No Mediterrâneo, 2.000 vítimas só em 2012

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04 Outubro 2013

Um giro de negócios impressionante. Um tráfico que rende mais do que o das armas e das drogas: o tráfico de seres humanos. Quem dá conta de um crime sem fim são os dados. Assustadores. Números impressionantes, atrás dos quais há histórias de um sofrimento indescritível, de uma humanidade sofredora em fuga de guerras, limpezas étnicas, estupros em massa. Uma fuga rumo à liberdade que, para muitos, demasiados, terminou tragicamente. No fundo do mar. O mar da morte: o Mediterrâneo. Uma tragédia infinita. Nos últimos 20 anos, de fato, o Mar Mediterrâneo foi o túmulo de mais de 20 mil pessoas.

A reportagem é de Umberto De Giovannangeli, publicada no jornal L'Unità, 01-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Segundo as palavras dos especialistas, atualmente se morre muito mais na rota líbica do que na tunisiana: os dois trechos da esperança, para homens, jovens, mulheres e crianças que fogem de guerras e fome na África. Mas, obviamente, as estatísticas dos mortos e dos desaparecidos podem ser totalmente orientativas. Mais de 2.000 vítimas do mar foram contadas apenas em 2012.

Além disso, há vários anos, na maioria dos casos, os criminosos que organizam as expedições de migrantes não colocam mais os seus homens no leme, mas a liderança dos barcos é confiada aleatoriamente a um dos passageiros, mesmo que nunca tenham dirigido um barco.

"Causa calafrios o pensamento de que poderiam ter sido impedidas muitas dessas mortes", afirma Judith Sunderland, pesquisadora especialista em Europa ocidental do Human Rights Watch. "É preciso que o imperativo no mar se torne salvar vidas e não se esquivar das responsabilidades".

O Mons. Giancarlo Perego, diretor geral do Migrantes, reflete: "A situação dos refugiados na Itália, já difícil para o nosso país, que, de todos os modos, tem uma rede de acolhida, torna-se dramática nos países marcados pela guerra ou para os países fronteiriços: eu penso em particular na Síria e no Líbano, na Jordânia ou nos campos do centro-norte da África ou da Somália e da Eritreia. A cada ano, cresce o número de refugiados e requerentes de asilo, e crescem também a consciência de novos e expandidos instrumentos de proteção internacional que saibam responder a uma situação cada vez mais complexa. Medidas de repressão e reclusão apenas, ou somente emergenciais, principalmente no contexto europeu onde mais de 330 mil pessoas em 2012 se refugiaram, não são suficientes. Medidas atentas apenas às pessoas e não às famílias são insuficientes e ineficazes. Medidas que criam um contínuo deslocamento das pessoas de um país ao outro, fazendo aumentar o desconforto social". Estima-se que em 2011 cerca de 90% de todos os requerentes de asilo na União Europeia entraram ilegalmente.

Além disso, a maior parte das pessoas que tentam chegar à Europa são geralmente sujeitas a graves violações dos direitos humanos na sua viagem e particularmente nos países de trânsito e em alto mar. Os migrantes são muitas vezes interceptados e rejeitados no mar, sem ter a possibilidade, em muitas ocasiões, de pedir asilo na União Europeia, com o risco concreto de que os direitos humanos dos refugiados e o princípio de "non refoulement" seja violado.

"O mar Mediterrâneo, ao longo dos últimos 25 anos, engoliu milhares de cadáveres: homens, mulheres e crianças que, partindo das costas africanas, buscavam uma oportunidade de vida no nosso continente. São números cruéis, estimados por padrão, com base em dados parciais e de fontes internacionais, de um verdadeiro massacre", afirma o senador do Partido Democrático, Luigi Manconi, presidente da Comissão Especial para a Proteção dos Direitos Humanos no Palazzo Madama.

"O fenômeno do tráfico de seres humanos está crescendo na Itália, e os traficantes estão ficando cada vez mais audazes na exploração e no abuso das suas vítimas". A afirmação é de Joy Ngozi Ezeilo, enviada especial da ONU sobre o problema do tráfico de pessoas, convidando o governo italiano a potencializar os instrumentos de controle e de avaliação da eficácia das medidas tomadas até agora.

As autoridades, por exemplo, explica Joy Ngozi Ezeilo, tendem a não identificar as vítimas, sejam maiores ou menores de idade, pedem apenas dados pessoais básicos e não fornecem informações sobre os seus direitos e as modalidades para pedir proteção. Isso impede que elas sejam assistidas, mas também impede que se identifique os seus exploradores e traficantes.

Ampliando o olhar para o dado mundial, a cada ano, de acordo com estimativas, cerca de 2 milhões de pessoas são vítimas do tráfico sexual, 60% das quais são moças. O tráfico de órgãos humanos chega a quase 1% desse valor, atingindo cerca de 20 mil pessoas, com diversas formas de engano. São extraídos de forma ilegal órgãos como fígado, rins, pâncreas, córneas, pulmão e até coração, não sem a cumplicidade de médicos, enfermeiros e outros profissionais.

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