando envolver todos no processo de diálogo e negociação, sem se preocupar com os vetos politicamente corretos. Esta aproximação, livre de projetos geopolíticos e identitários, é demonstrada com a constatação de que, dois anos e meio após sua eleição, o papa Bergoglio ainda não retornou a sua Argentina. E quando precisou escolher as etapas para sua primeira viagem aos países de língua espanhola da América Latina, preferiu começar com as nações pequenas e não “potentes” como Equador, Bolívia e Paraguai, ajudando nos processos em marcha para a instauração de novos modelos de desenvolvimento.

Para terminar, não se deve esquecer que o mesmo realismo e a mesma liberdade posta em prática no diálogo com Castro, com Evo Morales, com os movimentos populares latino-americanos, e agora provavelmente com as FARC, permitiram ao Papa se encontrar com Vladimir Putin para impedir a intervenção armada na Síria, em 2013, e denunciar as guerras de religião e os grandes interesses econômicos que querem fazer passar o que está ocorrendo no Oriente Médio como uma batalha final entre o cristianismo e o islã.

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Francisco e a geopolítica do Evangelho - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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