Papa Francisco defende sua viagem ao Iraque em meio à pandemia: “Consciente dos riscos”

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09 Março 2021

 

O Papa Francisco defendeu nessa segunda-feira, 08-03, sua histórica viagem ao Iraque, apesar da possibilidade de disseminar o coronavírus no país, dizendo que estava “consciente dos riscos”, mas esperando que Deus protegesse as pessoas da infecção.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 08-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em uma conferência de imprensa a bordo do voo papal de volta para Roma, depois de três dias de visita, a primeira pontifícia ao Iraque, Francisco disse que ele estava indeciso sobre a viagem, mas rezou longamente. Ele disse que a decisão veio a ele “do além”.

“Eu rezei muito sobre isso”, falou o papa aos jornalistas. “E no fim, eu tomei a decisão, livremente”.

“Ela veio do além”, continuou Francisco. “Eu disse: ‘se me permites decidir dessa forma, olhe para o povo’”.

Francisco também respondeu durante a coletiva às críticas dos católicos conservadores sobre seu foco nos últimos anos em procurar o diálogo cristão-muçulmano, dizendo que ele estava apenas seguindo o caminho estabelecido pelo Concílio Vaticano II, 1962-65.

O papa disse que ele sabia que seria criticado por ter uma primeira espécie de reunião no Iraque com o grande Aiatolá Ali al-Sistani, um dos clérigos mais influentes do islã. Ele disse que alguns o chamaram de “imprudente” ou o acusaram de “dar passos contrários à doutrina católica”.

“Esses são os riscos”, disse o pontífice. “Mas essas decisões você toma sempre em oração, em diálogo, pedindo conselhos”.

“Isso não é um capricho”, disse Francisco sobre o caminho do diálogo. “E, também, isso está alinhado ao que o concílio nos ensinou”.

A viagem de Francisco ao Iraque incluiu visitas a seis cidades ao longo do país. O foco estava no diálogo cristão-muçulmano e no apoio à comunidade cristã minoritária, a qual foi perseguida pelo brutal regime terrorista imposto pelo Daesh em partes do país de 2014 a 2017.

Embora os organizadores locais e do Vaticano tenham dito que o distanciamento social foi rígido e os protocolos de prevenção postos em prática em cada um dos eventos da viagem – a primeira de Francisco em 15 meses, devido à pandemia – essas medidas apareceram um pouco relaxas em vários momentos da visita.

Em uma missa na catedral caldeia de São José, em Bagdá, por exemplo, destacada por uma reunião de 250 pessoas em um espaço fechado. Embora a maioria estivesse usando máscaras, eles estavam sentados a uma distância menor que 1,5 metros. Quando o papa visitou Qaraqosh, em 07 de março, a maior parte da multidão estava sem máscara, aglomerada nas ruas da cidade por várias quadras, na esperança de vê-lo.

O papa e aqueles que viajaram com ele foram vacinados pelo Vaticano antes da jornada.

Francisco falou aos jornalistas que ao considerar uma visita a qualquer país ele tira um tempo para ouvir conselhos e rezar.

“E então a decisão vem do além”, afirmou o Papa. “Isso vem, espontaneamente, mas como uma fruta madura”.

Ao escolher se iria ao Iraque, Francisco disse que considerou “todos os problemas, que eram muitos. Mas no final, a decisão veio e eu tomei”.

Francisco disse que seu encontro com al-Sistani, a quem muitos iraquianos consideram uma voz política e espiritual influente, “fez bem à minha alma”. O papa disse que durante o encontro de 45 minutos ele sentiu que estava com “um grande homem, um homem sábio, um homem de Deus”.

Alguns dos momentos mais dramáticos da viagem de Francisco ao Iraque ocorreram em 7 de março, quando o pontífice visitou Mosul e Qaraqosh, duas cidades que foram invadidas pelo grupo do chamado Estado Islâmico (Daesh, para os locais) e em grande parte destruídas pelos terroristas.

Francisco disse que sua visita a uma praça em Mosul contendo os destroços de tijolos cor de areia de quatro igrejas destruídas o deixou incapaz de descrever seus sentimentos. “Não tenho palavras”, disse ele aos jornalistas. “Não se pode acreditar”.

O papa disse que queria principalmente perguntar como os combatentes do Daesh obtiveram as armas capazes de causar tal destruição. “Quem vende as armas?”, perguntou. “Quem são os responsáveis?”.

Questionado sobre o próximo destino de sua viagem ao exterior, Francisco disse que se comprometeu a ir à Hungria em setembro para o Congresso Eucarístico Internacional, que deveria ter sido realizado em 2020, mas foi adiado devido à pandemia.

O papa disse que também fez uma promessa de visitar o Líbano, mas não tinha certeza de quando isso seria possível devido à contínua crise política do país.

Francisco confessou, no entanto, estar se sentindo “muito mais cansado” no Iraque do que em suas 32 visitas anteriores ao exterior. “Os 84 anos não vêm sozinhos”, disse ele, em uma aparente referência a seu sofrimento de ciática, uma condição dolorosa nas costas que agora o obriga a mancar.

Um jornalista lembrou ao papa, agora no oitavo ano de seu papado, como ele havia dito em 2015 que esperava ter um pontificado curto. Francisco apenas sorriu em resposta, estendendo os dedos cruzados.

 

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