Muita gente ainda está no armário, com medo do preconceito

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02 Julho 2011

A decisão unânime do STF, em maio, reconhecendo a união estável para casais do mesmo sexo, foi uma vitória histórica e enfática para os direitos dos gays no país.

E o juiz que, no final de junho, converteu a união estável no primeiro casamento civil gay no Brasil deu um passo à frente semelhante, menor. Mas, a despeito dos avanços, a homofobia ainda está amplamente presente aqui e é muito pior que em meu país de origem, os EUA.

O comentário é de Michael Kepp, americano, jornalista radicado há 28 anos no Brasil, e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 03-07-2011.

Em 2008 foram 190 homicídios por homofobia no Brasil - segundo o Grupo Gay da Bahia, primeira associação de defesa dos direitos dos homossexuais no país -, contra cinco homicídios semelhantes reportados pelo FBI nos EUA naquele ano.

O xingamento "veado!", comum aqui, é usado em estádios de futebol para vaiar qualquer jogador que não atenda as expectativas. E, nas escolas, os alunos recusam o 24 como número de chamada porque corresponde ao do veado no jogo do bicho. Quando dois amigos do mesmo sexo são inseparáveis, vem a insinuação que "algo pode estar rolando".

Muitos brasileiros gays permanecem no armário para evitar a discriminação, no local de trabalho e fora dele.

Muitos gays americanos, incluindo políticos destacados, começaram a sair do armário décadas atrás.
A TV reflete e molda esse avanço. O primeiro beijo lésbico da TV americana foi na serie "L.A Law" em 1991 e, entre homens, na série "Dawson`s Creek", em 2000.

O primeiro beijo entre duas mulheres na TV brasileira só foi no SBT em maio, mas o canal proibiu a mesma cena entre dois homens.

Os EUA viraram o berço do movimento dos direitos gays devido à rebelião de Stonewall, em 1969, quando uma invasão policial de um bar gay em Nova York desencadeou protestos violentos.

O movimento avançou quando, no final de junho, a Assembleia Legislativa de Nova York fez do Estado o sexto dos EUA a legalizar o casamento gay. Outros oito Estados permitem a união estável ou algo semelhante para casais homossexuais.

Mas os EUA não são nenhuma meca da tolerância.

Trinta Estados proíbem o casamento gay. E foi apenas em 1967 que a Suprema Corte americana legalizou os casamentos inter-raciais, direito que nunca foi negado no Brasil, país muito menos racista.

Os avanços recentes conquistados para os casais gays nos EUA e no Brasil podem ser menos radicais do que parecem. Afinal, eles demonstram apenas uma decisão de tribunais e Legislativos de integrar um grupo marginalizado em uma tradição benévola e majoritária, a criação da família. Um gesto, no fundo, bastante conservador.

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