1º domingo da quaresma - Ano B - O tempo da graça é hoje

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Por: MpvM | 19 Fevereiro 2021

 "Jesus, ao anunciar o Reino de Deus, assume que irá passar pela paixão e morte de cruz. Ele escolhe ser fiel nas periferias e longe dos projetos religiosos e políticos que O impedem de realizar sua missão de anunciar e implantar o Reino de Deus."

A reflexão é de Celia Soares de Sousa, leiga, casada e mãe. Ela possui graduação e bacharelado em geografia pela Pontifícia Universidade de São Paulo, graduação em teologia pela Faculdade de Teologia N. Sra. Assunção (1999), mestrado em Teologia Sistemática pela PUC-SP (2013), concentração em Dogmática e pós-graduada em mariologia pela Faculdade Dehoniana e Academia Marial de Aparecida (2020). Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em teologia bíblica, pastoral e dogmática, especialmente na formação de leigos e leigas.

Leituras do Dia
1ª Leitura - Gn 9,8-15
Salmo - Sl 24,4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. cf. 10)
2ª Leitura - 1Pd 3,18-22
Evangelho - Mc 1,12-15

 

O tempo da Quaresma nos convida, como Igreja, para “progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”, como nos convida a Oração do Dia, deste primeiro domingo da Quaresma.

O termo “quaresma” nos remete ao número 40: 40 dias e 40 noites: o número 40 na Bíblia está relacionado à penitência: o povo de Deus passou 40 anos no deserto (Dt 8,2); Moisés passou 40 dias e 40 noites na montanha com Deus (Ex 24,18): ou para jejuar (Ex 34,28); Elias caminhou 40 dias e 40 noites até o Monte Horeb (1Rs 19,8), etc.

As leituras deste domingo mostram a face de um Deus amoroso, companheiro, e caminheiro com a humanidade, com sua história, seus limites, com suas alegrias e tristezas. É um Deus que se apresenta com o objetivo de realizar uma Aliança de amor com todas as pessoas e com toda a criação, pois “tudo está interligado nesta Casa comum”.

A narrativa do dilúvio (Gn 9,8-15), inspirada nas inundações provocadas pelos grandes rios do Oriente Médio antigo, pode ser compreendida no sentido simbólico de um caos, uma catástrofe na história. O autor do livro de Genesis 9,8-15 compara o dilúvio como as más ações produzidas pelas pessoas que pretendem ser autossuficientes e, com isso, promovem o caos na vida de muitas outras pessoas e no mundo.

Então, qual será o motivo de Deus fazer aliança com Noé? Ele representa as pessoas justas e que se mantiveram fiéis a Deus e a seu Projeto de vida e libertação. A promessa de Deus é, que pelas pessoas que se convertem, mudam de vida e se comprometem com a Sua justiça, não haverá injustiça, o pecado, nem a morte, ou seja, não haverá mais dilúvio.

Parafraseando o texto base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, façamos uma primeira parada para nos perguntar se ainda hoje há catástrofes provocadas por mãos e planejamentos humanos? Se há uma parcela da população passando fome, desempregada, sofrendo diversos tipos de violência, como podemos manter uma convivência fraterna na diversidade, representada pelas cores do arco íris, na nossa realidade.

O salmo 24 tem palavras que recordam a aliança: o caminho (8,9), direito (9), amor e verdade, aliança (14), etc. O Deus deste salmo é, mais uma vez, o aliado do pobre explorado e oprimido. É ao mesmo tempo um Deus bem próximo da sua realidade. Ele faz memória do Deus que tirou seu povo do Egito da terra da escravidão. Com confiança o salmista faz os pedidos para que Deus mostre os caminhos, oriente, conduza, para que as pessoas recordem a ternura de Deus, que Deus reconduza os pecadores ao bom caminho, pois ele confia que Verdade e amor são os caminhos do Senhor.

Na segunda leitura (1Pd 3,18-22)  a simbologia da arca e da água são usadas para que as comunidades façam o discernimento se irão optar pelo caminho de Cristo, Aquele que morreu por nossos pecados, ou irão seguir os ensinamentos dos grego-romanos que hostilizavam os que testemunhavam a fé em Jesus. A arca e a aliança também se aproximam do batismo, e este, diz a carta “não serve para limpar o corpo da imundice, mas é um pedido de Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pd 3, 21).

Segunda parada: O batismo nos faz pessoas novas em Cristo. Obter uma boa consciência hoje exige de nós novas atitudes de acolhida e de respeito, de cuidado e de atenção sobretudo as pessoas mais vulneráveis a todo tipo de descaso, violência e mortes.

O evangelista Marcos (Mc 1,12-15) traz em sua narrativa que Jesus, depois de ser batizado por João Batista foi conduzido pelo Espírito para o deserto. No deserto Jesus irá vencer as tentações de satanás. Importante lembrar que o Espírito não conduz Jesus a Satanás. No evangelho de Lc 4,18 Jesus leu a passagem do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” portanto, o Espírito conduz toda a vida e a missão de Jesus.

É na Galileia que Jesus inicia sua missão. Ele prega a Boa notícia de Deus, o Evangelho, dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Hoje são muitas as Galileias que precisam da presença libertadora de Jesus.

Por isso, o tempo da graça (kronos) é hoje.

É tempo de cuidar dos samaritanos caídos pela estrada, tempo de criar pontes da unidade na diversidade, e destruir os muros que separam e criam inimizades.

É tempo de olhar para as pessoas desempregadas sem o mínimo de sobrevivência. Tempo de olhar para a violência doméstica que ameaça, sufoca e mata crianças, adolescentes e mulheres. Tempo de denunciar as situações de catástrofe criadas pelo governo.

É tempo de assumir os objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021: “superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso; de comprometer-nos com as causas que defendem a casa comum; denunciando a instrumentalização da fé em Jesus Cristo que legitima a exploração e a destruição socioambiental; contribuir para superar as desigualdades; animar o engajamento em ações concretas de amor ao próximo; promover a conversão para a cultura do amor, como forma de superar a cultura do ódio; fortalecer a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural e compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno” (Texto base da CFE, n.3) .

É tempo de exigir vagas nos hospitais, oxigênio e vacina contra o vírus da Covid19.

Jesus, ao anunciar o reino de Deus, assume que irá passar pela paixão e morte de cruz. Ele escolhe ser fiel nas periferias e longe dos projetos religiosos e políticos que O impedem de realizar sua missão de anunciar e implantar o Reino de Deus.

Nesta parada final o convite é para a conversão, do grego metanoya, uma mudança verdadeira do coração e nas ações, para vencer as tentações e permanecer no caminho de Jesus e com Jesus. Rejeitar o caminho do mal que leva ao sofrimento, ao fechamento, a discriminação, ao racismo, a xenofobia, e promover em nós uma verdadeira atitude de diálogo ecumênico, de unidade em Cristo que é nossa Paz para corresponder ao seu Amor oferecido a todas as pessoas. Ele nos une em seu amor. O que estava dividido, unidade ele faz.

 

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