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17 Abril 2014

Foi assassinado em Honduras Carlos Mejía, companheiro de trabalho no Centro Social ERIC e na RADIO PROGRESSO, organizações da Companhia de Jesus dedicadas à denuncia publica das violações dos direitos humanos, à luta contra a impunidade e ao acompanhamento dos defensores/as dos direitos humanos. Mejía foi mortalmente esfaqueado na porta da casa, muito embora as medidas de proteção ordenadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos desde 2009 com ocasião do golpe de estado. Sobre Carlos Mejía nos escreve agora o Pe. Ismael Moreno, s.j.

A informação é publicada pelo  Apostolado Social da Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina - CPAL, 17-04-2014.

Sobre Carlos:

Muito obrigado pela sua comunicação e solidariedade. É muito bom ter amigos para confortar a vida quando ela o necessita. Quero agora compartilhar algumas informações de primeira mão sobre o assassinato de Carlos Hilário Mejia Orellana, ocorrido na noite de sexta-feira 11 de abril em sua residência na colônia Suazo Córdova, de El Progreso.

Carlos, com 35 anos, tinha 14 anos trabalhando em rádio como responsável do marketing, o que na prática significava que ele vendia a publicidade. As receitas da rádio por muitos anos repousaram sobre a experiência de Carlos para vender publicidade. Ele vem de uma família do interior, do departamento Ocotepeque, perto da fronteira com El Salvador. Raízes familiares católicas grandes e muito fortes. Alguns anos atrás Carlos expressou sua preferência homossexual, falou comigo várias vezes, e manteve uma relação ética e de respeito muito grande entre sus preferencias sexuais e seu trabalho na rádio.

Ele era um jovem entusiasta e conseguia passar esse entusiasmo em seu trabalho e em suas relações pessoais. Profundamente respeitoso das pessoas. Com muito esforço estudou sua licenciatura e seu mestrado em Marketing em uma universidade privada. Fora do rádio, Carlos dedicava o tempo a outras atividades para aumentar sua renda, pois era o mais velho de oito irmãos, filho de um casal bastante pobre, e era praticamente dele que vinha o sustento da família.

Quatro anos e meio atrás ele me avisou que havia pessoas que ligavam para lhe chantagear, coisa muito comum em nosso meio, e que algumas vezes encontrou pessoas querendo entrar em sua casa. Essa foi a razão pela qual seu nome foi colocado diante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, como parte da lista de 16 membros Eric e Radio Progreso que precisavam de medidas cautelares. Estas medidas, ordenadas pela CIDH nunca foram levadas a sério pelo governo nacional não entanto a CIDH foi renovando-as a cada ano desde 2009 até hoje.

Há algumas pistas que estamos explorando, como por exemplo a visita, renovada pelo menos três vezes, um pesquisador da DNIC (polícia investigativa criminal). Agora, adiantando-se às conclusões das pesquisas devidas, a polícia e os meios de comunicação em todo o país têm se esforçado em dizer que se trata dum assassinato registrado no contexto de um crime passional em virtude de sua preferência sexual, e dessa maneira das o caso por fechado.

Nos, seus colegas do ERIC e da Radio Progreso decidimos chamar no sábado 12 passado a uma conferência de imprensa para sair ao passo dessa versão preconceituosa e de qualquer maneira injusta e errada, e a fim de exigir uma investigação completa para não se tornar "verdade oficial" a hipótese mais fácil, e que está causando tanta dor à sua família, porque acreditam que as autoridades estão cometendo uma grande injustiça. Nestas circunstâncias, é muito fácil deixar que a opinião pública fique com a ideia mórbida de que sua morte foi resultado de uma escolha sexual (como si matar um homossexual fosse justo e legal !!!) e sobre tudo ignorando (e escondendo ou desviando a atenção) de outras indicações que possam envolver até mesmo a polícia.

Por enquanto, estamos empenhados em apoiar o processo, e temos pedido apoio de outras agências para nos fornecer investigadores particulares, pois há dados escondidos ou negligenciados. Sabemos ainda que as coisas vão mais devagar na Semana Santa, bem que nas últimas 24 horas o processo tem avançado rapidamente na linha da hipótese de crime passional. Nós não descartamos nenhuma hipótese, mas exigimos uma investigação completa, com todos os fatores, atores e dados.

Desculpem se eu me estendi, mas considerei necessário dar estas informações que de outra forma chegariam a vocês mediadas pela desinformação dos meios de comunicação.

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