Cardeal Czerny a ordenados, “escolham o caminho morro acima, do novo”

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29 Junho 2020

O cardeal Michael Czerny celebrou a missa de ordenação de 18 diáconos e dois padres, membros da Companhia de Jesus, na Igreja di Gesú all’Argentina, na cidade de Roma. “Como ministros da Igreja, é necessário ter coragem de ser testemunha, de escolher o caminho de subir morro acima, ‘do novo’, e não descer pela ladeira ‘da segurança’”.

A reportagem é publicada por Vatican News, 28-06-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.


Cardeal Czerny ordenou 18 diáconos e 2 padres jesuítas, de 15 países, neste sábado, 27-06-2020. (Foto: Vatican News)

Um sol radiante banhava a cidade de Roma. Às três horas em ponto, e seguindo todas as medidas sanitárias, se deu início à eucaristia na qual seriam ordenados 18 diáconos e 2 padres, provenientes da Ásia (8), África (6) e Europa (6) na Igreja do Santo Nome de Jesus.

A construção da Igreja di Gesú foi encarregada ao arquiteto florentino Nanni di Baccio Bigio, em 1551, por Santo Inácio de Loyola. Este projeto foi concretizado no generalato de Francisco de Borja, sofrendo algumas transformações com o tempo. Também foi a residência do Superior Geral dos jesuítas até a supressão da ordem em 1773. Neste templo conservam-se os restos do fundador dos jesuítas.

Ir ao mundo que tanto temiam

A luz do sol vespertino entrava pelas ventanas da Igreja. Neste contexto, tiveram especial notoriedade as palavras do cardeal Czerny ao saudar os novos padres e diáconos, assim como aqueles que seguiam o evento por meios digitais. “A paz esteja com vocês”. Czerny iniciou sua homilia convidando a serem testemunhas desta primeira cena na vida dos apóstolos depois da morte de Jesus: “Diante do medo que sentiam os apóstolos, que os leva ao isolamento, de imediato Jesus se faz visível, audível, tangível entre eles. Shalom é a sua primeira palavra. Paz! Mostra as suas mãos feridas e o costado perfurado. Estes sinais permanentes de sua paixão provam o amor tenaz de Deus. Jesus envia-os ao mesmo mundo que tanto temiam”.

O purpurado prosseguiu destacando o ato em que Jesus sopra sobre os discípulos e lhes dá o seu Espírito: “para curar e consolar, para libertar e reconciliar, para levantar e alegrar. E para ser um anunciador do Evangelho, um ministro da reconciliação e da libertação, no mundo de hoje e de amanhã, onde tudo parece ser constantemente novo e rápido”.

Não há nada novo na renovação!

O cardeal Czerny convidou os ordenados e o público a “escutar a fundo os sinais da época”, e para isso o discernimento é uma ferramenta instituída por Santo Inácio de Loyola e que pode ser muito útil nos tempos que correm.

Pelo batismo, todos nós cristãos compartilhamos a missão e o ministério da Igreja, afirmou Czerny e insistiu: “os ministros de hoje são ordenados para fomentar a inserção ativa do povo de Deus na vida e nas responsabilidades da Igreja (...) O Concílio Vaticano II abraça o mundo como o lugar privilegiado para anunciar a Boa-Nova. Assim é como restaurou os sacerdotes do mundo, convidando-os a sair das zonas de conforto chamadas ‘sacristias’ onde, como os discípulos do Evangelho de hoje, se enclausuraram por medo do que acontecia ‘lá fora’. O mundo de agora com seus problemas e lutas, com suas contradições e seus valores, com suas oportunidades e obstáculos, é essencial para o serviço dos que serão ordenados hoje”.

Escolher o caminho da subida

O cardeal propôs aos ordenados alguns elementos para seguir o caminho ao qual foram convocados, insistindo que “não há mapa algum para as terras desconhecidas que se aproximam”. Neste sentido, continuou, “é necessário ter coragem de ser testemunha, de escolher o caminho de subir morro acima, ‘do novo’, e não descer pela ladeira ‘da segurança’”.

Sabendo que todos somos fracos, destacou a necessidade de nos apoiarmos: “Permitam-nos animá-los com coragem, nesta tarefa constantemente!”.

Outro elemento a ser levado em consideração é o discernimento sobre o que significa hoje responder ao chamado que Cristo nos faz como indivíduos e como Igreja, portanto: “Em vez de tentar dominar ou apropriar-se desse discernimento, tentem acompanhar os outros e estarem sempre a serviço do discernimento do corpo da Igreja”.

“Vocês descobrirão que é preciso humildade e coragem para reconhecer que não podemos fazer tudo somente com nossas próprias forças”. Este é o desafio da prática sinodal, na qual, juntos, descobrimos as melhores opções e tomamos as melhores decisões: “Peçam a Deus que nos ajude a ver o mundo como Jesus, especialmente neste momento difícil”.

Os desafios que a sociedade atual apresenta à Igreja são enormes, por isso o convite do cardeal: “Iluminemos o mundo com a verdade do Evangelho e, como Melquisedeque, ofereçamos soluções eficazes e amigáveis, não apenas para esta emergência de saúde em si mesma, mas para aliviar os enormes sofrimentos do povo de Deus e da nossa casa comum”.

A homilia terminou convidando os novos ordenados a “experimentar uma abundância de graça, conforto e alegria em suportar o fardo que hoje aceitam; e que “A paz esteja com vocês!” (Jo 20:19).

 

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