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07 Mai 2021

Pierre Luiz

 

 

Rosane Pavam

 

 

Regina Dalcastagnè

Chacina em escola, chacina em favela, genocídio correndo solto.

Esse país está insuportável.


Tatiana Roque

Terrorismo

Mais uma vez a PM causa terror e mortes nas comunidades do Rio de Janeiro. Cláudio Castro desobedece decisão do STF e produz uma chacina no Jacarezinho.

Segundo Daniel Hirata, coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, "ese número de mortes só se compara às chacinas de Vigário Geral [21 mortos, em 1993] e da Baixada [Fluminense em 2005, com 29 mortos], mas provocadas em operações extralegais. É preciso responsabilizar os agentes políticos responsáveis por essa ação"

 

Regina Dalcastagnè

A morte nos cerca, nos acua. Não há consolo possível quando não precisava ser, quando não podia ser. Penso nas mortes por Covid, quando existem vacinas, nas crianças torturadas e assassinadas, nos jovens pobres e negros, nos indígenas, nos LGBTs, nas mulheres mortas todos os dias – tantas mulheres. Não serão/seremos números, não serão/seremos esquecidos, bradamos. Mas seremos, sim. A menos que alguém lembre de nós.

Hoje conheci uma mulher, uma poeta, assassinada pelo marido em 1982, na Paraíba. Ela se chamava Violeta Formiga. Quero lembrar dela, junto com Lau Siqueira, porque não conseguirei lembrar de todos que estamos perdendo.

Leiam sobre ela, leiam alguns poemas dela aqui.

 

 

Adriano Pilatti

Sob o signo da morte, acuada pelos fatos, a ratazana dirigente parte para novos (ainda que de antemão envelhecidos) arreganhos: não contente em atentar ininterruptamente contra a vida, a saúde e o bom senso, volta a ameaçar as instituições democráticas e a comprometer os interesses nacionais nas relações internacionais. Seus surtos são já previsíveis: sobrevinda alguma contrariedade relevante, basta contar as horas e os arreganhos virão.

A sustentar a abjeta figura, num campo que se vai estreitando a olhos vistos, lá estão o patronato escravista, o fundamentalismo religioso com fins lucrativos, a delinquência miliciano-policial e uma horda de imbecis onanistas, enfermos de ódio, ressentimento e fanatismo. Eis, de corpo inteiro, a República dos Patifes. Com todas suas forças, ela luta para destruir a outra República, a do Estado Democrático de Direito - e dos direitos. E vem contando, até aqui, com a inacreditável complacência dos que dominam as instituições que deveriam interromper de vez essa era de insanidade física e mental.

O sacrifício do grande artista popular que perdemos ontem de alguma forma catalisou a indignação surda contra todo esse descalabro. O choro sentido dos humildes indica que, para milhões, foi como se alguém “da família” lhes tivesse sido arrancado. Pelos atalhos da emoção, essa perda parece ter permitido uma abertura de percepção que todos os esforços da razão não conseguiram até aqui produzir. Num paralelo doloroso, talvez tenhamos aí o “Caso Herzog” da pandemia, a gota d'água, a lágrima, a pedra no lago até aqui faltante.

Enquanto isso, a CPI do Extermínio segue seu curso, desnudando as evidências de que o patife governante assumiu o risco de produzir centenas de milhares de mortes, previstas com notável precisão nos alertas que lhe foram feitos. E confirma que dois ministros caíram por resistirem ao exercício do charlatanismo pela via do SUS, por não coonestarem o criminoso combate presidencial ao distanciamento social e a outras medidas protetivas, por se recusarem a abrir mão das orientações científicas voltadas à preservação da vida e da saúde de todo um povo.

Ex-membros do MPF, em representação conjunta, e uma comissão de juristas criada pela OAB, num parecer arrasador, já constataram o caráter criminoso de atos e omissões presidenciais: crimes comuns no primeiro caso, crimes comuns, de responsabilidade e contra a humanidade no segundo. O Tribunal de Contas da União vem de produzir um relatório igualmente contundente. Os elementos para uma ação institucional mais efetiva estão todos postos. O que falta é a decantada “vontade política” no Congresso Nacional, o que falta é a vontade de bem cumprir seus deveres institucionais na Procuradoria-Geral da República e, em parte, na própria corte suprema.

Quem pode agir e insiste em ser cúmplice por omissão precisa lembrar que o amanhã é sempre incerto, e que tudo que é sólido desmancha no ar. A recusa em poupar a vida de centenas de milhares, a recusa em extirpar da vida pública a causa primeira da situação infernal que nos atormenta poderá custar muito caro amanhã. Porque este amanhã virá, e se a onda de comoção que se está formando se avolumar, virá muito antes do que se supõe.


Idelber Avelar

Matéria de Beatriz Drague Ramos e Jeniffer Mendonça sobre a chacina de hoje. Um trecho:

Fransergio Goulart, da Coordenação Executiva da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial da Baixada Fluminense, criticou veementemente a operação de hoje. ‘Essa barbárie que aconteceu no Jacarezinho, ou seja, são 23 mortos, mas a gente que tem os contatos com os moradores, com esse territórios, sabemos que esse número é muito maior do que 23’, diz.

Ele lembra que novamente o governo do Rio de Janeiro descumpriu a liminar deferida pelo ministro Edson Fachin e referendada pelo plenário da corte que proibiu operações policiais nas comunidades durante a pandemia da Covid-19, a partir da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 635, conhecida como ‘ADPF das Favelas’. ‘É a barbárie da barbárie, é a chacina, é o descumprimento dessa cautelar do STF, ou seja, a polícia, o governador do Estado está pouco se lixando, para essa liminar’.”

 

 

Faustino Teixeira

"Os romeiros pedem com os olhos,
pedem com a boca, pedem com as mãos.
Jesus já cansado de tanto pedido
dorme sonhando com outra humanidade"

Carlos Drummond de Andrade

Romaria

 

 

 

Tania Elisa Boldrini

 

Idelber Avelar

Bom dia para você que acordou com o maior massacre da história da polícia que mais mata no mundo.

Imagine o trauma de ter seu casamento perturbado porque a polícia está executando gente ao seu redor. Imagine o trauma da mãe com cesárea programada. Imagine a quantidade de gente enlutada e marcada para sempre.

É um projeto diário de extermínio.

 

 

 

Jornalistas Livres

Por Aziz

 

 

Marta Gustave Coubert Bellini

 

 

Faustino Teixeira

"Apenas na solidão pode-se descobrir que o diabo não existe. E isto significa o infinito da felicidade. Esta é a minha mística"

Guimarães Rosa

 

Catequese-Áreadjosé Elias Chaves

No próximo dia 11/05, será apresentado em Roma o “Motu Proprio” “Antiquum ministerium", com o qual o Papa Francisco institui o Ministério do Catequista. Isso mesmo, nossos catequistas serão reconhecidos não apenas com um ministério confiado, mas com um ministério instituído. A Igreja reconhece, valoriza e apoia esta multidão de homens e mulheres que fazem ecoar a Palavra de Deus.

Parabéns Catequistas!

 

 

Fernando Altemeyer Junior

Luiz Alves de Lima. Catequese finalmente reconhecida como ministério da palavra. Aleluia! Viva Francisco. Desclericalizando e reconhecendo o chamado do Espírito Santo.

 

Vanildo Bibiu Rikbakta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O povo Rikbaktsa

Nós, o povo Rikbaktsa, temos nosso próprio indioma, classificado no tronco linguístico Macro-jê. Nosso nome significa "gente guerreira". Somos habitantes imemoriais da bacia do rio Juruena, no estado de Mato Grosso, na região centro Oeste do Brasil. Temos três terra indígenas demarcada e homologada: a T.I. Rikbaktsa com 79.934,801 hectares; a T.I. Japuíra, contígua à primeira, com 152.509,88 hectares e, um pouco mais ao Norte, separada destas duas terra indígenas, ocupamos também a T.I. do Escondido, com 168.938,468 hectares. Nossa população distribui-se nesse território.

Fomos envolvidos pela chegada dos seringueiros durante a década de 1940 e 1950 quando eles invadiram as florestas dos rios Juruena, Sangue, Arinos e Aripuanã. Até o final da década de 1950 houve muitos conflitos armados, com violência e mortes, até conseguirmos amansar os brancos através do primeiro contato pacífico realizado com o Pe. João Dornstaudter em 1957.

Naquela época, nós vivíamos em mais de 50 aldeias. Nosso território tradicional se espalhava pela bacia do rio Juruena: ao Sul desde a barra do rio Papagaio, ao Norte, até depois do Salto Augusto no alto Tapajós; a oeste alcançava o rio Aripuanã e a leste o rio Arinos, na altura do rio dos peixes, numa região de mais de 50 mil km2. Percorríamos as longas distâncias pelos rios Aripuanã, Arinos, Sangue, Juruena e Papagaio. E também caminhávamos a pé pelos trilhos até a altura das cabeceiras dos córregos.

Nossos anciões afirmam que nessa época havia muitas aldeias espalhadas por essa região, conforme são apontadas várias delas no mapa do nosso território tradicional. Os mais velhos dizem que éramos aproximadamente 5.000 mil pessoas.

A partir da "pacificação", financiada pelos seringalistas e realizada pelos jesuítas entre 1957 e 1962, nosso território tradicional passou a ser ocupado pelos seringueiros, madeireiros, empresas mineradoras e agropecuárias. A paz foi fatal para nós, pois o início do contato com os homens brancos trouxe muitas doenças como gripe, catapora, sarampo, tuberculose e malária causando epidemias violentas, dizimando quase totalmente o nosso povo. Em 1969, de acordo com levantamento da Missão Anchieta, éramos apenas 250 sobreviventes!

Perdemos quase toda nossa terra e a boa parte das crianças pequenas, a maioria órfãs, foram retiradas das aldeias e levadas para o Internato Jesuítico de Utiariti, no rio Papagaio, a quase 200 kms de nossa área, educadas junto com crianças de outros grupos indígenas também contatados pelos missionários e era proibido falar nossa própria língua.

Os adultos sobreviventes foram sendo pouco a pouco transferidos de suas aldeias tradicionais, espalhadas espalhadas por nosso território, para aldeias maiores e mais centralizadas sob a direção catequizadora dos jesuítas. Em 1968 foi demarcada a Terra Indígena Rikbaktsa ( cerca de 10% de nosso território original), mas só em 1974 os jesuítas conseguiram trazer todos para dentro dessa terra, pois muitos queriam permanecer nas suas aldeias de origem em outras partes do nosso território.

A partir do início dos anos 1970 a atuação missionária se modificou, ficou menos autoritária, reconheceu o direito dos povos indígenas à sua cultura e abriu espaço para maior autonomia de nosso povo. No início da década de 1970 o Internato de Utiariti foi sendo desativado, as crianças foram levadas de volta para as aldeias e a atuação missionária se concentrou na terra demarcada.

Desde o final dos anos 70, mais recuperados dos impactos do contato, passamos a lutar pela recuperação de parte de nossas terras. Em 1985 conseguimos retomar a região conhecida por Japuíra. Continuamos nossa luta pela região do Escondido, demarcada pelo Estado brasileiro só em 1998.

A luta por Japuíra e Escondido

No dia 8 de maio de 1985 trinta guerreiros Rikbaktsa tomaram posse do retiro e da sede da Fazenda São Marcos, retirando seus 8 empregados e levando-os até à vila do Empreendimento Juruena, uma hora de barco rio Juruena abaixo. O proprietário (Sr.L....T....), tinha se apossado do campo de pouso, das árvores frutíferas, das derrubadas e do pasto que existiam no posto da Missão e na aldeia da região do Japuíra.

Com a retomada do Japuíra logo muita gente foi para lá, reforçar a ocupação e começar os trabalhos para abertura de nova aldeia.

Porém, dois meses depois, a mando da FUNAI, o antropólogo Célio Horst visitou a área para nos convencer a abandonar a terra até a aprovação da demarcação, cujo relatório ainda estava em estudo.

Na volta a Brasília fez acusações, declarando que foi ameaçado pelos índios e pelo padre Balduíno e que os índios visavam invadir outras fazendas, pedindo reforço policial. Assim, em 31 de julho os Rikbaktsa são atacados no Japuíra por uma força de 50 soldados, armados de fuzis e metralhadoras, especializados em luta antiguerrilha na selva. Para evitar uma guerra, os Rikbaktsa foram obrigados a sair da terra mais uma vez.

A partir daí uma comissão de lideranças Rikbaktsa ficou em Brasília durante 4 meses, batalhando todos os dias nos órgãos do governo o reconhecimento dos seus direitos, até que no dia 28 de novembro de 1985 foi assinado o decreto de criação da Terra Indígena Japuíra.

Com nossas terras demarcadas e homologadas, nós passamos a nos reorganizar.

Abrimos aldeias no Japuíra e Escondido, desenvolvemos a nossa educação escolar investimos na formação de professores indígenas Rikbaktsa e hoje há escolas em quase todas as aldeias, todas dirigidas por professores indígenas, vários deles formados em universidades, alguns já iniciando o mestrado.

Também ao longo do tempo formamos agentes indígenas de saúde e técnicos em saúde indígena e saneamento, os quais hoje trabalham nas equipes de saúde em nossas terras.

Apesar da forte pressão de fora, nós Rikbaktsa nunca permitimos a exploração de madeira e garimpo em nosso território. Nossa economia sustenta-se ainda em grande parte nas atividades tradicionais: agricultura, pesca, caça, coleta e extrativismo, comércio de castanha e artesanato. Temos também muita gente empregada na educação como professores e na saúde como agentes de saúde indígena e outros cargos.

Atualmente sofremos as consequências do adensamento populacional na região, do aumento do desmatamento no entorno de nossas terras, do agrotóxico jogado na natureza e nas águas e dos projetos hidrelétricos em andamento, que trazem novas ameaças a nosso modo de vida.

É nesse contexto que fizemos esse Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Povo Rikbaktsa, como ferramenta fundamental para o enfrentamento de nossos problemas atuais e para o planejamento de nossa vida para o futuro próximo e mais distante.

Os objetivos de Planos de Gestão Territorial e Ambiental do povo Rikbaktsa, são os de estabelecer ações prioritárias e acordos internos que permitam a manutenção da cultura, a proteção e controle territorial, o manejo sustentável dos recursos naturais, a geração de alternativas econômicas e de renda, e a ampliação do diálogo com instituições governamentais e não governamentais.

 

Geografias Memoráveis

 

Níveis de organização de um ecossistema

Ecossistema é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente.

Um ecossistema é formado por dois componentes básicos: o biótico e o abiótico. O primeiro diz respeito aos seres vivos da comunidade, tais como plantas e animais. Além dos componentes bióticos, temos os componentes abióticos, que são as partes sem vida do ambiente, como o solo, a atmosfera, a luz e a água.

Os ecossistemas podem ser observados em diferentes escalas. O maior ecossistema existente é a própria biosfera, que corresponde a todos os locais do globo onde existe vida. Outro exemplo são as florestas tropicais, que se destacam por sua grande biodiversidade.

FONTE: @ibsustentabilidade


Faustino Teixeira

"Agora eu sou um homem velho de quase 80 anos de idade, com outras energias. Aquelas energias antigas estão atenuadas, já se submeteram ao escoamento natural nos afluentes da força juvenil e já desembocaram neste grande estuário que é a condição velha de existir. São exigências muito diferentes de quando estive preso na cela de uma cadeia do momento atual. Por exemplo: naqueles dois meses de prisão eu acabei sendo tomado por uma volúpia mínima de pensar, escrever e exercer a minha condição humana, e isso resultou em algumas canções. Agora é outra história. Eu fico aqui tocando o meu violão, tranquilo. Alguma coisa pode resultar desses períodos vividos um pouco na Bahia, aqui em Itaipava (região serrana do Rio) ou em Copacabana, fruto desse estreitamento da possibilidade de viver. Mas a volúpia, a busca dessa resultante, não é a mesma daquela época. É outra forma de quietude."

Gilberto Gil - El Pais

 

 

Poesias, trechos e frases

 

 

Faustino Teixeira

"Sou místico, pelo menos acho que sou (...). Nós sertanejos somos muito diferentes da gente temperamental do Rio ou da Bahia, que não pode ficar quieta nenhum minuto. Somos tipos especulativos, a quem o simples fato de meditar causa prazer. Gostaríamos de tornar a explicar diariamente todos os segredos do mundo (...). E também choco meus livros. Uma palavra, uma única palavra ou frase podem me manter ocupado durante horas ou dias. Por isso não preciso de um escritório. Gosto de pensar cavalgando, na fazenda, no sertão; e quando algo não fica claro, não vou conversar com algum douto professor, e sim com alguns dos velhos vaqueiros de Minas Gerais, que são homens atilados. Quando volto para junto deles, sinto-me vaqueiro novamente, se é que alguém pode deixar de sê-lo"

Guimarães Rosa

 

 

Luiz Carlos Bombassaro

R.I.P. Humberto Maturana, um dos mais brilhantes cientistas e um dos intelectuais mais importantes do nosso tempo, está de volta à Unidade primordial!

 

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