Lixo eletrônico ameaça saúde de coletores em aterros

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30 Julho 2021

 

O documento The Global E-Waste Monitor 2020 contabilizou que foram produzidos 53,6 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos no mundo em 2019, o que representa uma média de 7,3 quilos por pessoa. A previsão é que esse montante chegará a 74,7 milhões em 2030. No Quênia, artistas aproveitam parte desse lixo para fazer arte, reconhecida internacionalmente.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista. 

Telefones celulares, computadores, impressoras, monitores, eletrodomésticos, televisores, brinquedos são jogados em aterros eletrônicos nos bairros pobres de cidades da África, Ásia e América Latina. Essas áreas estão contaminadas por substâncias tóxicas. Em muitas localidades, crianças, por terem mãos pequenas e habilidosas, são requisitadas para o desmanche de peças reaproveitáveis, mesmo correndo riscos à saúde.

Sem qualquer medida protetiva, crianças nos lixões eletrônicos ou ativas em desmanches ficam expostas a metais pesados, dioxinas e partículas emitidas pela combustão dos produtos descartados. São resíduos que contaminam a terra, a água e o ar. No bairro de Abbogbloshie, em Accra, capital de Gana, milhares de pessoas recolhem de forma artesanal e sem medidas de proteção o lixo jogado em lixões ilegais.

A chefe de Programas do UNICEF Espanha, Blanca Carazo, explicou que o chumbo, presente em baterias de carros e telefones móveis, “é uma neurotoxina que causa sérios danos cerebrais, especialmente em crianças menores de cinco anos, e já foi associada a problemas de saúde mental e comportamental, além de produzir doenças cardiovasculares ou renais”. Crianças, disse, “têm o direito de crescer e se desenvolver em um ambiente limpo e seguro que garanta seu direito à saúde”.

Difundir informações sobre tais perigos é fundamental, também proporcionar alternativas de geração de renda e proteção social, evitando que o lixão seja a única alternativa de ganhos para essas famílias, alertou Blanca. O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, referiu-se a essa situação como “um tsunami de direitos eletrônicos que põe em risco a vida e a saúde”.

Em Dandora, o maior aterro sanitário do Quênia, o lixo se acumula numa extensão equivalente a 12 campos de futebol, onde mais de 4 mil catadores recolhem produtos ainda em condições de uso para vendê-los no mercado de segunda mão.

A artista plástica Joan Otieno começou a usar material recolhido do lixo para criar vestidos, calçados, bijuterias, quadros, ou qualquer objeto que encontra na rua para criar algo “bonito”. Em Nairobi, capital do Quênia, são geradas 2.977 toneladas de resíduos por dia, das quais 74% são jogadas em aterros ilegais e apenas 22% são reciclados.

Otieno abriu seu próprio estúdio de arte e passou a ensinar mulheres locais, jovens e adultas, para que possam alcançar independência econômica com a geração de produtos artísticos. “Estou tentando isso porque creio que as mulheres são os pilares (da sociedade)”, disse.

Alex Mativo é outro jovem artista que implantou o projeto E-Lab em 2013 para dar “uma segunda vida” a materiais encontrados em lixões convertendo-as em arte, como colares, mesas, cadernos, relógios, chaveiros, transformando qualquer lixo eletrônico em peça útil.

“O E-Lab teve um impacto tremendo na minha comunidade (Athirivier, perto de Nairóbi), e um dos resultados do qual mais nos orgulhamos é que removemos 4 mil toneladas de lixo no Quênia, embora seja uma fração pequena de todo o montante que está sendo gerado”, disse ao repórter Rocío Periago, do programa Planeta Futuro do jornal El Pais.

O sucesso do E-Lab foi tamanho que se converteu na marca ética e sustentável global Ethnic, que faz chegar artistas a uma rede global de fábricas responsáveis com o meio ambiente na redução de carbono no processo produtivo.

 

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