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04 Novembro 2020

Em torno de quarenta movimentos eclesiais, comunidades e associações francesas acordaram em uma “Carta de Intenções” (ainda não publicizada) empreender um caminho de reforma eclesial. Pela primeira vez, diferentes setores da Igreja e associações dedicadas às atividades sociais perguntaram como ajudar a Igreja neste difícil momento. Informa La Croix (16 de outubro), destacando o papel integrador da iniciativa, chamada “Promesses d’Eglise”.

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 04-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Tudo começou com a “Carta ao Povo de Deus” (20 de agosto de 2018) na qual o Papa chamava o mundo leigo para colaborar frente à devastação causada pelos abusos infantis. Um pequeno grupo informal se reuniu, perguntando-se o que fazer.

Alguns meses mais tarde, na primeira reunião (maio de 2019), juntaram-se representantes de trinta diferentes coletivos eclesiais: desde a “Communauté de l’Emmanuel” até a “CCFD-Terre Solidaire”, passando pelas “Semaines Sociales” ou a “DCC (Delegação Católica de Cooperação)”, o “Secours catholique” e “Chemin-Neuf”.

Na segunda e terceira reunião (junho e setembro) reuniram-se em torno de setenta pessoas representando mais de 40 coletivos. Em novembro, o projeto foi apresentado na assembleia de bispos, implicando-se na iniciativa dois deles (dom Dominique Blanchet e dom François Fonlupt).

É interessante destacar a mudança de nome à medida que o grupo foi crescendo. Inicia-se com o de “gouvernance en Eglise” (o funcionamento da “máquina” eclesial), passando pelo da “Synodalité” (reunião conjunta) para chegar ao de “Promess d’Eglise” (com a entrada dos movimentos juvenis).

As questões abordadas, tanto nos encontros gerais como nos específicos, são os da dignidade dos batizados, a relação de confiança com os padres e bispos; a forma de governo da Igreja; a elaboração e tomada de decisões eclesiais; a relação entre o homem e a mulher na comunidade cristã; o cuidado das vítimas de abusos e das pessoas vulneráveis; a formação do clero, etc.

Cultura de sinodalidade

Em comparação com outras iniciativas leigas, como a promovida por uma dúzia de personalidades (entre elas, Michel Camdessus, ex-diretor geral do Fundo Monetário Internacional) sobre a reforma eclesial, a de “Promesse d’Eglise” tem a originalidade de ser o resultado de uma convergência entre coletivos muito diferentes; presidida mais pela pertença eclesial que pelas reivindicações individuais: com uma proximidade (não servil) aos bispos e às igrejas locais. E, ademais, com a consequência de propiciar o encontro e o conhecimento direto de protagonistas de mundos muito distantes entre si.

O secretário-geral do CCFD disse: “Promesses d’Eglise não é um lobby, mas uma plataforma na qual é possível uma experiência sinodal”. Foi facilitado por não ter uma agenda completamente fechada e no futuro permitirá facilmente a integração daqueles que desejarem contribuir.

Por isso, depois da redação da “Carta de Intenções”, não se definiu um horizonte final preciso. Em vez de uma representação que conte, como a dos católicos alemães, com um Comitê Central (agora diretamente implicado no processo sinodal dessa Igreja) apontam-se a outras formas de presença, algo assim como um Sínodo Nacional da Igreja. Como disse dom Blanchet: “não seria surpreendente que os líderes dos movimentos levantem a questão de um sínodo nacional, porém, em todo caso, seria muito mais importante promover uma cultura de sinodalidade”.

 

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