Especialistas se preparam para a descoberta de vida extraterrestre

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12 Janeiro 2011

A descoberta de qualquer forma de vida extraterrestre seria um dos maiores acontecimentos na história da humanidade. Fosse ou não vida inteligente, mudaria de forma radical a percepção pessoal de cada um e a de nosso lugar no universo. Disso estão certos todos os cientistas e pensadores reunidos pela Real Sociedade britânica em Londres para analisar a fase atual dos esforços para detectar vida extraterrestre e as consequências que essa descoberta teria para a ciência e a sociedade. Na reunião se propôs uma nova escala, a escala de Londres, para avaliar qualquer anúncio de vida extraterrestre.

A reportagem é de Malen Ruiz de Elvira, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal UOL, 13-01-2011.

A análise das possíveis consequências varia mais. Podem-se esperar reações de medo e entusiasmo, mas também de calma e prazer, dependendo de como seja a forma de vida descoberta e a distância em que se encontre, indica Albert Harrison, da Universidade da Califórnia. Como os métodos influem tanto nas possíveis descobertas, as mais prováveis são de vida microbiana ou semelhante em nosso sistema solar, ou de transmissões eletromagnéticas de algum ponto muito mais distante. Em ambos os casos, seriam descobertas sensacionais mas minimalistas, que não afetariam a vida cotidiana.

O paleontologista e especialista em evolução Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge, prepara-se para o pior. Assim intitulou sua intervenção na reunião de Londres. As biosferas extraterrestres podem ser muito semelhantes à terrestre, e então seria inevitável que emergisse a inteligência e nos encontraríamos com civilizações parecidas com as nossas, com todas as suas características negativas. Conway esgrime argumentos evolutivos para indicar que esse cenário lhe parece muito pouco provável. O oposto, pelo qual se inclina, é que estamos completamente sós no universo.

No entanto, a mudança de paradigma que representou desde 1992 a detecção de planetas fora do sistema solar (já são 500 identificados) faz muitos pensarem que as gerações atuais poderão chegar a ver a assinatura da vida em outro lugar diferente da Terra. Embora "a astrobiologia seja o estudo das coisas que não existem", segundo uma cínica definição muito popular no mundo científico, sua convergência com o veterano enfoque SETI (programas de busca de inteligência extraterrestre) é um fato e marca a nova fase.

O SETI, que tenta detectar sinais extraterrestres, completou 50 anos em 2010 sem conseguir seu objetivo. Frank Drake, seu promotor, pensa que é preciso manter uma grande amplidão de olhares sobre onde e o que buscar, e reconhece que as hipóteses usadas até agora foram ingênuas. A busca já se ampliou das ondas de rádio para os sinais ópticos e infravermelhos, mas Drake acredita que, enquanto não puderem ser detectadas diretamente "as luzes das cidades à noite" em outras civilizações, dependemos de que estas queiram dar provas de sua existência com potentes emissões intergalácticas. Sempre otimista, ele se pergunta: "Existirá uma rede de civilizações intercomunicadas, uma versão real da Internet galáctica mítica?"

Quando se quer buscar vida diretamente e não através de suas manifestações, o principal obstáculo é que não se sabe o que exatamente buscar, já que não se conhece a origem da vida na Terra e tampouco se sabe se a vida fora seria semelhante. Que a biologia seja tão universal quanto a física e a química não é algo demonstrado, embora no universo exista um número surpreendentemente grande dos tijolos da vida baseada no carbono (as moléculas básicas da bioquímica terrestre). Os especialistas britânicos em ciências espaciais Martin Dominik e John Zarnecki se perguntam se poderíamos sequer conceber formas de vida muito mais avançadas evolutivamente que a nossa, do mesmo modo que uma ameba não poderia imaginar um ser humano.

Os métodos químicos para detectar vida, como a medida de isótopos, são os melhores, afirma Collin Pillinger, que dirigiu a falida tentativa da sonda Beagle 2 em Marte. E Paul Davies, que participou do recente e controverso estudo da Nasa de uma bactéria que vive de arsênio, mostra seu lado mais imaginativo, com uma proposta para detectar uma possível biosfera na sombra na Terra. Se a vida tivesse surgido mais de uma vez na história terrestre, ficaria demonstrada a hipótese de que a vida não é o fruto de uma casualidade, mas sim um imperativo cósmico, defendida pelo prêmio Nobel Christian de Duve, que também participou da reunião em Londres. Davies propõe buscar a vida espelho, com quiralidade oposta.

"Até agora não existem provas científicas a favor ou contra a existência da vida fora da Terra", lembram Dominik e Zarnecki. "Todos os argumentos sobre se a vida é algo comum e universal ou se vivemos em um lugar único no cosmo se baseiam sobretudo em crenças e suposições filosóficas."

 

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