Natal de Jesus: uma Luz resplandecente para um mundo envolto em sombras

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Por: MpvM | 18 Dezembro 2020

"Eu gostaria de lhes fazer um convite nesta Noite SantaVamos sair! Vamos até Belém! Caminhemos à luz da estrela e ao ritmo da música dos coros de anjos que nos acompanham.

"Mas, quero alertar para algumas coisas: no caminho não estaremos sozinhos. Tem gente humilde que, como nós, ouviram dizer que em Belém encontraremos a esperança. São os pastores e pastoras que guardam o rebanho. Eles entendem muito de escuridão, de caminhar pelo meio de pastos e dos perigos do caminho. Estaremos bem acompanhados. A palavra de ordem é não ter medo.

Ah! Quero ainda fazer outra alerta: no caminho em direção a Belém tem muitas cercas. Lá também existe a realidade dos latifundiários que cercam suas propriedades para que ninguém entre nelas. Teremos que dar muitas voltas ou abaixar-nos para passar debaixo dessas cercas."

A reflexão é de Virma Barion, religiosa da Congregação Carmelitas da Caridade de Vedruna. Ela é teóloga, biblista e atua na formação pastoral e em assessorias teológicas.

Leituras do Dia
1ª Leitura - Is 9,1-6
Salmo - Sl 95,1-2a.2b-3.11-12,13 (R. Lc 2,11)
2ª Leitura - Tt 2, 11-14
Evangelho - Lc 2,1-14

 

Alegremo-nos!

“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras de morte, uma luz resplandeceu” (Is 9,1).

A humanidade, neste momento histórico, vive “Às sombras de um mundo fechado”, nos diz o Papa Francisco em sua última Encíclica “Fratelli Tutti”. Estamos vivendo na escuridão. Mas, não é a escuridão do sepulcro. É a escuridão do útero materno. Está para nascer algo novo. O Profeta Isaias , que nos acompanhou durante todo o Advento, continua dizendo na primeira leitura de hoje (Is 9,1-6): “Nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; Ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro Admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz” (Is 9,5).

O Salmo (Sl 95)que segue na liturgia de hoje convida-nos a cantar, a dançar, a bendizer o nome de Deus a anunciar a salvação em todo o universo porque Deus vem para julgar a terra, para governar o mundo com justiça e os povos com lealdade.

E na segunda leitura de São Paulo a Tito se confirma que “a graça de Deus se manifestou, trazendo a salvação para todas as pessoas” (Tito 2,11). E o chamado é “viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tito 2,13).

Este chamado à alegria e à esperança não deixa de lado as lágrimas que verteram os nossos olhos, com tanto sofrimento durante este tempo de prova. Este ano o Natal tem um significado muito mais profundo: alimentar a esperança em meio à dor. Não podemos deixar de contemplar o Menino frágil de Belém que nasceu fora de casa, no lugar incômodo de uma manjedoura.

Eu gostaria de lhes fazer um convite nesta Noite Santa:

Vamos sair! Vamos até Belém! Caminhemos à luz da estrela e ao ritmo da música dos coros de anjos que nos acompanham.

A narração é linda e profunda. É a comunidade de Lucas que nos orienta no caminho (Lc 2,1-14). Soltemos as asas da nossa imaginação. Vamos sair, mesmo que esteja escuro e seja de noite. Lembremo-nos que a escuridão não é a de um sepulcro, mas a do útero de uma mulher.

Tenho certeza de que caminhamos com o casal da Galileia desde Nazaré durante todo o Advento. Eles cumprem as ordens de um rei ambicioso que deseja saber quantos são os seus súditos. E esse casal, de forma precária, como tantos de seu tempo e do nosso, deixa o lar, abandona o lugar seguro e as poucas comodidades que cercavam sua vida. O casal vai até Belém sem saber nada do que vinha pela frente. Onde ficariam? Seriam recebidos, no estado em que Maria se encontrava? Haveria alguém, movido de compaixão que os receberia em sua casa para que Maria pudesse dar a luz o filho que levava no ventre?

Será que não é essa também a nossa expectativa com relação ao futuro? Quem ainda não pensou no que poderá acontecer amanhã nesse contexto de desemprego, de carência, de insegurança sobre um futuro promissor?

Eu convidava para a gente sair.

Mas, quero alertar para algumas coisas: no caminho não estaremos sozinhos. Tem gente humilde que, como nós, ouviram dizer que em Belém encontraremos a esperança. São os pastores e pastoras que guardam o rebanho. Eles entendem muito de escuridão, de caminhar pelo meio de pastos e dos perigos do caminho. Estaremos bem acompanhados. A palavra de ordem é não ter medo.

Ah! Quero ainda fazer outra alerta: no caminho em direção a Belém tem muitas cercas. Lá também existe a realidade dos latifundiários que cercam suas propriedades para que ninguém entre nelas. Teremos que dar muitas voltas ou abaixar-nos para passar debaixo dessas cercas.

Se a gente se perder, é só prestar atenção à estrela. Ela vai à nossa frente. E se formos fracos de vista e bons de ouvido, prestemos atenção à música que também nos acompanhará. Não é qualquer música. Ela é cantada por Anjos.

E, embora o caminho seja longo e difícil no final vai ter uma grande alegria porque “hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11). E a comunidade de Lucas nos orienta bem para não errarmos o objetivo: “Isto servirá de sinal para vocês: encontrarão um recém-nascido, envolvido em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12).

Por isso, com os Anjos, cantemos também nós: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra para todos os que têm boa vontade” (Lc 2,14).

Lá em Belém, veremos gente sem uma das mãos, aplaudindo.
Veremos gente sem uma das pernas, dançando e pulado de alegria.
Veremos cegos olhando para as luzes e para o Menino e surdos ouvindo a linda música.
Veremos todos se abraçando porque vai ser possível se abraçar sem medo dos contágios. Todos poderemos dar-nos as mãos e rodear um mundo cheio de luz.

Acreditamos nisso? Parabéns para quem acredita! Parabéns para o Recém-Nascido!

Feliz e Santo Natal para nós hoje!!!

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