24º domingo do tempo comum – Ano A - Subsídios Exegéticos para a Liturgia Dominical

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11 Setembro 2020

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF: Dr. Bruno Glaab, Me. Carlos Rodrigo Dutra, Dr. Humberto Maiztegui e Me. Rita de Cácia Ló. Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno.

Leituras do dia
Evangelho: Mt 18,21-35
Primeira Leitura: Eclo 27,33 – 28,9
Segunda Leitura: Rm 14,7-9
Salmo: 102,1-4.9-12 (R.8)

Evangelho

A pergunta de Pedro é crucial: “quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim?” Está subentendido um limite ao perdão. Jesus fará ver que o perdão devido aos outros é ilimitado. O “setenta e sete vezes” ou “setenta vezes sete” não é uma questão aritmética. É a derrubada da lógica vingativa de Lamec, que é a lógica do ressentimento humano: “Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes” (Gn 4,24).

O maior é aquele/a que sabe perdoar mais. Não por acaso a pergunta aparece na boca de Pedro. Ele deve saber que não existem limites ao perdão, que se trata de um padrão indicador onde ele é julgado pelo mesmo parâmetro com o qual julga os outros (7,1s), será tratado com a mesma misericórdia que usou na sua relação com outros (6,12-15).

Mais profundamente ainda, a parábola que é própria de Mt, ilumina o contraste entre a lógica gratuita de Deus e aquela dos seres humanos. E de como o perdão fraterno/sororal pode nascer unicamente da experiência do perdão que cada um de nós recebe de Deus.

A parábola apresenta três cenas: a) um primeiro diálogo entre senhor e servo, no qual fala somente o servo (v.23-27); b) um diálogo entre os servos (v.28-31); c) um segundo diálogo entre senhor e servo, no qual fala somente o senhor (32-34). Na conclusão aparece um versículo parenético (v.35).

As quantias na parábola são extraordinariamente contrastantes: cerca de trezentas e quarenta toneladas de ouro (v.24) e menos de trinta gramas de ouro (v.28). O rei não perdoa a dívida na esperança de ser ressarcido, mas somente porque “tendo-se compadecido” (v. 27: splanchnistheís, um particípio que sempre é cristológico em Mt: 9,36; 14,14; 15,32; 20,34). Portanto a esperança do servo não é conseguir pagar, mas somente a magnanimidade (makrothymía, v.26) do seu senhor.

Nos v. 25 e 30 a identidade de comportamento ressalta como o servo quisera imitar o senhor sem o sê-lo (porque não sabe ser misericordioso como ele). Os outros companheiros de serviço “ficaram penalizados” com o ocorrido (observe a ressonância com 17,23; 26,22): uma traição a Jesus está ocorrendo, uma subversão da lógica evangélica, de todo o ensinamento do Mestre.

Nos v. 32-34 o senhor (kýrios) repreende asperamente o “servo mau” pela sua incapacidade de ter compaixão: “Não devias, também tu, ter compaixão?” No texto aparece uma “necessidade” formal; se utiliza o mesmo verbo que encontramos na primeira profecia da paixão: deî, é necessário (16,21). É a necessidade evangélica de renunciar a si mesmo para seguir Jesus (16,24).

Note-se a evidente correspondência entre os dois particípios “tendo-se compadecido” (v.27: splanchnistheís) e “tendo-se irado” (v.34: orghistheís). O Senhor é compassivo e também exigente, e a sua exigência é precisamente a misericórdia.
Relacionando com os outros textos

A perícope do Eclo aparece como um comentário a Lv 19,17-18: Deus se vinga do vingativo e perdoa quem perdoa. É destacada a dimensão humana da solidariedade relacionada ao fim do ser humano e a prática dos mandamentos da aliança.

 

 

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