6º domingo do tempo comum - Ano B - A compaixão que liberta

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Por: MpvM | 12 Fevereiro 2021

A reflexão é de Maria Heloísa Helena Bento, SND, religiosa da Congregação das Irmãs de Notre Dame, SND. Ela cursa Teologia na Pontifícia Universidade Católica do rio de Janeiro - PUC-Rio e é assessora do Ensino religioso do Colégio Notre Dame Ipanema Rio de Janeiro e Farmacêutica no CMS Necker Pinto, Ilha do Governador – RJ.

Leituras do Dia
1ª Leitura - Lv 13,1-2.44-46
Salmo - Sl 31,1-2.5.11 (R.7)
2ª Leitura - 1Cor 10,31-11,1
Evangelho - Mc 1,40-45

Na liturgia de hoje, a primeira leitura (Lv13, 1-2. 44-46) nos apresenta o diálogo entre o Senhor, Moisés e Aarão. Ele especifica a forma, maneira como agir com o enfermo, neste contexto o possuidor de alguma lesão na pele que poderia transformar-se em lepra, bem como a maneira como o enfermo tem que se portar em relação à comunidade. A lepra torna impura a pessoa, que não pode mais participar do culto, e a exclui da comunidade.

O leproso era levado ao sacerdote que atestava ou não a enfermidade. Uma vez atestada, consequentemente esse enfermo deveria ser segregado do grupo que fazia parte, pois, além de doente, essa pessoa por sua impureza era mal vista pela sociedade. Ela deveria vestir-se de outra forma e ter uma postura diferente em relação aos demais. Mas, não só. Ele deveria gritar: “impuro! Impuro!” para manter afastadas de si as outras pessoas, uma vez que a lepra era uma doença altamente contagiosa, não havia medicamentos que pudessem combatê-la e, também, havia a associação com a situação de pecado.

Os capítulos de Levítico 13—14 nos trazem que uma cura de lepra tinha de ser comprovada pelos sacerdotes e confirmada através de uma oferenda, antes que o curado pudesse voltar ao convívio da sociedade. Aquele que era acometido pela doença, sofria na pele a dor de ser excluído e desprezado e no coração a dor por amar e não poder estar junto.

Na segunda leitura (1Cor 10,31-11,1), Paulo nos exorta a fazer tudo pela glória de Deus e em benefício ao próximo. Nos fala de respeito às diferenças e no versículo 26 ele afirma: pois, a terra e tudo o que ela contém pertencem ao Senhor.

No Evangelho (Mc 1, 40-45), Jesus, movido pela compaixão, nos revela um Deus que não exclui ninguém, trata da cura de um leproso. A passagem nos traz alguns detalhes que devemos olhar com atenção: o leproso foi até Jesus, Jesus é movido pela compaixão e toca no homem, e por fim, o homem curado não guarda segredo.

O leproso foi até Jesus, porém a lei ordenava, dizia que ele deveria se manter afastado e revelar a sua situação aos gritos, para que ninguém chegasse perto, se contaminasse e se tornasse igualmente impuro. Ele quebra essa regra, deixando transparecer que ele não encarava de forma passiva a exclusão imposta por uma interpretação mal feita da Lei e, acima de tudo, ele reconhecia o poder de Jesus.

Jesus, movido pela compaixão, toca o homem que, a partir daquele momento, torna-se purificado. A compaixão o move até o outro, Ele não precisava tocar, mas o toca, e a partir daí o milagre acontece, há uma quebra de uma postura preconceituosa, que impede a aproximação, o olhar nos olhos, o diálogo, e assim o homem é purificado de sua enfermidade. Aqui é demonstrado o Seu poder e Sua autoridade sobre os preconceitos da sociedade. A compaixão de Jesus não só liberta aquele homem, mas tem a intenção de promover sua saúde mental, em que todo ser viveria em iguais condições.

Mas isso não bastava para que esse homem fosse reintegrado à sociedade. A restauração integral de uma pessoa exige a participação dos membros da comunidade. A comunidade é corresponsável por restabelecer a dignidade daquele homem que vivia em uma espécie de “apartheid”. E para que esse homem fosse aceito novamente era necessário que antes ele fosse até o sacerdote, cumprindo aquilo que era prescrito por lei. No versículo 43, Jesus o adverte severamente que vá mostrar-se ao sacerdote e apresentar a oferenda prescrita por Moisés e o despede. O texto nos revela a imagem de um Jesus humano, irritado com a situação. Alguns autores defendem que a irritação de Jesus não era com o leproso, mas sim com os leprosos de fato, que são as pessoas com o coração endurecido, incapazes de misericórdia, incapazes de aceitar a reintegração, incapazes de ver na pessoa do outro a própria imagem do Cristo. Essas pessoas julgam, apontam e se acham detentoras da verdade.

Jesus pede que aquele homem guarde segredo, mas ele não o faz, pelo contrário, sai falando com todos, divulgando aquilo que havia acontecido em sua vida. Por que ele não obedeceu? Será que a decepção com as autoridades era tão grande que, para ele, a Lei, o tempo e espaço adquiriram outro significado? Essa desobediência, o anúncio fora de hora fez com que Jesus não pudesse mais entrar na cidade, porém, paradigmaticamente transforma aquele homem em um modelo de discípulo.

Na pedagogia de Jesus ao retornar aos sacerdotes e autoridades todos chegariam ao mesmo ponto de partida, que seria a imagem de um Deus misericordioso que se revela na sua pessoa. De repente, os planos tomaram outros caminhos. Nem por isso o Reino deixou de ser anunciado.

Se por um lado não devemos nos conformar com os lugares já predefinidos pela sociedade, que muitas vezes faz com que segreguemos até os nossos sentimentos, por outro, devemos agir com o outro, com aquele outro próximo ou não, com a mesma compaixão de Jesus, sem o medo da contaminação, da perseguição, percebendo naquele outro, o filho, a filha tão amada do Pai.

 

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