Índia retém doses. Os países mais pobres estão em crise. “O mundo inteiro em risco”

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07 Abril 2021

As entregas de vacinas do plano de Covax estão paradas em 2% depois que Nova Déli interrompeu as exportações. O alarme dos virologistas: "Um ano para vencer a pandemia ou novas variantes irão dominar".

A reportagem é de Letizia Tortello, publicada por La Stampa, 06-04-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Cento e três mil infecções em vinte e quatro horas e a Índia, que ontem viveu o dia mais sombrio desde o início da pandemia, fecha as torneiras da AstraZeneca para o mundo. O bloqueio do governo de Narendra Modi coloca em crise os programas globais de imunização. Com atrasos de semanas e o risco de tornar inúteis os esforços para combater o novo coronavírus antes que variantes agressivas e resistentes entrem em circulação.

O bloqueio atinge a Europa e também os estados do programa Covax, a aliança liderada pela OMS com Cepi e Gavi Alliance (parceria público-privada) para distribuição do medicamento anti-Covid em 92 países do segundo e terceiro mundo. Mal começou e o plano já parou. Apenas 36 milhões de doses das 2 bilhões previstas até o final de maio, ou seja, 1,8% do total, foram distribuídas até agora. Os países que a recebem, da América do Sul ao Sudeste Asiático e à África, respondem por mais da metade da população mundial, 4 bilhões de pessoas. O objetivo é dar a possibilidade a muitos governos que não comprariam a vacina de proteger pelo menos a população mais carente e idosa.

De onde vêm as vacinas. A Covax, se abastece com dois fornecedores: o Serum Institute, o maior fabricante mundial de vacinas com sede na Índia e que tem um contrato exclusivo com a AstraZeneca, e em menor extensão com a Sk Bioscience da Coreia do Sul. Mas a Índia parou de exportar há vinte dias, escolhendo a linha do nacionalismo vacinal para imunizar 300 milhões de pessoas até o final de julho.

Na pandemia, ninguém está seguro até que os outros estejam. O Papa Francisco disse isso na mensagem pascal: “No espírito de internacionalismo das vacinas, exorto a comunidade internacional a um compromisso comum para superar os atrasos na distribuição e favorecer o compartilhamento, especialmente com os países mais pobres”. Cada mês de epidemia, segundo estimativas do FMI, custa à economia global US $ 500 bilhões. Até agora quase uma em cada duas vacinas (45%) foi para países ricos, que representam 18% da população do planeta. Um por cento das doses produzidas chegou à África, que representa 13%. Uma desigualdade que a Covax deveria reduzir.

Mas, dos dez maiores beneficiários, apenas a Nigéria consegue vacinar mais ou menos de acordo com os planos. Atrás, mas não tão ruim, também a Etiópia e a República Democrática do Congo, enquanto Paquistão, Egito, México e Bangladesh continuam parados, também devido às ineficiências do fornecedor sul-coreano. Indonésia, Brasil e Filipinas receberam apenas 10% da entrega estipulada e tiveram que se arranjar para comprar autonomamente da China.

Seth Berkley, CEO da Gavi, se define como "decepcionado" com os graves atrasos que vão durar "até o final de abril". Matteo Villa, analista do ISPI, explica que “nos primeiros meses da vacina é normal que as doses cheguem aos estados mais ricos, onde vive a população mais idosa. O objetivo é reduzir a letalidade”.

Na Europa, a idade média é de 46 anos, na África subsaariana 18; na Itália, 8% da população tem mais de 80 anos, 1% na Índia, 1,6% no México, 0,4% na África. No entanto, acrescentam do ISPI, "a desigualdade na distribuição com o passar dos meses será um grande risco, porque se o vírus continuar a circular onde tem maior probabilidade de sobreviver (nos países mais jovens), isso o fortalecerá com as mutações". Isso é afirmado em uma pesquisa da People's Vaccine Alliance que conversou com 77 virologistas: "Temos no máximo um ano para evitar anular a eficácia das vacinas de primeira geração e conter as variantes".

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