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06 Agosto 2021

 

Um presidente contra a Constituição rumo à tirania

“Jair Messias Bolsonaro é um presidente contra a Constituição. Comete desvarios em série na sua fuga rumo à tirania e precisa ser parado pela lei que despreza. Há loucura e há método na sequência de investidas contra a democracia e o sistema eleitoral, ao passo que o país é duramente castigado pela ausência de governo. São demasiadas horas perdidas com mentiras, picuinhas e bravatas enquanto brasileiros adoecem, morrem e empobrecem. Os danos na saúde, na educação e no meio ambiente, cujos ministérios têm sido ocupados por estafermos, serão sentidos ao longo de gerações” – editorial ‘Ensaio de ditador’ – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

A inação de Aras e Lira

“Falta ao procurador Augusto Aras perceber que a vaga que ambiciona no STF de nada valeria em um regime de exceção; ao deputado Arthur Lira (PP-AL), que a pusilanimidade de hoje não seria recompensada com mais poder em uma ditadura. A deliberação sobre os pedidos de impeachment torna-se urgente. Da mesma maneira, os achados e conclusões da CPI da Pandemia devem desencadear a responsabilização do presidente. À Procuradoria cumpre exercer a sua prerrogativa de acionar criminalmente o chefe do governo. A inação de Aras e Lira põe em risco a democracia; é preciso reagir, até pela própria sobrevivência” – editorial ‘Ensaio de ditador’ – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Não é preciso criatividade hermenêutica para ver a ameaça de golpe

“O ladrão que anuncia o assalto bradando "a bolsa ou a vida" ou o mafioso que diz ao comerciante ter "uma proposta que ele não pode recusar" saem do terreno do livre uso da linguagem para incorrer em crime. O que marca a transição é a sugestão, velada ou explícita, de uso de violência. É isso o que Bolsonaro fez quando afirmou, em mais de uma ocasião, que, sem o voto impresso, não haveria eleições. Não é preciso muita criatividade hermenêutica para ver aí uma ameaça de golpe, algo que decididamente não está coberto pela liberdade de expressão. Num país mais funcional, isso bastaria para deflagrar o impeachment do presidente e, dependendo do grau de credibilidade que atribuamos à ameaça, também para encarcerá-lo com base nas leis de proteção do Estado. Mas estamos no Brasil” – Helio Schwartsman, jornalista – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Crise completa. Situação fugiu do controle

“Sem interesse em governar, o presidente trabalhou para fabricar uma crise completa. Atacou decisões do Judiciário, ironizou o fato de ter se tornado investigado por espalhar mentiras sobre o sistema eleitoral e mostrou que sua única alternativa de sobrevivência política é forçar um conflito continuado até 2022. O plano original de Bolsonaro era cultivar um estado de tensão controlada. Além da tentativa de sabotar a confiança dos eleitores na urna eletrônica, o presidente acoplou seu conhecido discurso de perseguição, com insinuações de que o Judiciário conspira para tirá-lo do poder. O roteiro era conhecido, mas a situação fugiu de seu controle” – Helio Schwartsman, jornalista – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Razões sanitárias

“Alguns leitores perceberam que, quando levado a conspurcar este espaço com o nome Bolsonaro, nunca me refiro a ele como "o presidente Fulano de Tal". Escrevo "Jair Bolsonaro". Não só por razões sanitárias, mas porque não lhe devo tal consideração. Não o considero presidente do Brasil. Preside sua casta, dia a dia reduzida, e o círculo de civis e fardados que, por razões bem próprias, o sustenta” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Perigosamente óbvio

“E a cada dia fica mais óbvio —perigosamente óbvio— o que aqui também se afirma há dois anos: que, sob qualquer pretexto, Bolsonaro tentará botar gente armada na rua, seja o "seu" Exército, a "sua" PM ou, estas, sim, suas milícias. Resta ver se o Brasil reagirá como Brasil ou como o país que ele também acha que é dele” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Ameaças devem ser levadas a sério

“O recrudescimento da retórica do presidente Jair Bolsonaro, ameaçando a realização das eleições em 2022, tem gerado uma ampla gama de reações. Dentre elas, há por parte de muitos a percepção de que tais ameaças seriam mero blefe, ou uma tentativa de distrair a atenção de um cenário político negativo para o presidente. Tal reação é natural, dado que Bolsonaro tem longa trajetória de arroubos retóricos com aparentes propósitos diversionistas. No entanto, uma análise sóbria dos seus incentivos estratégicos recomenda levar tais ameaças a sério. Isso a despeito —ou melhor, precisamente por causa— do momento de relativa fraqueza política que ele atravessa. O ponto de partida dessa análise é reconhecer que, ao contrário de outros presidentes ou políticos no Brasil pós-redemocratização, Bolsonaro considera duas alternativas para atingir seus objetivos: a opção institucional, via eleições, mas também a opção golpista. Sua escolha entre as duas depende de qual lhe ofereça melhores possibilidades” - Filipe Campante, PhD em economia pela Universidade Harvard, é professor da Universidade Johns Hopkins – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Faltou sabedoria em 2018

“É preciso levar a sério as ameaças no mínimo para pôr em prática a sabedoria da poeta norte-americana Maya Angelou: quando alguém nos diz quem é, é melhor acreditarmos. Se tivéssemos feito isso em 2018, estaríamos hoje muito melhor do que estamos” - Filipe Campante, PhD em economia pela Universidade Harvard, é professor da Universidade Johns Hopkins – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Círculo vicioso, angústia e temores, sem luz no fim das trevas

“O presidente Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites ao ameaçar rasgar a Constituição e atingir o ministro Alexandre de Moraes. Quanto mais ele radicaliza, mais o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral reagem. E, quanto mais o STF e o TSE reagem, mais ele radicaliza. Esse círculo vicioso envolve o País em angústia e temores, sem luz no fim do túnel – e das trevas.
As últimas investidas de Bolsonaro são gravíssimas e preocupantes. Ele ameaçou “agir fora das quatro linhas da Constituição”, como se fosse admissível um presidente dizer uma coisa dessas, e atacou Alexandre de Moraes, enigmaticamente: “A hora dele vai chegar”. Moraes é relator dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, que já tinham chegado ao Planalto e agora incluem o próprio Bolsonaro” – Eliane Cantanhêde, jornalista – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Ridículo e irritante

“Bolsonaro consome as energias dele, do governo e do País a favor das más ideias – de cloroquina e de armas para civis – e contra as boas – urnas eletrônicas, eleições, vacinas, isolamento social e até máscara. Nesta quinta-feira, 5, recebeu o conselheiro de Segurança dos EUA, Jake Sulivan, sem ela. O que ele ganha com isso? Indo contra o mundo inteiro? É ridículo e irritante” – Eliane Cantanhêde, jornalista – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Resistência democrática grita: Brasil terá eleições e resultados serão respeitados

“Os manifestos de resistência democrática se multiplicam: de intelectuais, diplomatas, juristas, líderes religiosos e economistas (até o recatado Pedro Malan); de entidades como CNBB, SBPC, OAB e ABI; de parlamentares de vários partidos, incluindo o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL); e do atual, do futuro e dos ex-ministros do TSE. “A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias. O Brasil terá eleições, e seus resultados serão respeitados”, gritam os intelectuais” – Eliane Cantanhêde, jornalista – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Bolha

“É incrível que, a esta altura, com essa montanha de erros e provocações, o presidente ainda consiga promover aglomeração no Planalto (aliás, esmagadoramente masculina) para a cerimônia em que Ciro Nogueira e o Centrão devoraram a “alma do governo”. Isso só comprova que Bolsonaro está vivendo numa bolha, enquanto o Brasil se une para defender a democracia. E se defender dele” – Eliane Cantanhêde, jornalista – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Rachaduras

“Em 64, o apoio empresarial ao golpe foi amplamente majoritário. Foi majoritário, com forte pressão das multinacionais. Acho que hoje já foi majoritário, mas o próprio manifesto já indica rachaduras, mesmo que seja sobre tema político” – José Murilo de Carvalho, historiador e cientista político – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Freio do Centrão

“O presidente está tentando fazer uma “revolução fria”, usando as instituições para implodir por dentro e aos poucos a democracia? Revolução fria não existe. É golpe. As instituições estão reagindo bem, e há o freio do Centrão, que gosta de outras coisas, não de briga” – José Murilo de Carvalho, historiador e cientista político – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

O ‘meu Exército’ é cada vez menos dele

“Golpe?” Diria que no momento não. O conflito mais sério foi o do ministro da Defesa e dos novos comandantes militares, escolhidos a dedo, contra um senador (Omar Aziz, presidente da CPI da Covid). O comandante da Aeronáutica, surpreendentemente, foi o mais agressivo, mas já está pondo panos quentes. Continuo a achar que “o meu Exército”, sem falar nas Forças Armadas, é cada vez menos dele” – José Murilo de Carvalho, historiador e cientista político – O Estado de S. Paulo, 06-08-2021.

 

Vidas em risco

“O crítico americano Clement Greenberg, que dedicou a vida a pensar as artes, dizia que nenhuma obra de arte vale uma vida humana. Ou seja, não há dúvida possível entre salvar uma pessoa da morte ou salvar a “Monalisa” da destruição. Assim poderíamos também avaliar a edição dos Jogos Olímpicos que se encerra. Foram colocadas vidas em risco, e as vidas humanas valem mais que os ganhos que as Olimpíadas nos trouxeram. Ou não valem?” – Úrsula Passos, jornalista e mestre em Filosofia – Folha de S. Paulo, 06-08-2021.

 

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