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13 Novembro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Mateus 25,14-30, que corresponde ao 33° Tempo Ordinário, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto.

A parábola dos talentos é um relato aberto que se presta a leituras diversas. De fato, comentadores e predicadores interpretaram-no com frequência num sentido alegórico, orientado em diferentes direções. É importante que nos centremos na atuação do terceiro servo, pois ocupa a maior atenção e espaço na parábola.

A sua conduta é estranha. Enquanto os outros servos se dedicam a fazer frutificar os bens que lhes confiou o seu senhor, o terceiro não lhe ocorre nada melhor do que «esconder debaixo da terra» o talento recebido para o conservar seguro. Quando o senhor chega, condena-o como servo «negligente e preguiçoso» que não entendeu nada. Como se explica o seu comportamento?

Este servo não se sente identificado com o seu senhor nem com os seus interesses. Em nenhum momento atua movido pelo amor. Não ama o seu senhor, tem-lhe medo. E é precisamente esse medo que o leva a agir procurando a sua própria segurança. Ele mesmo explica tudo: «Tive medo e fui esconder o meu talento debaixo da terra».
Este servo não entende em que consiste a sua verdadeira responsabilidade. Pensa que está a responder às expectativas de seu senhor, conservando o seu talento seguro, mas improdutivo. Não sabe o que é uma fidelidade ativa e criativa. Não se envolve nos projetos do seu senhor. Quando este chega, diz-lhe claramente: «Aqui tens o teu».

Nestes momentos em que, ao que parece, o cristianismo de não poucos chegou a um ponto em que o primordial é «conservar» e não tanto procurar com coragem caminhos novos para acolher, viver e anunciar o seu projeto de reino de Deus, temos de escutar atentamente a parábola de Jesus. Hoje diz-nos a nós.

Se nunca nos sentimos chamados a seguir as exigências de Cristo além do que sempre é ensinado e ordenado; se não arriscamos nada para fazer uma igreja mais fiel a Jesus; se nos mantemos alheios a qualquer conversão que nos possa complicar a vida; se não assumimos a responsabilidade do reino, como o fez Jesus, procurando «vinho novo em odres novos», é que necessitamos de aprender a fidelidade ativa, criativa e arriscada à qual nos convida a sua parábola.

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